Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~
Foto PÊSAMES.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

IGREJA ANGLICANA EM MESSUMBA (NIASSA)

IGREJA ANGLICANA EM MESSUMBA (NIASSA)

Messumba. Igreja Anglicana


 Período Colonial:

O texto que se segue foi retirado do jornal "OS LOBOS" de Março de 1969, Pág. 5, 6 e 8, da autoria de FS, presumindo-se que seja o Alferes Florêncio dos Santos da CART. 2324, sediada em NOVA COIMBRA, hoje MEVCHUMA. de 1968 a 1969.

MESSUMBA - MISSÃO ANGLICANA

Dos aglomerados populacionais que estão dentro da zona de acção deste Batalhão, MESSUMBA contém o maior agregado populacional concentrado após o terrorismo (cerca de 6.000 habitantes)
Curiosamente, este aldeamento engloma as seguintes povoações: MONDUÉ; CHIUTA; CHUANGA; PAMBA; BEIDULA; MILANGE; MSEO; PILI, que, embora muito perto uma das outras, mantêm ainda as características antigas de pequenos aglomerados dispersos.
Cada uma destas povoações tem um chefe dependente do régulo que tem, autoridade sobre todos eles e a quem obedecem.
A influenciar decisivamente a vida desta gente está a presença da MISSÃO ANGLICANA que desenvolve a sua acção a Norte e Ocidente do Distrito do Niassa.
A Igreja de S.BARTOLOMEU de MESSUMBA, situada no cimo dum monte visível do LAGO e da estrada que liga NOVA COIMBRA (MEVCHUMA) a METANGULA, é o centro à volta do qual nascem as escolas e as instalações hospitalares. Como superior da Missão encontra-se o Reverendo JOHN DOUGLAS PEAUL, que aqui trabalha desde 1957.
Interessados em saber alguma coisa em pormenor sobre a vida de uma Missão Anglicana, sobre os meios de vida da população, dificuldades e modos de trabalhar, fomos um dia encontrar-nos com o Padre PEAUL, como é habitualmente conhecido.
Começámos por lhe perguntar alguns pormenores da sua vida e, em tom ameno e amigável conversa, abrimos o diálogo:

- Ouvimos dizer que já cá está há muitos anos. Pode-nos dizer algo da sua vida antes da sua vinda para cá?

- Sou natural de PLYMOUTH (INGLATERRA) onde meu pai era oficial de Marinha. Fiz o meu 7º ano num colégio e, com 18 anos apenas, cumpri o serviço militar no CANAL do SUEZ e no QUÉNIA. Em 1948 ingressei na UNIVERSIDADE de EDIMBURGO onde permaneci durante 4 anos tendo-me formado em Letras. Meu pai queria que, segundo as tradições familiares, tirasse o curso de Medicina, Entretanto após ter saído da Universidade, frequentei o Seminário onde estudei Teologia e fui ordenado no ano de 1954 em PORTSMOUTH e ali trabalhei durante dois anos e meio. Em Janeiro de 1957, vim para MESSUMBA tendo feito agora doze anos de permanência aqui.


Messumba. Agosto de 1967

A MISSÃO

- Veio fundar a Missão ou veio apenas continuar uma obra já começada?

- Os nossos misionários vieram para esta região há mais de 80 anos. Os primeiros chegaram a TCHIA em 1882, vindos do ZANZIBAR e fizeram todo o percurso a pé. Um deles morreu logo após a sua chegada.
A vida para os missionários tornava-se difíl em virtude das desavenças entre as diversas raças pelo que se encontravam envolvidos em guerras constantes. Dado este estado de coisas e sentindo~se sem apoio, o missionário sobrevivente deslocou-se para a ilha de LIKOMA onde, com outros missionários, estabeleceu a sede duma MISSÃO. Daí, deslocava-se, de longe a longe, às diversas povoações desta área. Com o decorrer dos anos, sob a influência mais nítida dos  missionários e trabalho aturado das autoridades administrativas, estes povos foram-se pacificando e criaram condições que permitiram a formação de uma Missão aqui e, em 1917, os Missionários estabeleceram-se em MESSUMBA que, como disse, apenas era visitada de longe a longe.

- Foram muito difíceis os pricípios desta Missão ou, por outro lado, foram bem recebidos

- O povo NIANJA não era muçulmano mas sim pagão. é um povo muito receptivo ao cristianismo. Actuamente 95% da população é cristã. Desde a chegada dos primeiros missionários a esta área começaram a formar-se escolas de catequese o que, com as visitas embora esporádicas, preparou a vinda dos missionários, que se estabeleceramdefinitivamente aqui sob a orientação do PADRE COX.

- Foram muitos os Missionários que aqui trabalharam?

- Não. O PADRE COX permaneceu durante 30 anos e, desde 1947 até 1958, esteve o PADRE PICKARD  (actualmente Bispo Auxiliar da Diocese de Joanesburgo).
Foi este que vim substituir tendo conseguido assim uma continuidade quecontribuiu muito para conquistar a confiança deste povo.

- A obra e a zona em que trabalham parece-nos demasiado grande. Que colaboradores tem tido.?

- Actualmente temos 7 padres  Africanos dos quais 5 foram instruídos na Missão  Anglicana perto de JOÃO BELO e os outros dois foram instruídos na Missão de LIKOMA.
Antes do terrorismo tinhamos 62 capelas no mato que eram visitadas de longe a longe. Agora, devido à concentração das populações em núcleos, além de MESSUMBA temos: CHUANGA; METANGULA; NOVA COIMBRA (MEVTCHUMA) OLIVENÇA; NGOO; CÓBUÉ e outras pequenas capelas perto de VILA CABRAL (LICHINGA). No CÓBUÉ e NOVA COIMBRA a Missão Anglicana não tem Igreja e, por isso serve-se da IGREJA CATÓLICA.


Aldeamento de Chuanga
Instrução


 - Pelo contacto que temos tido comeata Missão, vimos admirando o elevado número de cranças  que frequentam as vossas escolas. Quer dizer-nos algo  sobre o aspecto escolar?

- Logo desde 1928 alguns nativos daqui começaram a instruir-se na ILHA de LIKOMAsob a orientação dos Missionários e de professores ingleses que tinham sido formados em Língua Portugues pela Universidade de Coimbra. Em 1930 começaram aqui a fundar-se as escolas com três professoras europeias que, em cursos de 3 a 4 anos foram preparando professoes africanos. PPelo contacto que temos tido com esta Missão, vimos admirandooelevado número de crianças que resentemente, temos três centros escolares: um aqui, outro em CHUANGA e outro em NGOO, totalizando cerca de 1250 alunos. MESSUMBA tem 1050 alunos, CHUANGA tem 73 alunos e o NGOO tem 127 alunos

CHUANGA 1972. Inauguração pelas autoridades Portuguesas Posto Escolar
- Como conseguem ensinar tão elevado número de alunos?

- Temos 34 professores que foram instruídos aqui na missão



- Temos notado que elevado número de pessoas falam bastante, bem o português.
 Pode fazer-nos uma apreciação da percentagem de nativos que têm uma certa cultura?

- Em cada ano, cerca de 35 alunos ficam aprovados no exame da 4ª Classe. Este é um número razoável se atendermos ao facto de que os pais não se preocupam muito com a instrução dos filhos. Muito embora os pais queiram que eles frequentem a escola, a maior parte, após a 1ª Classe, deixa-a para os ajudar em casa, muito especialmente as raparigas. É de salientar que todos os homens, com menos de 45 anos, falam português. As mulheres, pelo contrário, poucas o falam, embora tenham frequentado a escola, nunca mais falam o português em família. O povo NIANJA é considerado mais civilizado que as outras raças desta regiã

Estatística Escolar


Assistência

 - Quase todos os dias notamos movimentos de pessoasjunto ao posto de Socorros.
Quer dizer-nos alguma coisa sobre o aspecto assistencial, na Missão?

Em vez de nos responder directamente, o Padre Peaul chamou uma das enfermeiras, IRENE ALICI, que trabalava na Província desde 1950 e que nos acompanhou numa visita às instalações hospitalares. Começámos pelo Posto de Socorros onde se têm tratado onde se têm tratado alguns dos nossos soldados aí destacados. Observámos grande número de pessoas que esperavam à porta, enquanto uma equipa numerosa de enfermeiros nativos procediam a curativos.

- Quisemos saber qual o número de pessoas tratadas diariamente neste Posto de Socorros.

Disse-nos a Enfermeira que nos acompanhou:
- Cerca de 200 pessoas são aqui tratadas diariamente

Dali seguimos para as restantes instalações e visitámos uma enfermaria para homens, outra para mulheres, uma maternidade, uma casa para doenças infecciosas e outra para pequenas operações. Em todas estas instalações havia elevado número de pessoas em tratamento com pequenas equipas de enfermagem absorvidos pelos cuidados que os doentes necessitam constantemente. Notámos que algumas pessoas estavam sentadas em esteiras e então quisemos saber o motivo. respondeu-nos:

- Temos apenas 40 camas para todas as nossas necessidades o que nos obriga a,frequentemente, usarmos estas esteiras.

- Quantas pessoas se ocupam no serviço de assistência aos doentes?

- Somos duas enfermeiras europeias diplomadas em LONDRES e LISBOAe colaboram connosco 17 ajudantes africanos.

- Há quanto tempo estão aqui?

- Eu, como disse, estou em MESSUMBA, desde 1950 e a minha colega PEARL AGNESS  eencontra-se nesta Missão desde 1966

- Que experiência tem de África?

- Em 1947 cheguei a LIULI no TANGANICA, principal porto do LAGO NIASSA. A PEARL chegou à Missão Anglicana , perto de JOÃO BELO, em 1958.

- Tínhamos a maior parte dos dados que nos interessavam e que achámos suficientes para que o leitor tivesse uma ideia do trabalho desenvolvido por esta Missão.


       Messumba,27-8-1967.Noivos à espera do Bispo para os casar                                                                         
 
Estatística Assistêncial



De novo a enfermeira nos acompanhou à residência do Padre Peaul que nos ofereceu uma bebida. Enquanto a tomávamos, abordámos ainda outros problemas, que precisávamos esclarecer.

- Acabámos de visitar as vossas instalações hospitalares. Qual o apoio que têm para prestar assistência a tão elevado número de pessoas?

- Somente para medicamentos gastamos anualmente 80 contos (HOJE 400€). Além deste dinheiro, temos, para despesas normais, mensalmente, a quantia de 50 contos (HOJE 250€) que são gastos para pagar a professores, enfermeiros, padres e obras. Algum deste dinheiro ainda é ocupado em medicamentos. Somos subsidiados pelo Governo da Província, pela, pela Inglaterra e pela África do Sul.

- Como o Padre Peaul já cá vive há muito tempo, poderá dizer-nos qualquer coisa acerca do modo de vida das pessoas?

- O povo NIANJA não tem muito espírito comercial. Cultiva e pesca apenas para si. A agricultura aqui nesta região é muito pouca, quer porque o terreno não permite o seu desenvolvimento em grande escala, quer porque o povo, cultiva apenas para as imediatas necessidades. 


Os nativos têm certas necessidades. Como conseguem adquirir o dinheiro para as satisfazer?- 

Antigamente, trocavam os produtos mas, actualmente, a maior parte consegue dinheiro arranjando trabalho na Missão, no Exército, ou na Marinha e outros ainda vendendo alguns produtos e gado. Antes do terrorismo havia cantinas aqui à volta. Presentemente há poucas em virtude de se tornar difícil o transporte para os produtos quer porque a estrada não permite o acesso fácil a VILA CABRAL (LICHINGA) sem escolta militar.

Perguntando-lhe como tem reagido a população à presença da tropa?

Disse-nos que os nativos aqui não estavam habituados a contactar com brancos, a não ser com os missionários que consideravam como pais. Além disso a FRELIMO havia feito muita propaganda dizendo que a tropa vinha só para matar. Actualmente as coisas mudaram e eles verificam as vantagens que têm em ser protegidos.

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