Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~

O BATALHÃO CAÇ.1891 CUMPRIMENTA EFUZISAMENTE TODOS OS QUE NOS VISITAM ..DESEJANDO A TODOS UM BOM ANO DE 2018 !

segunda-feira, 16 de abril de 2018

A CONQUISTA DAS ALMAS -- MENSAGENS

        MENSAGENS

O documento <<Estruturação da APsic em Moçambique>>, já referido , inclui, de forma organizada, as mensagens adequadas de cada grupo-alvo. Estas ideias-chave eram replicadas em todas as campanhas de Acção Psicológica, e os panfletos e cartazes aqui apresentados constituem bons exemplos da sua utilização.

Exemplos de frases constantes dos planos de Acção Psicológica em Moçambique

AS FRASES PARA <<DESACREDITAR A ORGANIZAÇÃO INIMIGA>>

- A guerra é constituída por gente estrangeira que quer roubar Moçambique
- O inimigo não pensa na felicidade das populações, serve-se delas para atingir os seus fins
-Os chefes terroristas vivem be, enquanto o guerrilheiro sofre e passa fome
- A FRELIMO engana o povo
- A FRELIMO prometeu ganhar a guerra em pouco tempo, mas foi tudo mentira
-Os chefes terroristas vivem bem e não lhes faz mal que a guerra nunca acabe
--Muitos chefes já fugiram e largaram a guerra 
-Os chefes matam-se uns aos outros porque já não se entendem. Magaia, Kancombe e outros foram mortos.


FRASES PARA <<DESMORALIZAR OS GUERRILHEIROS>>

-A tropa destruiu as bases 
-A tropa está cada vez mais forte
-A tropa vai a todo o lado
-Vai haver cada vez mais bombas e a guerra vai ser mais dura
-Ninguém vai ter descanso no mato
-Os guerrilheiros foram enganados pelos chefes
-A FRELIMO enganou os guerrilheiros
-Só os guerrilheiros passam sacrifícios
-Ou foge, ou apresenta-te
FRASES PARA <<CONDUZIR AS POPULAÇÕES À APRESENTAÇÃO>>

-As populações foram para a guerra com medo dos castigos da FRELIMO
-Quais as promessas da FRELIMO que já se realizaram? Quais?
-A FRELIMO mentiu às populações quando disse que a guerra durava pouco.
-Quantos homens já morreram?
-Quantas crianças morreram com doença?
-Quantas mulheres ficaram sem marido?



-A guerra trouxe a desgraça às populações
-A tropa é muito forte. Está a fazer estradas novas e novos aldeamentos
-Ninguém pode lutar contra a tropa
-Quem continuar com a FRELIMO tem os dias contados
-A população é escrava dos guerrilheiros
-Apresentem-se nos quartéis e nos aldeamentos
-A tropa recebe toda a gente que se apresenta
-A tropa dá prémio a quem trouxer arma

Os panfletos e os cartazes da colecção de Rodrigo Sousa e Castro e do Arquivo Histórico Militar contêm todas estas ideias, destinadas a conquistar a adesão das populações, a quebrar os seus laços com a FRELIMO, a colocar os guerrilheiros contra os seus líderes e desacreditá-los

Outros meios de Acção Psicológica

Além dos cartazes e panfletos, a APsic também utilizou ouros meios, como a rádio - transmitindo programas militares em emissoras civis -, meios sonoros, e também a imprensa nacional e internacional.
A APsic visou ainda as populações metropolitanas e os europeus das colónias, e organizou acções específicas para militares, orientadas para grupos particulares: praças, oficiais e sargentos milicianos, ou militares dos quadros permanentes.
Podem ainda ser integradas na Acção Psicológica as actividades  de grupos de apoio, como o Movimento Nacional Feminino, a Cruz Vermelha e as Mulheres de Portugal. As cerimónias oficiais e asvisitas de altas entidades nacionais e estrangeiras foram igualmente usadas para o mesmo fim.


Relatórios de Acção Psicológica

Os relatórios da APsic constituem alguns dos documentos que melhor reflectem a evolução do modo como a sociedade portuguesa (e os militares, em particular) foi tomando consciência do problema colonial e da guerra. Estes documentos tinham uma periodicidade trimestral ou quadrimestral e, além do relato das notícias de acções nacionais e internacionais que podiam influenciar a situação militar nos teatros de operações, continham uma apreciação do estado psicológico dos militares, que eram divididos em grupos.
          
CONCLUSÕES


Na escola de Estado Maior da China ensinavam aos futuros dirigentes dos movimentos de libertação em África que << as palavras são os canhões do século XX>> e que, na guerra revolucionária, se <<deve atacar com 70% de propaganda e 30% de esforço militar>>.
Durante a guerra colonial - sem atingirem esta repartição de proporções - , quer as forças portuguesas , quer os movimentos de libertação utilizaram a Acção Psicológica como arma, integrando-a na panóplia de meios disponíveis para conquistarem os seus objectivos. Contudo, para serem eficazes, os meios de condicionamento psicológico necessitavam de encontrar um ambiente favorável.
No que diz respeito à Acção Psicológica em Portugal, o objectivo era inverter a influência dos movimentos de libertação, que apelavam à independência, à devolução das riquezas, ao desenvolvimento e ao fim da exploração. Esta inversão implicaria oferecer uma alternativa política mais atraente.
O governo português não podia disponibilizar <<conteúdo político>> tão aliciante quanto aquele oferecido pelos seus oponentes sem pôr em causa  os fundamentos do regime, e os militares não podiam inventá-lo. Tornou-se evidente desde cedo que a guerra não seria vencida militarmente enquanto a única proposta do regime - a de manter inalterados os oilares essenciais da sua política colonial - ia perdendo adeptos tanto entre a população metropolitana como entre os colonos europeus em África, as populações não afectadas directamente por acções de aliciamento <<subversivo>>, e ainda entre os militares.
(...) A Acção Psicossocial, como suporte da Acção Psicológica que visava promover a adesão à tese de um Estado Unitário, pluricontinental e multirracial, teve diferentes resultados nos três teatros de operações.
Na << Guiné, os programas de Apsic conduzidos pelo General Spínola, sob o lema <<Por uma Guiné Melhor>>, conseguiram por alguns momentos opor-se com eficácia à independência total do PAIGC. Esse sucesso, embora relativo, deve-se ao facto de ter existido uma proposta política a suportá-lo: a atribuição de ampla autonomia à população guineense que tinha como título << Uma Guiné para os guinéus>>
(...) Em Moçambique,as ideias - força transmitidas foram, numa primeira fase (no contexto da grande operação <<Nó Górdio>>, a de que a FRELIMO ia ser destroçada.De seguida, e apesar do agravamento da situação nas três frentes - Niassa, Cabo Delgado e Tete -, a ideia de que existiam condições para Portugal vencer a guerra militarmente. Tal como em Angola, as Acção Psicossocial em Moçambique também não contribuiu significativamente para apoiar a Acção Psicológica dirigida aos vários grupos de população: a atribuição.
Quer em Angola, quer em Moçambique foram desenvolvidos programas desastrosos em termos de  Acção Psicossocial, sendo o dos <<aldeamentos>> o mais notório. Os aldeamentos forçados em Angola e em Moçambique consumiram recursos militares necessários para outras missões, aumentaram a rejeição da autoridade portuguesa e alargaram a base de recrutamento dos movimentos de libertação junto das populações descontentes. Os aldeamentos geraram um maior ressentimento e maior número de inimigos para a política portuguesa do  que aqueles que evitaram. Foi o que aconteceu nas grandes operações de aldeamento no leste de Angola e em Tete; as operações de pequena e média dimensão, como as realizadas em Cabo Delgado e no Niassa, foram de utilidade duvidosa.

Novembro de 1972. CHUANGA- LAGO NIASSA. Inauguração do POSTO ESCOLAR.
A Acção Psicossocial não foi relevante na conquista das populações, nomeadamente em angola e em Moçambique, onde alguns programas tiveram tiveram até um impacto negativo, mas produziram um efeito colateral positivo sobre as tropas portuguesas, que contribuiu para assegurar a permanência das forças armadas no terreno durante 14 anos. As acções de tipo assistencial realizadas pela APsic, dirigidas a uma população carenciada, ajudaram os militares portugueses a encontrar significado na sua presença em África, e suavizaram, de algum modo, as acções de guerra, dando um sentido humano ao seu sacrifício.
(...)De todas as acções incluídas nos programas de APsic, a mais sensível era a que se dirigia às tropas do recrutamento local, maioritariamente negras, nunca se tendo conseguido equacionar um enquadramento e uma orientação suficientemente sólidos para garantir resultados satisfatórios. As mensagens eram constituídas por um conjunto de promessas, quase sempre vagas e sem coerência, raramente respondendo às interrogações destes militares incorporados nas forças portuguesas. Os militares destas tropas tinham origens e enquadramento muito diferenciados, o que tornava difícil encontrar motivações comuns. Uns integravam os corpos auxiliares, que incluíam milícias e grupos especiais de variados tipos, quase sempre com base nas diferentes etnias; outros integravam as forças regulares, ou especiais, do Exército. Para os primeiros, a Acção Psicológica acentuava os valores da sua etnia, normalmente valores guerreiros, de defesa do seu território e de lealdade a Portugal,
enquanto para os segundos eram acentuados os valores  militares clássicos da disciplina, da coragem, da camaradagem. Comum aos dos grupos era a mensagem do <<portuguesismo>>, entendido como ordem inquestionável estabelecida por uma entidade que se sobrepunha a todas as outras, desde os grupos étnicos e aos respectivos territórios coloniais. Com a excepção da <<Guiné de Spínola>>, onde o valor da <<guineidade>>foi desenvolvido, com a referência explícita aos <<guinéus>>, a APsic dirigida aos militares do recrutamento local em Angola e em Moçambique evitou apelar à identidade Angolana ou em Moçambicana evitou apelar à identidade angolana ou moçambicana, acentuando sempre a portugalidade.(...)
Quando chegou a hora dos acordos de transferência de soberania, todos esses militares se deram conta, em poucos dias, de que tinham estado do lado errado da História e que iriam assumir, praticamente sozinhos, essa circunstancia e as suas consequências.
Neste caso,  podemos concluir que, mais do que o impacto das mensagens da APsic nos africanos que integraram as Forças Armadas Portuguesas, resta neles a memória das relações de proximidade que estabeleceram com os militares portugueses durante a guerra. Os sentimentos, o conhecimento e as experiências vividas são sempre mais fortes do que as mensagens.


CONTINUA




















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