Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~
Foto PÊSAMES.



segunda-feira, 14 de agosto de 2017

5º CAPÍTULO DO LIVRO: DE RIBEIRO CARDOSO:"O FIM IMPÉRIO: 7 DE SETEMBRO DE 1974. MEMÓRIA DE UM SOLDADO PORTUGUÊS". DO 7 DE SETEMBRO AO 21 DE OUTUBRO, 45 DIAS ALUCINANTES

Aeroporto

É o fatídico mês de Março, estou
no piso superior a contemplar o vazio. 
Kok Nam, o fotógrafo, baixa a Nikon 
e olha-me, obliquamente, nos olhos:
Não voltas mais? Digo-lhe que não

Não voltarei, mas ficarei sempre,
algures em pequenos sinais ilegíveis,
a salvo de todas as futurologias indiscreta,
preservando apenas na exclusividade da memória
privada. Não quero lembrar-me de nada,

Só me importa esquecer, esquecer
o impossível de esquecer. Nunca
se esquece, tudo se lembra ocultamente.
Desmantela-se a estátua do Almirante
peça a peça, o quilómetro cem durando

orgulhoso do cimo da palmeira esquiva,
Desmembrado, o Almirante dorme no museu,
o sono do bronze na morte obscura das estátuas
inúteis. Desmantelado, eu sobreviverei
apenas no precário registo das palavras.

Rui Knopfli, O Monhé das Cobras, 2005

O "Bravo" em acção

Voltando agora ao major Belchior, hoje coronel; a sua intervenção no caso do RCM tem que se lhe diga.
No primeiro encontro que tive com ele no âmbito deste trabalho foi com visível prazer que me começou a contar:

"No de Setembro estava em Montepuez e, como toda a gente, estava colado ao rádio. E para meu espanto, comecei a ouvir o "Mocho", que era o Gonçalo Fevereiro, um excelente Comando que tinha sido meu subordinado , a chamar-me pelo meu nome de código, "Bravo". Queria que eu aderisse e fosse por ali abaixo juntar-me a eles, levando o pessoal todo... Eles não sabiam, ou não quiseram saber, que eu não podia ir por aí abaixo com os meus homens... Uma loucura"

Belchior riu-se, coçou levemente a cabeça e desbobinou: no dia seguinte, 8 de Setembro, recebeu instruções de Nampula para preparar rapidamente duas companhias de Comandos e avançar para Lourenço Marques (LM) para tomar o  RCM. Foi ainda informado que iam chegar a Montepuez quatro aviões NordAtlas para transportar as duas companhias, ele não tinha alternativa, mas pediu para não voar directamente para LM, parando em Nampula para falar com o coronel Sousa Menezes, chefe   do Estado-Maior do Exército. e com o comandante-chefe general Orlando Barbosa.


General Orlando Barbosa
Assim aconteceu e Belchior explicou em Nampula que tinha uns zun-zuns quanto o que esperava dos Comandos quando aterrassem em LM: ex-Comandos e as famílias dos muitos dos actuais Comandos iriam tentar envolver os seus homens logo no aeroporto, convencendo-os a não desocupar o RCM. Além disso, ele, Belchior, não podia ordenar aos seus subordinados que atirassem ou usassem violência sobre civis.
"Qual a alternativa" -- perguntaram Meneses e Barbosa. Belchior explicou: as duas companhias ficariam na Beira  e ele seguiria, sozinho, para LM onde estudaria a situação e falaria com os revoltosos. Além disso o general comandante-chefe deveria chegar a LM pouco depois dele, pois se fosse necessário tomar alguma decisão séria e violenta ela teria de  ser ordenada pelo nº1 e não por ele, Belchior.
A proposta foi aceite, voaram para a Beira onde instalou as duas companhias e de imediato, num táxi-aéreo seguiu sozinho para LM , onde se desfardou na messe de oficiais e se dirigiu para o RCM . Entrou sem qualquer dificuldade: "Estava à civil, ninguém me conhecia, aquilo era uma confusão indescritível."
Falei com o Mocho e com o Roxo (outro homem que tinha sido meu subordinado e com quem se dava bem), que ficaram surpreendidíssimos  com a sua presença. Falou muito com eles e com outros conhecidos que ia encontrando, ("havia por ali muitos ex-Comandos e ex-Para-quedistas"), esteve no local cerca de oito horas e verificou pouco a pouco que eles que eles começavam a ter a noção que estavam isolados, que não vinha nenhum apoio nem da África do Sul, nem da Rodésia e muito menos de Portugal. Estavam também cansados e, parecia-lhe, até assustados. Sem horizontes, Aconselhou-os a pôr fim à aventura  e disse-lhes que iria negociar com o comandante-chefe, ficando eles admirados por o saberem estarem algures em LM, e não em Nampula, à espera do resultado desta conversa. Às quatro da matina foi en tão a Sommerschild (bairro chique de LM) encontrar-se com o general Barbosa, obtendo seu acordo para se dar 24 horas aos homens para que, sem perder a face, abandonassem o RCM  saindo para a África do Sul ou Rodésia. "O resto é que foi mais complicado, pois eles tinham divisões internas e não saíram. Tudo aquilo foi uma chatice. Ninguém se entendia. foi preciso ter muita paciência até eles perceberem que não havia saída para a embrulhada que se meteram" -- concluiu.
Nessa altura já estávamos na manhã do dia 9.

Balbúrdia no aeroporto e não só

O aeroporto civil de Lourenço Marques foi tomado pelos "rebeldes" às 05h45 do dia 8 -- mas isso não teria acontecido se os repetidos alertas do director do aeroporto, David Orlando Cohen tivessem sido ouvidos pela PSP e restantes autoridades, nomeadamente as militares. 
Na verdade, o "Relatório das Ocorrências Registadas no Aeroporto Gago Coutinho", redigido por Orlando Cohen em 12 páginas.é de bradar aos céus, mostrando com clareza a passividade a incompetência -- se é que não foi nada de mais complicado -- de quem tinha a obrigação de perceber que um aeroporto civil, ainda por cima colado a uma base militar, deveria obrigatóriamente constituir uma das prioridades na defesa da cidade.
Lê-se no documento, no que toca ao dia 6 de Setembro.

"Em face do que se estava passando na cidade de LM (cortejos ruidosos de automóveis pelas ruas). e prevendo que estes acontecimentos viriam a culminar com actos de maior gravidade, na manhã de sexta-feira, dia 6, o signatário, como director do aeroporto, telefonou para o Comando Geral da Polícia pedindo que fosse mandada uma força para guardar o aeroporto, em virtude dos meios que dispunha, compostos na altura apenas por dois elementos da PSP, um trabalhando de manhã e outro à tarde, por o terceiro se encontrar de licença disciplinar, serem nitidamente insuficientes.
Foi respondido pelo Sr. comandante que iria fazer os possíveis para satisfazer o pedido, o que não aconteceu até às 22 horas, horas do encerramento da estação, segundo o horário vigente do aeroporto.

O director seguiu depois a via-sacra de pedir reforços de segurança a numerosas entidades, sempre sem êxito.
Como os alertas e os pedidos, apesar de continuarem a ser feitos, não obtiveram respostas positivas, "no fim da tarde do dia 7 já foi difícil manter a ordem e disciplina na aerogare, que esteve sempre cheia de manifestantes, perturbando o bom funcionamento dos serviços" -- lê-se no relatório.
Entretanto, e após várias peripécias, aconteceu o que era mais do que previsível: manhã muito cedo, no dia 8, as zonas mais sensíveis do aeroporto civil foram ocupadas por centenas de brancos, muitos dos quais armados. Sem qualquer oposição.
O comandante do AB 8, que "morava" ali mesmo ao lado, foi alertado para o que se estava a passar  -- por trabalhadores do aeroporto e, obviamente, pelo director, que coitado, continuava a telefonar para todo o lado para ver se sensibilizava as autoridades para a necessidade imperiosa de defender o aeroporto.
Pelo que me contou em 2013 o hoje major-general Jorge Ribeiro Cardoso, aquilo foi de truz. Ele próprio, por vezes, sorrindo com sarcasmo ao recordar o drama que na altura viveu, começou a contar:

"Como lhe estava a dizer, entretanto deu-se a ocupação do aeroporto civil, torre de controlo incluída. Fui falar com alguns dos invasores, achei melhor ter calma pois já sabia o que a casa gastava e eu não tinha meios, deixei-os a falar com o director do aeroporto, fui de novo ao quartel-General  e comuniquei: a situação é complicada, só aterram os aviões que eles quiserem. E aproveitei para esclarecer mais uma vez que na Força Aérea éramos pouquíssimos  e a Polícia Aérea tinha umas FBP, que como nós sabíamos eram mais perigosas para nós do que para o inimigo.Acrescentei que eu próprio nem arma pessoal tinha e foi aí que o major Marinho Falcão, da PSP, me emprestou uma arma de bolso. Foi-me igualmente prometido que me enviariam para a Base uma companhia indígena comandada por um oficial que não era daquela unidade, o que na verdade veio a acontecer mais tarde. Aliás, também no dia seguinte a Unidade acabou por ser reforçada com três grupos, cada um com cerca de trinta homens.. Com um porém: só um desses grupos estava decidido a a actuar se fosse necessário, pois os outros dois, segundo os oficiais que os comandavam, não tomariam qualquer posição contra a multidão. Fenómeno parecido ao que já acontecera quando os "revoltosos" foram à Penitenciária libertar os PIDES.
Regressei à Base pela avenida que ia desembocar no portão da frente do aeroporto, depois era só atravessar a pista e ia para a minha Unidade. Mas pelo caminho -- sublinho que estávamos no dia 8 -- já vi vários cadáveres de negros estendidos na estrada e disse logo de mim para mim: "Isto está a complicar-se muito, já se mata de qualquer maneira".

O calvário do director

Voltando agora ao relatório do director do aeroporto, um documento da maior importância para se perceber o que ali se passou naqueles dias.
Lê-se a certa altura:

"O signatário, mantendo-se sempre no aeroporto 
, por diversas vezes evitou que a placa fosse invadida por manifestantes que em grande número se encontravam com bandeiras e cartazes na varanda da aerogare. (...) Diziam estar para chegar dois NordAtlas com Comandos e queriam obstruir a pista de aterragem.
Entretanto aumentava o número de elementos armados que já se encontravam na Torre de Comando vigiando os controladores, junto do PBX, à porta do gabinete do director e junto às escadas de acesso à Torre. 
Vários tentativas de telefonemas para as entidades governamentais foram infrutíferas por não se conseguir contacto.

A noite passou-se com relativa normalidades, continuando os ocupantes brancos nas mesmas posições.  Cerca das 8h30 da manhãs de segunda-feira, dia 9, chegou o avião da TAP com os emissários do presidente Spínola e aí, sabia-se, não haveria problemas porque, como o RCM ocupado não se cansou de divulgar, alta era a expectativa dos amotinados nesta visita.
À tarde, porém. tudo se modificou: voltou o boato de que estariam a chegar vindos da Beira, os famosos NordAtlas com duas companhias de Comandos a bordo,
Foi um pandemónio: milhares de manifestantes voltaram a ocupar o aeroporto exigindo os cabecilhas que as ditas aeronaves não rolassem para as placas do AB 8 (os responsáveis do RCM, que tinham as comunicações sob escuta, deram esta notícia). Já não era uma questão de impedir que aterrassem -- agora a perspectiva a de envolver emotivamente os "irmãos fardados" que iam chegar, levando-os a apoiar o Movimento. Só não sabiam que afinal nenhuns dos NordAtlas estava para chegar, pois tinha havido contra-informação da parte militar ao descobrir que as suas conversas estavam a ser escutadas...
Entretanto, já cerca das 20 horas, lê-se no tal relatório do director do aeroporto, "começa a constar no meio dos manifestantes que um enorme grupo de africanos, aí à volta de cinco mil, estava a organizar-se para invadir e destruir o aeroporto, estando já em marcha nesta direcção" Rematou David Cohen: "Dali a pouco aterraria o avião da DETA, (Companhia Aérea de Moçambique).
Aflito, voltou a telefonar para o comandante da AB 8, "informando-o da situação, e pedindo-lhe encarecidamente que viesse salvar o aeroporto. Ele respondeu que só o faria se os intrusos abandonassem as instalações. Estes, que assistiam ao telefonema, afirmaram que defenderiam o aeroporto e não o abandonariam. O sr. comandante do AB 8 respondeu: "Então que o defendam" Lê-se ainda no documento, onde são de destacar igualmente estes três expressivos parágrafos:

"(...) Tendo entretanto chegado o avião da DETA, passageiros, tripulantes, pessoal do aeroporto e outro que aguardava o avião, entraram em pânico, ao saber da marcha dos africanos em direcção ao aeroporto. Deram-se então  cenas indescritíveis.
Perante isso o signatário ordenou que se abrisse a porta nº 1 a fim de dar passagem às viaturas que se encontravam no parque em grane número, tendo autorizado o seu estacionamento na placa.
E às 21h30 telefonou novamente o  comandante da Base pedindo-lhe que desse abrigo aos passageiros que tinham chegado no avião da DETA, tendo ele respondido que o daria apenas às senhoras e crianças, pelo que o signatário, no meio da maior confusão, providenciou para que uma carrinha da DETA transportasse esses passageiros para o AB 8"
Retomemos agora às declarações que majo-general Jorge Ribeiro Cardoso me prestou no início de 2013:


Aeroporto de Lourenço Marques
"Sim é verdade, nesse dia 9, ao princípio da noite recebi a informação de que um grupo numeroso de negros ia atacar o aeroporto. Para mim foi um sinal de que os negros, que estavam a ser atacados pela rádio e agora também nas ruas dos subúrdios, já começavam a  organizarem-se e a reagir. Um péssimo sinal quanto ao que poderia acontecer. Também é verdade que o director do aeroporto me telefonou nos termos que o sr.refere -- e a minha resposta foi a a que o sr. acaba de citar.
Mas verdade, verdade é que fiquei com o coração a roer-me todo cá dentro. Logo a seguir reuni o meu pessoal e perguntei quem queria defender o aeroporto. Todos quiseram. Todos quiseram
Entrei com os meus homens , a tropa indígena deixei cá fora, demos uns tiros de metralhadora e os brancos pensaram que era tropa especial.Eles ocupavam a torre de controlo e a parte do Despacho e  Movimento. Não se podia tolerar.
Entrámos por ali dentro, cá em baixo estavam uns tipos armados, ordenei ao meu pessoal que os desarmassem, entrámos de seguida na sala de Despacho e Movimento, puxei da pistola e  ordenei "já para ali" -- era uma sala pequena onde os queria fechar --, um deles deita-me a mão à arma , eu num gest instintivo desvio a pistola que dispara atingindo-o, foi levado para o hospital onde esteve internado seis dias, o Drº Branco, médico da Força Aérea , é que acompanhou o processo"
"Morreu?" -- perguntei.
"Não, não morreu."
"E o que lhe aconteceu depois?"
"Nunca mais soube nada dele. Ou melhor, mais tarde disseram-me que tinha regressado e ido para o  Porto. É tudo o que sei dele"
Nem o nome? quem era esse homem?" -- insisti.
"Nome, não recordo. Não sei. ao que me disseram era um médico que estava à espera de um familiar. A mulher, salvo erro. Estranhei, todavia, que se encontrasse no meio dos rebeldes e num local a que não deveria ter acesso e por onde não saem passageiros. Sei também que depois de visto pelo médico militar do AB 8, que o acompanhou sempre, dei ordens para que a ambulância da Unidade o levasse para o hospital, onde esteve internado seis dias, salvo erro. 
Nessa noite, ou melhor já de madrugada e com o aeroporto live de intrusos, os dois enviados de Spínola regressaram a Lisboa, deliberadamente sem terem ido ao RCM mas com uma ideia formada sobre a realidade que se vivia na cidade.
Por outro lado, não se registou qualquer ataque ao aeroporto por parte dos negros, mais interessados em avançar sobre a cidade de cimento -- e pouco a pouco começou a ser descoberta a terrível matança que homens da equipa que havia tomado o RCM, nomeadamente os membros dos Dragões da Morte 1) e os elementos armados da OPVDC, andavam a fazer à socapa na cidade do caniço.
Registo ainda uma afirmação que me fez o ex-comandante do AB 8: "No dia 10 sobrevoei os negros a  avançar para a cidade de cimento. Foi de arrepiar: o que se via era milhares de negros a caminhar por todas as estradas e ruas que levavam à entrada da LM dos brancos. Pareciam multidões de formigas, aos milhares, a avançar em direcção à cidade. Não se via o chão. Assustador. De lá de cima é que se tinha uma ideia de conjunto do que estava prestes a acontecer".

1)  -- Dragões da Morte -- organização clandestina durgida no 7 de Setembro composta fundamentalmente por jovens ex-militares, fundado por alguns filhos - família de brancos, com destaque para os Mesquitela e Cardias. Tinham por fim -- como consta no seu Boletim nº1 -- " pôr termo às guerrilhas (...) e pôr trermo às conversações com a FRELIMO, nem que tenhamos de começar a fazer terrorismo urbano, para fazer calar os inconscientes que dão VIVAS à FRELIMO" Responsáveis em grande parte do morticínio no caniço.

Telexes secretos de Crespo para Lourenço Marques" 

Em Lisboa, as autoridades civis e militares, vieram logo a público condenar veementemente, ainda na noite de 7 para 8, o assalto ao RCM e sua ocupação, começando de imediato a gizar uma resposta adequada em ligação permanente com os comandos das Forças Armadas portuguesas em Moçambique..
Havia, porém, um travão e uma contradição: o Presidente da República, de consciência pouco tranquila, não só não condenou o movimento dos colonos brancos extremistas como foi mais além -- enquanto retinha em Lisboa Victor Crespo, já indigitado mas não nomeado Alto - Comissário, decidiu enviar a Lourenço Marques dois oficiais superiores (Tenente-Coronel Dias de Lima, que chefiava a sua Casa Militar, e o Comandante Duarte Barbosa, também ali colocado) para que estes fizessem o ponto da situação e regressassem, só se actuando depois. Com o requinte de esses dois enviados terem partido para Lourenço Marques na noite do dia 8, após Spínola, fortemente pressionado pelo MFA, primeiro ministro e CEMGFA, ter promulgado os Acordos de Lusaka.
Isto é: contradições e divisões não existiam apenas na Nave dos Loucos. Aliás, havia mesmo quem suspeitasse que o louco-mor residia em Belém.
Entretanto, Victor Crespo percebeu que não podia ficar parado  à espera da sua nomeação e tomada de posse e, ao contrário de Spínola, entrou em acção.
Assim. membros do MFA que estavam em Nampula indicaram-lhe o tenente -coronel Cunha Lopes como interlocutor em LM -- e o futuro Alto Comissário, que queria estar informado ao minuto do que se passava na capital moçambicana para gizar a sua estratégia, com a ajuda do comandante Contreiras (seu camarada da Armada e também destacado membro do MFA) começou de um modo discreto mas imediato, via telex militar situado na cave do Ministério da Marinha no Terreiro do Paço, a trocar telexes em código com Cunha Lopes, cujo conteúdo é bastante revelador e merecedor de uma reflexão atenta

Continua na próxima 2ª Feira