Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~

O BATALHÃO CAÇ.1891 CUMPRIMENTA EFUZISAMENTE TODOS OS QUE NOS VISITAM ..DESEJANDO A TODOS UM BOM ANO DE 2018 !

sábado, 21 de fevereiro de 2015

António Maria Nobre, Soldado de Infantaria: Cruzes de Guerra

António Maria Nobre, Soldado de Infantaria: Cruzes de Guerra de 1.ª e 3.ª classe.

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HONRA E GLÓRIA


António Maria Nobre


Soldado de Infantaria, n.º 01678065

Companhia de Caçadores 1560 «LEOPARDOS»

Batalhão de Caçadores 1891 «LEAIS E VALOROSOS»

Moçambique: 21 Maio 1966 a 13 Agosto 1968


Cruzes de Guerra, de 1.ª e 3.ª classes

A CCAÇ 1560 foi comandada peloCapitão Mil.º de Infantaria António Augusto da Costa Campinas.Foi colocada em Gilé, onde substituiu uma secção da Companhia de Caçadores 689 (CCAÇ 689).
De Maio de 1966 a Janeiro de 1967, a actividade operacional, consistiu principalmente em patrulhamentos e acção educativa e medicamentosa junto da população.

Em Janeiro de 1967, foi transferida, por troca com a Companhia de Cavalaria 1505 do Batalhão de Cavalaria 1879 
De Janeiro de 1967 a Fevereiro de 1968, efectuou entre outras, as operações: "Alcides" (vale do rio Messinge), "Segunda Vez" (região da "Base Liconhire"), "Lisboa" (serra Macuti), "Marretada II" (região da "Base Maniamba), "Sobe-Sobe" (serra Juzagombe), "Alferes Ambar" (região da "Base Liconchire") e "Crepúsculo" (entre os rios Messinge, Nossi e Luavize). Tomou parte nas operações "Marretada", "Caravana I" e "Caravana II".

Em Fevereiro de 1968, foi rendida em Maniamba, pela Companhia de Artilharia 2326 do Batalhão de Artilharia 2838 (CArt2326/BArt2838), regressando a Gilé, onde rendeu a Companhia de Cavalaria 1505 do Batalhão de Cavalaria 1879 (CCav1505/BCav1879).

Foi rendida em Gilé (Agosto de 1968), pela Companhia de Caçadores 1794 do Batalhão de Caçadores 1934 (CCAÇ 1794/BCaç 1934).
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ANTÓNIO NOBRE, UM HERÓI DE PORTUGAL







«Quem, dentro da CCAÇ 1560, não se lembrará do António Maria Nobre, da “BAZOOKA”?


Alentejano, de gema, integrado num grupo de combate constituído quase exclusivamente por alentejanos, era bem o protótipo do calmo e pachorrento dito “compadre”, a quem nada nem ninguém faz perder a fleuma a menos que…


Finda a comissão, o Nobre era apenas um herói. Modesto, apagado, humilde – mas um HERÓI !



... Gravemente ferido em combate, por 3 vezes (!!!) foi condecorado, na mesma comissão por imposição, com duas CRUZ DE GUERRA (1ª e 3ª classes ), caso único nas Forças Armadas, nas campanhas do Ultramar pós 1961!


Ora acabou por ser precisamente o Nobre o protagonista do único incidente registado, em toda a comissão, entre pessoal da 1560 e elementos estranhos à mesma.


Estamos em Nampula, na noite de 10 AGO 68. O comboio que transporta o Batalhão 1891 a caminho de Nacala, onde embarcará no paquete Vera Cruz, de regresso à Metrópole, fez uma paragem de algumas horas naquela cidade.


O pessoal foi autorizado a ir dar uma última volta pela cidade, com recomendações e ordens taxativas quanto ao comportamento a ter, em todos os aspectos, e com hora de regresso à estação bem definida.


Ao aproxima-se essa hora limite, e com grande parte do pessoal da Companhia já na estação dos Caminhos de Ferro, chegou a notícia de que o NOBRE teria sido preso pela Polícia Militar, e levado para o quartel da mesma. Imediatamente e em bloco, todo o pessoal dos “Leopardos” já presente se dispôs a marchar para o Quartel da P.M. (ainda a uns bons 3/4Kms da estação) a fim de libertar o seu camarada.


Tendo o Comt da CCaç 1560, conseguido acalmar momentaneamente os ânimos, pois nada se sabia de concreto, foi decidido que ele, com alguns Oficiais e Sargentos da Companhia. Iriam à P.M., averiguar o sucedido e resolver o problema.


Tendo o grupo de graduados da 1560 chegado ao quartel da P.M., e após uma entrada mais ou menos intempestiva, por várias razões, foram descobrir o Nobre a ser duramente interrogado por um Tenente da P.M. e mais alguns elementos – tendo inclusive levado já alguns “caldos”.


Foi então dito pelo Tenente que o Nobre, interpelado por uma patrulha da P.M., havia resistido à detenção(?), tendo inclusivamente partido o nariz ao Cabo comandante da mesma e deslocado o braço a outro soldado. Tendo sido ouvido o depoimento do Nobre e também dum outro soldado da referida patrulha, ficaram os presentes com sensação nítida de que teria havido precipitação e até abuso, de autoridade por parte dos elementos da P.M., aos recém - chegados da Metrópole…Depois de muita troca de argumentos e de ter sido explicado Quem era o Nobre, conseguiu-se a sua libertação, tendo sido entusiasticamente recebido quando finalmente, chegaram à estação dos Caminhos de Ferro. Agora para terminar, só falta, de facto, contar-se a versão dos acontecimentos, pela boca do Nobre.

Na sua castiça calma voz alentejana, (esta versão apenas deferia da P.M, num pequeno pormenor.

Em frente do Hotel Portugal, em plena baixa de Nampula, passeavam alguns militares da 1560. Tendo passado um Jeep da Polícia Militar, alguém do grupo teria gritado:- “Adeus, ó Chekas,”( nome dado aos militares recém chegados a Moçambique). O Jeep parou de imediato e os elementos da P.M. correram para eles.

Com receio de complicações sobretudo devido à proximidade do embarque, os militares da 1560 debandaram (pela 1ª e única vez em toda a comissão!), com excepção do Nobre que, além de ter a consciência tranquila, não podia correr, por coxear devido ao seu último ferimento em combate.

“Então, meu Capitão”, dizia o Nobre, eu que nada tinha feito, vejo vir o nosso Cabo, todo exaltado, direito a mim… Agarrou-me pelo colarinho e puxou-me para a frente com toda a força… Ora eu, que não tenho força nenhuma nas pernas, desequilibrei-me…e fui bater, sem querer com a minha testa no nariz do nosso Cabo!...


Escusado será dizer o esforço que, na altura, foi necessário aos graduados da CCAÇ 1560 presentes para não desatarem à gargalhada, numa situação tão melindrosa como aquela.
»


                          ---Cruzes de Guerra, de 1.ª e 3.ª classes


                  Cruz de Guerra, de 1.ª classe:


Soldado de Infantaria, n.º 01678065

ANTÓNIO MARIA NOBRE


C.Cac. 1560/BCac 1891- RI 16 -MOÇAMBIQUE

1.ª CLASSE
 
Transcrição da Portaria publicada na OE n.º 25 - 3.ª série, de 1968.
Por Portaria de 06 de Agosto de 1968:

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 1.ª classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados cm acções de combate na Província de Moçambique, o Soldado n.º 01678065, António Maria Nobre, da Companhia de Caçadores n.º 1560/Batalhão de Caçadores n.º 1891 — Regimento de Infantaria n.º 16.

Transcrição do louvor que originou a condecoração.
(Por Portaria da mesma data, publicada naquela 0E):

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, louvar o Soldado n.º 01678065, António Maria Nobre, da Companhia de Caçadores n.º 1560/Batalhão de Caçadores n.º 1891 — Regimento de Infantaria n.º 16, pelo magnífico comportamento que teve nas operações "Quatro Camaradas" e "Sobe-Sobe". Na primeira, conduziu-se com extraordinária bravura, espírito de sacrifício e de missão durante o violento combate de cerca de hora e meia, travado com numeroso e bem armado grupo inimigo, sempre ao lado do comandante do Grupo de Combate, agindo como apontador de lança-granadas foguete e expondo-se constantemente ao fogo adverso, a fim de poder fazer tiro ajustado, com o que contribuiu decisivamente para o bom êxito do assalto levado a cabo pelas nossas tropas. Em tais circunstâncias, sempre debaixo de fogo inimigo, mostrou absoluto sangue-frio, heroísmo e desprezo pelo perigo.

Na operação "Sobe-Sobe", apesar de gravemente ferido no início do assalto a uma base inimiga, continuou a fazer fogo com o seu lança-granadas foguete, apoiando, assim, com eficiência, a progressão das nossas tropas. Posteriormente ajudou os seus camaradas feridos, incutindo-lhes o maior ânimo até à chegada do helicóptero que a todos evacuou. Logo que voltou do hospital, e embora mal refeito ainda dos graves ferimentos que recebera, ofereceu-se como voluntário para tomar parte nas operações então em curso, o que, dado o seu estado, não foi aceite. Restabelecido, voltou a ser gravemente ferido por efeito do rebentamento duma armadilha inimiga, na última acção em que tomou parte.

Com as suas heroicas actuações em combate, nas quais se mostrou possuidor de elevadas qualidades militares, o soldado Nobre constituiu-se num destacado exemplo que muita honra a sua Unidade e o Exército.

 
Cruz de Guerra, de 3.ª classe:

Soldado de Infantaria, n.º 01678065
ANTÓNIO MARIA NOBRE


CCac 1560/BCac 1891 — RI 16
MOÇAMBIQUE


3.ª CLASSE
Transcrição da Portaria publicada na OE n.º 6 — 3.ª série, de 1968.
Por Portaria de 06 de Fevereiro de 1968:
 
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 3.ª classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província de Moçambique, o Soldado n.º 01678065, António Maria Nobre, da Companhia de Caçadores n.º 1560 - Regimento de Infantaria n.º 16.

Transcrição do louvor que originou a condecoração.
(Publicado na OS n.º 63, de 03 de Dezembro de 1966, do QG/RMM):

Louvo o Soldado n.º 01678065, António Maria Nobre, da CCac n.º 1560, em reforço no Sector "E" por, no dia 16Out66, no decorrer da operação "Ou Vai ou Racha", em que a sua Companhia tomou parte e em que actuava como apontador de lança-granadas foguete, depois de atingido por um estilhaço numa coxa e debaixo de intenso fogo inimigo que varria a área onde se encontrava, ter carregado e disparado sozinho por quatro vezes o seu LGFog sobre a principal posição inimiga, silenciando-a, o que em conjugação com o fogo do morteiro, acabou por neutralizar uma emboscada inimiga.

Apesar de ser ele o ferido mais grave pediu para só ser socorrido em último lugar, tendo feito voluntariamente a pé o percurso de vários quilómetros até ao local onde se encontravam as viaturas, para que o seu comandante de Secção, também ferido, pudesse utilizar a única maca então disponível.

Este Soldado demonstrou assim, com o seu comportamento, possuir qualidades de coragem em combate, sangue frio, serena determinação e energia debaixo de fogo, espírito de sacrifício e elevado moral frente ao inimigo, qualidades que muito o honram e ao Exército a que pertence.
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ANTÓNIO NOBRE, UM HERÓI DE PORTUGAL

No dia 10 de Junho de 1969, esteve presente no Terreiro de Paço, em Lisboa, aonde foram-lhe impostas as Cruzes de Guerra:



 

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