Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~

O BATALHÃO CAÇ.1891 CUMPRIMENTA EFUZISAMENTE TODOS OS QUE NOS VISITAM ..DESEJANDO A TODOS UM BOM ANO DE 2018 !

sábado, 6 de dezembro de 2014

Descrevendo o que era o Lunho em Moçambique(Guerra no Ultramar)


Sentado a uma tosca mesa concordante máxima com o meu cogito,irei expor não o que a minha imaginação forjar, mas sim aquilo que os meus olhos têm visto vêem e há-de ver continuar a ver. Entretanto e se me permitem irei sacar dum FN para queimar enquanto reproduzo graficamente o que venho a presenciar. O cigarro começa a desaparecer,
Deixando descontraidamente,subir o subir o fumo em virtude de um “Robson” da picada, (oferta do M.N.F.) O haver inflamado numa das extremidades.O cenário é  naturalmente, e por ninguém contestado o valor da primeira grandeza numa representação teatral. 
Existem alguns em Noroeste do Estado, que ultimamente é designado por este nome, de Moçambique um Foco de civilização, onde se consegue evitar a morte.
Neste aglomerado de latas e canas de bambu, vive gente nobre e com altos ideais.
Nestes postos de sentinela perdem muitas noites homens armados como caçadores à  espera da caça. Nestes subterrâneos passam-se momentos de autêntica expectativa entre o viver e o parecer. Existem contudo, coisa que em qualquer outra parte são impossíveis. Pode ver-se uma capela sem padre, que deixa circular livremente a luz e o ar sob umas chapas de zinco e por entre uma colunas de madeira sustentam o tecto zincado. Vê-se uma cruz na frente deste local destinado à oração, mas esquecido para tal fim. É pois este o indicativo e só a capela ou algo análogo. Dentro desta e debaixo destas folhas metálicas encontram-se ao fundo umas cruzes imperfeitas com Cristos crucificados, uma santa aparecida em Fátima de terço a pender das mãos com ar triste talvez por se encontrar só no meio de um ambiente bélico e sem estatutos uma chapa de ferro sobre um bidom, servindo de mesa para a celebração do santo ofício.
O clima atmosférico é quente e do ambiente é frígido. A superfície cutânea destes soldados transpiram quer suor frio, quer suor quente. Nos dias de calmaria, os africanos que constituem o grupo de integração n.º  132,servem-se da casa de cruz de madeira para dormirem a sesta ou trocarem entre si impressões que muita gente não compreende. O local é  dos mais frescos possíveis de trepar e como tal é bastante convidativo. Falta apenas um rapaz de casaco branco e de bandeja na mão a dizer “ faça o obséquio de pedir. “Será que como o café  onde depois das refeições se reúne os amigos não só para engolir café, mas também para dizer e desdizer deste ou daquele. Neste lar sem união, come-se carne de vaca ou de burro que alguém já rejeitou. Somos visitados duas vezes por semana. Temos o direito apenas a 200 quilos de viveres  portanto 400,para serem consumidos em sete dias. A zona não é explorada e como tal só é possível tragar o que nos trazem. Bebe-se água férrea quando não há avaria na bomba ou no motor que a faz mover ou ainda quando não falta o combustível necessário para a movimentação da máquina. Bebe-se esta mesma água a temperaturas que fariam pelar leitões, quando a geleiras não funcionam coisas que frequentemente se verifica. Vinho da velha cepa que não chega a estas paragens, chega sim uns barris de água do Lago Niassa com um pouco de tinta vermelha e outros cheios de vinagre. Mesmo assim o vinagre, e a água colorida racionalmente servidos por um elemento da secção da cozinha, com uma lata de cerveja cortada pelo meio pelo meio. Este vaso definitivamente provisório não tem asa ou qualquer coisa do género por onde se lhe pegue. Como ia dizendo, o homem com umas mãos muito sebentas, enfia um dedo ou os dedos dentro dos recipientes e vai lavando assim as mãos com o líquido que vai distribuindo aos soldados, que em fila ordenadamente se aproximam.
Pode beber-se ainda, à troca de pecúnia, a cerveja com carimbo de isenção mas vendida ao preço corrente. Quando a cerveja falha coisa habitual bebe-se coca-cola e quando esta falha, bebe-se hi-spote,quando esta falha bebe-se água e quando esta falha passa-se sede. Claro que à mais bebidas, mas estas são o peso do consumo.
Como lhes disse no intróito desta pretensão a crónica, trata-se efectivamente de uma sombra de crónica e não de prosa de ficção.
Precisam-se de ideias frescas para bem reproduzir o que se passa e o que é o Lunho.Sim porque a espiração é muito fraca neste reino de solidão e escuridão que abita um bairro de latas cercadas por matagais nunca dantes explorados. Temo que o engenho e arte me faltem para fazer compreender a realidade sem fantasias, pois por mais que se exagere, talvez se não consiga incutir nos que me lê a realidade. Reunido o Senado, reunião diária, para discutir do que foi e do que será o dia de á  manhã, fala-se superficialmente da próxima operação com a duração de oito dias. O chefe designa por escala, os graduados contemplados e convida-os a ficar após da reunião para discutirem sobre o que haverá  a fazer as medidas a tomar em relação ao dito passeio. Quais os objectivos na nomadização? São vários: trata-se de procurar o inimigo nas bases de caracter ambulante dado às constantes visitas que as nossas tropas lhe fazem. O objectivo será procurar, mas às vezes em que se tenta evitar o encontro. Aqui perto existe uma base IN a que se chama MEPÓTXE e segundo dizem ninguém lá consegue penetrar. O terreno é rabino e o europeu não consegue penetrar dado que os trilhos se encontram armadilhados e fora dos mesmos é impossível a progressão. Depois de falar acerca da operação, pensou-se que iriam arrasar a dita”MEPÓTXE” capturar o possível em vez de matar, trazer armas e bens que lhes pertençam. Claro que dentro do aquartelamento as operações são cheias de êxito e as KalaKenikova acompanhadas pelos morteiros “Oitenta e dois “se começam a ouvir e a sentir, então “Hoc Opus: hit labor este”. Depois de determinado o número de homens e o pessoal que tomará parte na progressão, ordena-se que se formem na parada para lhes dar a conhecer o que irão fazer no próximo dia e quais os cuidados a ter no mato. Em seguida são distribuídas rações de combate, alinhamento que lhes é fornecido para se poderem manter em pé durante os dias que terão de dormir sob o firmamento e com as costas ao relento. No primeiro dia o pessoal ainda vai fresco e como tal resiste às intempéries. No 2.º dia já começa a haver um ou outro que precisa de comprimidos ou injecções. Tudo isto é aplicado em doses cavalares,fasendo andar um corpo de pé, embora o organismo se venha a ressentir num advir mais próximo ou mais remoto. No 3.º dia á já um soldado mais frágil, que não aguentando começa a ser maco-transportado por camaradas que de dois e um pano de tenda e algumas fibras de árvores, fizeram o engenho. Tudo é prático nesta vida virgiliana desde a construção de uma maca à higiene que nem existe. No 4.º dia haverá quase, imprescindivelmente, uma telefonadela, lançando um S.O.S. para um dos componentes da força ambulante ser evacuado, dado a doença súbita. Habitualmente verifica-se que é paludismo misturado com fraqueza que ataca estes corpos errantes. No 5.º dia logo pela manhã vem um hélio acompanhado pelo respectivo bombardeiro, para transportar para o hospital sectorial o enfermo, pois no dia anterior a guerra havia fechado pelas dezassete horas, para a Fap. Destas evacuações urgentes efectuadas após quase 24 horas após um lançamento de um S.O.S. podem resultar consequências deveras desagradáveis. A dama de companhia do hélio vem para o que der e vier e se necessário for, este começa a fazer a sua psico com material bélico. Contudo também serão reabastecidos no 5.º dia. Mas antes de continuar visto que já estou a perder o Norte, vou dar efeito retroactivo ao amalgamado que venho reproduzindo. A despedida dos rapazes que fazem parte da operação é análoga àquelas despedidas que “Ilo tempo “ tinham lugar na ágar de Alcântra,cais que da Rocha havia lágrimas que rebentavam, aqui há amargura com lágrimas que não rebentamos que partem abraçam os que ficam para defender o bairro das latas, confortando e desejando-lhe boa estadia no máto.Parece que partem para muito longe e que nunca mais se irão ver; parecem que partem para um jogo de vida ou de morte parece que partem para a morte. Aquelas caras não deixam as que sai saltar um sorriso e só não deixam verter lágrimas porque são homens. Estas partidas são cenas que comovem muita gente. Há um desgaste quer físico quer psíquico, difícil de avaliar, quer no pessoal que parte quer naquele que fica. Muitos deles refugiam-se no tabaco, outros no álcool outros,…Há muitos que nunca haviam fumado ou ingerido bebidas alcoólicas em excesso, e começam a partir deste isolamento a viciar-se. Cria este isolamento muito neuróticos, muitas ulceras duedenais,muito desgaste muitos fumadores, muitos alcoólicos, muitos drogados, muitos deficientes mentais muitos. Os que ficam no aquartelamento tiram fotografias aos que partem para o mato. Porquê? Talvez porque queiram ficar com uma recordação impressa do camarada que poderá voltar inanimado, ou mesmo não voltar.Incintam selvaticamente os nómadas à vitória. Ouvem-se frases que não citarei, simplesmente dirá que são horripilantes. Bem, mas passados os dias e acaba a operação, o pessoal regressa. Evidentemente que, mas há alguns que baixam logo “ ao retiro dos desenfiados. Retiro dos desenfiados, para aqueles  que desconhecem estas coisas, direi que se trata da enfermaria da companhia. O nome que alguém lhe deu, está muito bem apropriado. Ora vejamos:todo aquele que é sorna,desenfiado,reguila e se quer safar da operação, patrulha,capinagem,e trabalhos diversos servem-se de doenças simuladas e pretendidas, baixando à enfermaria (retiro dos desenfiados) para assim se livrarem. Na véspera de uma operação a enfermaria é visitada por quase todos os elementos componentes da mesma. Claro que se o enfermeiro tivesse os olhos tapados e fosse mais filantrópico a operação teria de ser anulada por falta de pessoal. Contudo sempre há alguns que conseguem simular uma grande dor de estômago (ulcera possível, não podendo comer. Sim este posto de socorros é efectivamente uma miséria. Há soldado que precisa de ser injectado, qualquer medicamento, mas tal não se faz porque umas vezes não à seringas, outras vezes falta o álcool etc…Anda por aí tudo cheio de micose doença que só existe nos soldados de Portugal e do Ultramar. Em parte esta impedemia que afecta a derme testicular, é benéfica para aqueles que nada tem para fazer. Mas deixemo-nos de graças. Eu direi que não é nada agradável ter que andar com toda aquela comichão no órgão genital, riqueza mais nobre que o homem pode possuir. Não era isto que eu queria dizer, mas a gente começa a dissertar por vezes chega a dizer aquilo que nem tinha em mente, ou uma série de asneiras. Sucede é que as pomadas os pós os líquidos antimicóticos, não existem para sarar esta enfermidade que é geral.Continuando: o pessoal sujeito a alimentação como aquela que se verifica, tem uma necessidade incrível de vitaminas. Também estas faltam, a  quantidade é pouca e só são distribuídas aos mais necessitados ou aos mais amigos. Como toda esta falta de medicamentos, torna-se fácil a administração dos mesmos aos diversos enfermos. Aparece uma dor de cabeça, toma L.M. vem um outro com dores numa unha outro que se queixa do estômago, toma L.M.Mesmo assim à quem administre uns comprimidos venenosos em vês de L.M, segundo informações colhidas, e oriundas de fontes honestas consta que não passaram pelo estreito só as galinhas, mas também os ovos que as mesmas iam fabricando. Mas ainda o autor do desvio dos ovos chegou ao cumulo de troca e de odores fedorentos do respectivo ninho.
Os licenciados da guerra burocrática dado que são veteranos nestas andanças serviram-se de uma rede informadora que funcionava durante as vinte e quatro horas, incluindo hora em que o material galináceo era ingerido, chegando mesmo a saber quem e quando participavam no banquete embora os restos próprios para os cães fossem enterrados ou comidos. Restos nunca apareceram mas as galinhas desapareceram. A chegada de um checa caloiro na arte espartana, é deveras interessante e divertida para aqueles que já não estão habituados a grandes  divertimentos. Aparece numa terciária, todo enfiado e amarelo, branco pálido, bem uniformizado de galões ou divisas a brilhar. A cara deixa de transparecer o seu cogita, a sua alma. Na alma que transparece o rosto lê-se: adeus vida adeus namorada.


Bernardino Peixoto- C.CAÇ-4141.. Correção  feita.....José do Rosário ..Alvalade 1558


O texto não é  responsabilidade  dos responsáveis pelo Blogue. Foi enviado por Email sem correcção ortografica!...


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

ENGENHARIA MILITAR EM NOVA COIMBRA/LUNHO MIANDICA: C.N.G 1531 E 2.ª C.ª N E..

Companhia de Engenharia 1531

Texto escrito por
José Artur Faria
Furriel Milº da CENGª 1531




Comandados pelo Capitão António Manuel Vilares Cepeda, a Companhia de Engenharia 1531, embarcou em Lisboa no "Vera Cruz" em 12 de Janeiro de 1966.após diversas escalas, chegou a NACALA no dia 1 de Fevereiro. nesse mesmo dia seguiu em comboio até ao CATUR onde chegou no dia 2. No dia 3 em viaturas militares e civis seguiu para  VILA CABRAL onde chegou cerca das 13h Nesse mesmo dia foi dividida em pequenos agrupamentos e enviados para MESENGUECE, LUGENDA, OLIVENÇA, TENENTE VALADIM e NOVA COIMBRA, ficando a sua sede em VILA CABRAL.
Para NOVA COIMBRA foi enviado um Grupo de Combate comandado pelo Alferes Mesquita Ramos, auxiliado pelo 1º Sargento Bastos e pelos Furrieis Milicianos Albergaria, Carvalho e Matos, com a missão de construir a Picada (24 Kms) entre NOVA COIMBRA e LUNHO, que incluía a construção de vários pontões.
A construção das picadas era vital para o Exército Português para poder progredir até MIANDICA e daqui para OLIVENÇA, onde se encontrava o Furriel Miliciano Tavares Pereira nos trabalhos de ampliação da pista para aviões Dakota, com aumento de 400x25m de faixa ensaibrada e compactada, abertura da picada OLIVENÇA/ proximidades LUGULUZIA (100 Kms) e ampliação da pista de aviação de PAULÍA com aumento de 10 M largura em toda o comprimento, acrescentando num dos topos 200M, ficando com 900x40M.
A Frelimo tudo fazia para impedir a realização da obra, daí a colocação no percurso de muitas minas anti-carro e anti-pessoal, as quais provocaram às nossa tropas 2 mortos, um da CEngª 1531 e outro da CCAV 1506 que era a Companhia residente em NOVA COIMBRA e fazia a segurança dos trabalhos. Os estragos de materiais também foram elevadas visto que ficou totalmente destruída uma Bulldozer e estragos noutras máquinas de Engenharia.
Mais um Pontão destruído
Certa noite, em NOVA COIMBRA, foi ouvido um grande estrondo. Pela manhã do dia seguinte, lá fomos apeados com um pelotão da 1506, analisar o que tinha acontecido, deparámos com a destruição dos pontões que tinhamos acabado de construír.
No terreno junto ao pontão a Frelimo colocou minas anti-pessoal que felizmente foram descobertas a tempo, porque connosco seguia um prisioneiro que conheia bem as técnicas da Frelimo e que neste pontão destruído "ver" e desmantelar uma armadilha pronta a rebentar quando nós chegássemos para reparar aquele pontão.

Em Outubro de 1966 e devido ao estragos e atraso na obra, foi ordenado que todos os elementos da CEngª 1531, se deslocassem para NOVA COIMBRA inclusive a sede da Companhia.
Assim foi feito e no meu caso pessoal, partimos de MESSENGUECE via MARRUPA, VILA CABRAL, MEPONDA onde embarcámos numa lancha directos a METANGULA. Daqui seguimos para NOVA COIMBRA.
NOVA COIMBRA era um local abandonado por Deus, instalações sem qualidade e sem população civil. A água  que usávamos era-nos facultada por um auto-tanque que percorria cerca de 10 Kms até ao LAGO NIASSA
Em NOVA COIMBRA re-iniciámos os trabalhos na picada e pontões.
Devido ao excessivo rebentamento de minas, que davam cabo dos materiais, foram-nos entrgues pela PIDE, um grupo de cerca de 20 prisioneiros que acorrentados pelos pés e unidos uns aos outros, e, com bocados de verguinha iam picando a  picada na tentativa de descobrirem e levantarem as minas detectadas. Para os abrigar, foi construída uma prisão com manilhas cheias de terra compactada, cuja porta era tapada com uma velha ambulância inutilizada, cuja traseira tapava a entrada.
Passado pouco tempo as minas na picada quase desapareceram, mas os estragos nos pontões continuaram. Nós construíamos eles destruíam. 
Pouco depois dos prisioneiros chegarem, começaram a aparecer nas redondezas do aquartelamento mulheres com crianças, que acabámos por saber que eram as esposas e filhos dos prisioneiros.
Em Maio/ Junho de 1967 parte da Companhia montou o acampamento (X) sensivelmente a meio caminho entre NOVA COIMBRA e o LUNHO. Neste acampamento estavam a CEngª 1531, a 1ª do BCAÇ16 (Viet-Beira) a fazerem a escolta aos trabalhos e a alguns elementos da 2ª CEngª. Algum pessoal desta Companhia já estava no futuro Quartel do LUNHO.
À esqª a fumar Amadeu da CCAÇ 1558, a seguir o Seixas da
1ªBCAÇ16 os 3º; 4º e 6º são da CEngª 1531, o 5ºé o Botas
da 2ª CEngª. Neste acampamento foi feito em Julho de 1967 o
Hino do Lunho pelo Alf. Carvalho "100" da 1ª do BCAÇ 16
O Alferes Carvalho "100" era uma pessoa de uma grande simplicidade e agradabilidade, com ele fabriquei cartuchos de caça utilizando as balas da G3, utilizadas da seguinte maneira:Sacávamos o projéctil , tirávamos umpouco de pólvora, tampávamos com papel higiénico húmido, espalmando o projéctil cortávamos o chumbo em bocados o mais pequeno possível, voltávamos a meter no cartucho e  tampávamos com papel higiénico húmido.
Após muita morosidade nos trabalhos, acabámos por concluir os oito pontõese a picada para o LUNHO. 
Em Setembro de 1967 a 2ª CEngª tomou posse do aquartelamento do LUNHO. Esta Companhia além de melhorar o quartel ficou com a Missão de reconstruir a Ponte sobre o RIO LUNHO
Seguimos para MARRUPA onde iniciámos a construção do quartel de Inverno da Engenharia.
Regressámos à Metrópole no final de Janeiro, embarcando em NACALA no N.M "Niassa", chegando a  LISBOA a 2 de Março de 1968.

Companhia de Engenharia 1531

Em Miandica

Texto escrito por
Eduardo Carvalho
Furriel Milº da CENGª 153


Enquanto decorriam os trabalhos na Picada NOVA COIMBRA-LUNHO a "minha" secção recebeu ordem para se deslocar para MIANDICA, onde iria ser construído um Aerodrómo e melhorar a segurança do acampamento ali existente, cujo residentes era um Pelotão da CCAV 1507. Os trabalhos de aterro demorou pouco tempo, visto que havia muita profissionalização entre nós a manobrar as máquinas. De repente e quando passávamos para o outro lado dum riacho, cujo leito estava seco e, onde já estavam as máquinas, apareceu o Serafim a gritar que não via os camaradas que manobravam as máquinas. De imediato corri para junto das máquinas e qual não foi o meu espanto quando me vi envolvido por um enxame de abelhas. De tal forma fui "atacado" que tive de ser evacuado para NOVA COIMBRA. Passados poucos dias regressei a MIANDICA
MIANDICA destroços duma DO 

Foi um pesadelo, para nós, a construção do aerodrómo era contrária aos interesses da Frelimo e, esta tudo fez para neutralizar a obra. . Recordo a voluntariedade do Serafim, quando na pista estávamos a ser atacados e as munições da bazuca estavam a acabar. O Serafim com coragem  correu para o acampamento, voltando com um saco cheio de munições. Com ele vieram 2 soldados da CCAV 1507 que foram rendidos em Março de 1967 por um Pelotão da CCAÇ 1559. Durante este tempo só fomos reabastecidos 2 vezes por helicóptero, visto que por terra era impossível. Podemos dizer que passámos fome durante vários dias.

AGRUPAMENTO DE ENGENHARIA DE MOÇAMBIQUE
Texto de. José Machado Dray, Coronel de Engenharia


Quando no início de 1967, então Tenentes, chegaram a Lourenço Marques, os Oficiais, Sá Viana  Rebelo e Machado Dray. Existia uma 1ª Companhia já levantada e com pessoal e uma 2ª Companhia também levantada, porém unicamente com algumas praças e poucos quadros. O tenente Sá Viana Rebelo assumiu o comando da 1ª CENGª, iniciando quase de imediato deslocações por Moçambique, em missões individuais diversas. Também um dos seus Pelotões rumou a TETE.                                    A 2ª CENGª por mim comandada, começou a agregar Oficiais, Sargentos e Cabos Milicianos. Se os Alferes eram da Metrópole, o restante pessoal era de Moçambique. Os soldados, com o 1º Ciclo  tirado em Boane, foram colocados na 2ªCENGª, que se transformou  em Companhia de Instrução.      
O 2º Pelotão da 2ªCENGª no LUNHO



A Meio de 1967, a 2ª CENGª já tinha destacado os 2º Pelotão para a área do Lunho e o 3º Pelotão, para em acção específica da "Operação Roaz" (transporte de lanchas da Marinha até Meponda..
Meses depois  a Companhia reuniu-se no Lunho, para o aquartelamento construído pelo 2º Pelotão.
A 2º CEngª foi sucessivamente comandada pelos Capitães José Machado Dray, Pedro Sá Viana Rebelo, António Correia Leal, António Cecílio Gonçalves Carlos Cardoso Alves , António Miranda dos Santos e João Vasconcelos Piroto.
A base da 2ª CEngª entre 11 de Agosto 1967 e Março de 1968 era no LUNHO, um aquartelamento improvisado onde este era atravessado por uma velha ponte já danificada pela Frelimo.
Trabalhos de recuperação da velha ponte do LUNHO

No entanto já desde Maio do mesmo ano se encontrava no LUNHO o 1º Pelotão da Companhia. 
A Missão da 2ª CEngª era reconstruir a ponte danificada possibilitando a circulação entre METANGULA e o extremo Norte do Distrito do NIASSA, junto ao LAGO.
Os trabalhos preparatóios tiveram início logo com a chegada do 1º Pelotão tendo-se intensificado com a chegada da totalidade da Companhia equipada quer com meios humanos, quer mecânicos, quer materiais, especialistas nas diversas áreas de da engenharia militar, máquinas de movimentação de terras, viaturas e outros meios adequados.
A segurnça da Companhia, quer em aquartelamento, quer em deslocações e trabalhos, era feita por um Pelotão deslocado da 1ª Companhia do BCAÇ 16.
Os reabastecimentos, tanto em materiais como em géneros alimentícios, eram efectuados desde METANGULA, por NOVA COIMBRA e o LUNHO objecto de flagelação constante através de minas com a conseuente destruição e avaria do equipamento que as accionava e ferimentos, alguns de gravidade, nos militares atingidos
A Ponte com mais de duzentos metros de comprimento, necessitava de beneficiação dos inúmeros pilares de suporte do tabuleiro, em alvenaria, algo danificados e da total construção do tabuleiro.
Os materiais escasseavam e não estiveram disponíveis desde o início dos trabalhos, tendo-se dado início à reparação dos pilares aguardando-se a chegada dos elementos estruturantes do tabuleiro
Trabalhos de recuperação da ponte do Lunho

Os materiais escasseavam e não estiveram disponíveis desde o início dos trabalhos, tendo-se dado início à reparação dos pilares aguardando~se a chegada dos elementos estruturantes do tabuleiro e dos elementos que iriam constituir o piso de rolamento.
A par dos trabalhos nos pilares, da edaquação do aquartelamento ao número de militares que o habitavam - uma companhia de engenharia com mais de 200 homens e um pelotão de segurança - foi dado início à construção de uma pista de aviação que se requeia operacional em algumas semanas e á abertura da picada à ponte para norte (MIANDICA).
Eram estas as três frentes de trabalho que decorreram desde Setembro até ao início das chuvas intensas em Dezembro/Janeiro de 1968.
Em Fevereiro teve lugar uma primeira grande movimentação de pessoal e equipamento do LUNHO para VILA CABRAL, onde a companhia passou a estar temporariamente sedeada, tendo permanecido, ainda, no LUNHO, dois pelotões que continuaram os trabalhos na ponte.
Na segunda quinzena de Junho, com a companhia já sob o comando do Capitão Sá Viana Rebelo, efectua-se a última movimentação de equipamento e pessoal tendo a companhia abandonado o LUNHO, para uma nova e diferente missão no LUÂNGUA.
A ponte já estava operacional desde Fevereiro permitindo a sua utilização por viaturas, tendo, embora, as vigas principais umas em madeira e outras em prfis de aço e todo o piso de rolamento em madeira
Mais tarde, já em  final de 1970, agora sob o comando do Capitão Cecílio Gonçalves, a 2ª CEngª regressou ao LUNHO, com a missão de substituir o piso de rolamento em madeira por um em betão. 

A obra apesar de muitas contrariedades provocadas pela Frelimo foi concluída em Julho de 1971
A nova ponte do Rio LUNHO
A 23 de Setembro de 1971 a Ponte foi parcialmente destruída pela Frelimo

Mas depressa se iniciaram os trabalhos da sua reparação






2ª Companhia Engenharia de Moçambique

Texto escrito por
Manuel Jorge
Furriel Milº de Engenharia

Depois de tirar em TANCOS um curso de construções de Engenharia, com mais 28 camaradas, alguns licenciados na área de Engenharia e Arquitectura, pensava eu que a guerra acabaria e que como tinha ficado num lugar razoável da-me a hipótese de não ir para as Províncias Ultramarinas. Chegou até uma colocação em Janeiro de 1973 para TOMAR onde iniciei a construção do ainda hoje Quartel da Polícia Militar. Certa tarde de Julho quando cheguei ao Departamento da DSFOM de TOMAR, tive a "linda notícia" que estava mobilizado para Moçambique. A 26 de Junho, lá vou eu em rendição individual de avião para a 2ª Companhia de Engenharia que estava em VILA CABRAL no Distrito do NIASSA. Ainda andei por lá uns dias, mas como não tinha "padrinhos" amigos....LUNHO com ele. Quando no final de Jinho aterrei num D.O. no LUNHO fiquei assim...como que paralisado, a ver o que acontecia. Só tinha visto uma coisa daquelas em livros sebentos em TANCOS, mas o que estava à frente dos olhos, era bem pior do que víamos nos filmes sobre o Vietname.
Manuel Jorge em tronco nu, no LUNHO em 1973
 O LUNHO era coisa feia, suja e desordenada....Mas enfim muita por receber mais um CHEKA. Os brancos pareciam pretos de tanto sol e esfarrapados e os pretos só lhes conseguia ver os olhos e as armas, mas muita simpatia. Foi em MIANDICA que fiquei até à reocupação do quartel. Quando lá se chegou não se contava o o quanto já ali se tinham sofrido.

Cap. António Cardoso da CCaç 4141 e o Cap. Serafim
da 1ª do CCaç 3850, junto à placa do Aeródromo de
Miandica. A foto é de 1973
Depressa escolhemos um monte mais alto para colocarmos ali uma tenda gigante aonde caberiam 2 Pelotões da CCAÇ 4141 e os homens da Engenharia que seriam tantos como as Mercedes de carga, as máquinas e eu que os comandava. à noite tinha uma vista bonita, escura mas bonita. Podíamos olhar o céu e imaginarmos tudo o que quiséssemos, podia ver o arvoredo e pensarmos que estávamos a ser vigiados pelos homens da FRELIMO. Da mata densa separava-nos uma pista de aviação, que pelas suas dimensões só poderiam aterrar pequenos aviões.
No dia seguinte recebi ordens de que era preciso alargar a picada e "esticar" a pista, para que o avião, que iria transportar Altas Patentes, que iriam fazer a inauguração da pista pudesse aterrar em segurança. Respondi que se o avião aterrasse em 700 Metros, tentaria tê-la pronta numa semana. Ao fim de três dias de trabalho o riacho que nos abastecia de água secou e a nossa vida complicou-se. Lá veio o dia que o Rancho foi melhorado (no dia anterior tínhamos comido macaco assado na fogueira) e andávamos há 15 dias a sopa de feijão, íamos ter a visita do "mandão" da Engenharia, que ao chegar reuniu comigo e prontificou-se a agraciar-me com uma medalha. Recusei de imediato e como resposta ouvi uma ameaça de prisão.
Destroços do antigo aquartelamento de Miandica. Numa das placas feitas em
 Novembro de 1967 estão os nomes do Alferes Monteiro e dos
Furrieis, Amadeu, Matos e Júlio da CCaç 1558
CCaç 1558

Em 1973 MIANDICA foi reocupada pela 2ª CEngª (Furriel Manuel Jorge) apoiados pela CCAÇ 4141, grandes amigos e camaradas a quem devo o estar ainda aqui. Após esta "reconquista" de posição militar aqui fiquei apenas algum tempo pois fui destacado para acompanhamento de obras em VILA CABRAL, talvez como prémio! Só o Sargento Ramos "O Mola Partido" saberia responder a esta questão pois a mim surpreendeu-me a minha saída daquele Monte a que chamámos "BURACO". Chamaram-me o HERÓI de MIANDICA, por ter reocupado, com barreiras de terra para nos proteger-mos, mas depois de ver este vídeo 
Os heróis fostes vós camaradas e ainda bem que neguei a medalha pois também não seria bem entregue. Hoje, depis de ver de novo o vídeo os olhos emudeceram. 
Os VENTOS DE GUERRA, amigos. De no LUNHO ter aprendido o CANCIONEIRO DO NIASSA e de ter deixado crescer o bigode para toda a vida, regressei ao quartel de VILA CABRAL por interesseira ou meritória.






terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Operação Atum :Transporte de Lanchas,para o lago Niassa!





Finalmente. A Lancha em terra

Em 1963 foram inauguradas as instalações do (Comando da Defesa Marítima dos Portos do lago Niassa). Quase um ano antes do início do conflito armado na província do Niassa, (Setembro de 1964 – Cobué), a marinha portuguesa, aproveitando a lição recolhida com os acontecimentos de Angola, antecipou-se às previsíveis dificuldades no noroeste moçambicano e criou uma estrutura que se revelou de capital importância até aos últimos dias do conflito.
Trabalhos épicos. A transposição de lanchas"LDM" e "LDO"sobre uma ponte ferroviaria

Agregado a este comando foi mais tarde criado o CELN, (Comando de Esquadrilhas de Lanchas do Niassa). Esta estrutura visava manter a vigilância e controlo das águas territoriais do lago Niassa; apoiar no transporte e cooperação de forças terrestres e aéreas; assumir a defesa do apoio logístico às bases da Marinha no lago, assim como aos Destacamentos de Fuzileiros ali presentes. Deveria ainda promover apoio aos serviços e missões hidrográficas. 
Na foto de cima. a LFP "REGULUS" na estação de Belém. Em Baixo a demonstração de mais uma grande obra de Engenharia. A LDM 404 a atravessar um Ponte


Os primeiros navios que ficaram colocados sob comando do CELN foram as LFP (Lanchas de Fiscalização Pequenas), “Castor” e “Régulus”, em 21 de Novembro de 1963 e 23 de Novembro de 1965 respetivamente. O transporte desta última revestiu-se de particular dificuldade, não só porque foi o primeiro realizado com o conflito armado já em curso, mas também porque durante a viagem ocorreu um descarrilamento da plataforma ferroviária que suportava a lancha o que provocou um deslocamento da embarcação cuja reposição se revelou difícil. Com estes dois navios chegaram ainda 2 LDM e 2 LDP, (Lanchas de Desembarque Médias ou Pequenas). Estas duas LFP vieram a ser cedidas ao Malawi, em 1970, ao abrigo de um acordo secreto, que obrigou a novo baptismo das embarcações para “John Chilembwe” e “Chibisa” respectivamente. A 20 de Maio de 1975 foram cedidas a título definitivo àquele país africano.
Nos primeiros dias de Setembro de 1965 chegaram ao porto de Nacala mais duas LFP, a saber, as lanchas “Mercúrio” e “Marte”. As tentativas de encalhe dos navios nas plataformas ferroviárias resultaram num fracasso, pelo que os Caminhos-de-ferro de Moçambique desistiram da operação, tendo as lanchas voltado ao mar. O Comando Naval de Moçambique lança então uma grande operação, envolvendo forças de terra e mar, para realizar o transporte das embarcações até Meponda, onde seriam colocadas nas águas do lago. A operação recebeu o nome de código “Atum”e teve início a 13 de Setembro de 1965.
Chegada ao Catur. Transposição do transporte ferroviário para o rodoviário. Na foto de cima a LFP "MERCÚRIO".Na de baixo a LDM "404"

O problema do encalhe das embarcações foi resolvido pelo Engº Lino Ferreira e pelo Capitão de Mar e Guerra Pedro Mouzinho, que construíram para o efeito uma linha férrea literalmente até dentro de água do Oceano Índico. Foi depois necessário esperar pela maré alta para que os carris ficassem submersos, colocando-se as embarcações sobre estes e esperando pela vazante para que aquelas ficassem na posição certa quando os carris estivessem novamente fora de água.
A operação de transporte decorreu sob comando de um oficial do Comando Naval de Moçambique, e contou com escolta do agrupamento de Comandos formado meses antes na Namaacha, que garantiu a segurança a homens e material. Ao oficial que comandou esta força do exército, Alf. CMD Cabral Sacadura, foi ainda atribuída a responsabilidade de autorizar ou não, a circulação de comboios entre o Lumbo e Catur, para que esta não colidisse com o transporte das lanchas.
Finalmente Meponda. AS Lanchas no seu habitat natural

Ao longo do percurso foi necessário destruir alguns muretes que serviam de guardas das pontes, dando largura suficiente para que as lanchas atravessassem aquelas obras de arte. Em alguns locais construíram-se autênticos castelos com travessas em madeira, para elevar as embarcações e vencer dessa forma os obstáculos no percurso. Deve-se salientar que a tracção manual foi a única utilizada nos momentos em que surgiram dificuldades de circulação do género das descritas, numa operação verdadeiramente épica.
A Operação“Atum” terminou a 19 de Dezembro de 1965, quando as lanchas navegando desde Meponda, chegaram a Metangula, e a escolta regressou ao Lumbo. O percurso incluiu aproximadamente 500km em via-férrea, e depois 250 km por via terrestre, quantas vezes sinuosa, onde a improvisação foi a solução para cada contratempo.
Em 1967 o CELN recebeu as últimas embarcações, duas LFP, “Saturno” e “Urano”, assim como 2 LDM. Estas embarcações completaram a força naval no lago Niassa. 





Viagem de Meponda para Metangula
Chegada de tropas a Metangula. Quantos milhares de Portugueses fizeram este percurso