Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

1º Capítulo de A IGREJA ANGLICANA EM MESSUMBA NO DISTRITO DO NIASSA NA ÉPOCA COLONIAL



IGREJA ANGLICANA EM MESSUMBA (NIASSA)

Messumba. Igreja Anglicana


 Período Colonial:

O texto que se segue foi retirado do jornal "OS LOBOS" de Março de 1969, Pág. 5, 6 e 8, da autoria de FS, presumindo-se que seja o Alferes Florêncio dos Santos da CART. 2324, sediada em NOVA COIMBRA, hoje MEVCHUMA. de 1968 a 1969.

MESSUMBA - MISSÃO ANGLICANA

Dos aglomerados populacionais que estão dentro da zona de acção deste Batalhão, MESSUMBA contém o maior agregado populacional concentrado após o terrorismo (cerca de 6.000 habitantes)
Curiosamente, este aldeamento engloma as seguintes povoações: MONDUÉ; CHIUTA; CHUANGA; PAMBA; BEIDULA; MILANGE; MSEO; PILI, que, embora muito perto uma das outras, mantêm ainda as características antigas de pequenos aglomerados dispersos.
Cada uma destas povoações tem um chefe dependente do régulo que tem, autoridade sobre todos eles e a quem obedecem.
A influenciar decisivamente a vida desta gente está a presença da MISSÃO ANGLICANA que desenvolve a sua acção a Norte e Ocidente do Distrito do Niassa.
A Igreja de S.BARTOLOMEU de MESSUMBA, situada no cimo dum monte visível do LAGO e da estrada que liga NOVA COIMBRA (MEVCHUMA) a METANGULA, é o centro à volta do qual nascem as escolas e as instalações hospitalares. Como superior da Missão encontra-se o Reverendo JOHN DOUGLAS PEAUL, que aqui trabalha desde 1957.
Interessados em saber alguma coisa em pormenor sobre a vida de uma Missão Anglicana, sobre os meios de vida da população, dificuldades e modos de trabalhar, fomos um dia encontrar-nos com o Padre PEAUL, como é habitualmente conhecido.
Começámos por lhe perguntar alguns pormenores da sua vida e, em tom ameno e amigável conversa, abrimos o diálogo:

- Ouvimos dizer que já cá está há muitos anos. Pode-nos dizer algo da sua vida antes da sua vinda para cá?

- Sou natural de PLYMOUTH (INGLATERRA) onde meu pai era oficial de Marinha. Fiz o meu 7º ano num colégio e, com 18 anos apenas, cumpri o serviço militar no CANAL do SUEZ e no QUÉNIA. Em 1948 ingressei na UNIVERSIDADE de EDIMBURGO onde permaneci durante 4 anos tendo-me formado em Letras. Meu pai queria que, segundo as tradições familiares, tirasse o curso de Medicina, Entretanto após ter saído da Universidade, frequentei o Seminário onde estudei Teologia e fui ordenado no ano de 1954 em PORTSMOUTH e ali trabalhei durante dois anos e meio. Em Janeiro de 1957, vim para MESSUMBA tendo feito agora doze anos de permanência aqui.


Messumba. Agosto de 1967

A MISSÃO

- Veio fundar a Missão ou veio apenas continuar uma obra já começada?

- Os nossos misionários vieram para esta região há mais de 80 anos. Os primeiros chegaram a TCHIA em 1882, vindos do ZANZIBAR e fizeram todo o percurso a pé. Um deles morreu logo após a sua chegada.
A vida para os missionários tornava-se difíl em virtude das desavenças entre as diversas raças pelo que se encontravam envolvidos em guerras constantes. Dado este estado de coisas e sentindo~se sem apoio, o missionário sobrevivente deslocou-se para a ilha de LIKOMA onde, com outros missionários, estabeleceu a sede duma MISSÃO. Daí, deslocava-se, de longe a longe, às diversas povoações desta área. Com o decorrer dos anos, sob a influência mais nítida dos  missionários e trabalho aturado das autoridades administrativas, estes povos foram-se pacificando e criaram condições que permitiram a formação de uma Missão aqui e, em 1917, os Missionários estabeleceram-se em MESSUMBA que, como disse, apenas era visitada de longe a longe.

- Foram muito difíceis os pricípios desta Missão ou, por outro lado, foram bem recebidos

- O povo NIANJA não era muçulmano mas sim pagão. é um povo muito receptivo ao cristianismo. Actuamente 95% da população é cristã. Desde a chegada dos primeiros missionários a esta área começaram a formar-se escolas de catequese o que, com as visitas embora esporádicas, preparou a vinda dos missionários, que se estabeleceramdefinitivamente aqui sob a orientação do PADRE COX.

- Foram muitos os Missionários que aqui trabalharam?

- Não. O PADRE COX permaneceu durante 30 anos e, desde 1947 até 1958, esteve o PADRE PICKARD  (actualmente Bispo Auxiliar da Diocese de Joanesburgo).
Foi este que vim substituir tendo conseguido assim uma continuidade quecontribuiu muito para conquistar a confiança deste povo.

- A obra e a zona em que trabalham parece-nos demasiado grande. Que colaboradores tem tido.?

- Actualmente temos 7 padres  Africanos dos quais 5 foram instruídos na Missão  Anglicana perto de JOÃO BELO e os outros dois foram instruídos na Missão de LIKOMA.
Antes do terrorismo tinhamos 62 capelas no mato que eram visitadas de longe a longe. Agora, devido à concentração das populações em núcleos, além de MESSUMBA temos: CHUANGA; METANGULA; NOVA COIMBRA (MEVTCHUMA) OLIVENÇA; NGOO; CÓBUÉ e outras pequenas capelas perto de VILA CABRAL (LICHINGA). No CÓBUÉ e NOVA COIMBRA a Missão Anglicana não tem Igreja e, por isso serve-se da IGREJA CATÓLICA.


Aldeamento de Chuanga
Instrução


 - Pelo contacto que temos tido comeata Missão, vimos admirando o elevado número de cranças  que frequentam as vossas escolas. Quer dizer-nos algo  sobre o aspecto escolar?

- Logo desde 1928 alguns nativos daqui começaram a instruir-se na ILHA de LIKOMAsob a orientação dos Missionários e de professores ingleses que tinham sido formados em Língua Portugues pela Universidade de Coimbra. Em 1930 começaram aqui a fundar-se as escolas com três professoras europeias que, em cursos de 3 a 4 anos foram preparando professoes africanos. PPelo contacto que temos tido com esta Missão, vimos admirandooelevado número de crianças que resentemente, temos três centros escolares: um aqui, outro em CHUANGA e outro em NGOO, totalizando cerca de 1250 alunos. MESSUMBA tem 1050 alunos, CHUANGA tem 73 alunos e o NGOO tem 127 alunos

CHUANGA 1972. Inauguração pelas autoridades Portuguesas Posto Escolar
- Como conseguem ensinar tão elevado número de alunos?

- Temos 34 professores que foram instruídos aqui na missão



- Temos notado que elevado número de pessoas falam bastante, bem o português.
 Pode fazer-nos uma apreciação da percentagem de nativos que têm uma certa cultura?

- Em cada ano, cerca de 35 alunos ficam aprovados no exame da 4ª Classe. Este é um número razoável se atendermos ao facto de que os pais não se preocupam muito com a instrução dos filhos. Muito embora os pais queiram que eles frequentem a escola, a maior parte, após a 1ª Classe, deixa-a para os ajudar em casa, muito especialmente as raparigas. É de salientar que todos os homens, com menos de 45 anos, falam português. As mulheres, pelo contrário, poucas o falam, embora tenham frequentado a escola, nunca mais falam o português em família. O povo NIANJA é considerado mais civilizado que as outras raças desta regiã

Estatística Escolar


Assistência

 - Quase todos os dias notamos movimentos de pessoasjunto ao posto de Socorros.
Quer dizer-nos alguma coisa sobre o aspecto assistencial, na Missão?

Em vez de nos responder directamente, o Padre Peaul chamou uma das enfermeiras, IRENE ALICI, que trabalava na Província desde 1950 e que nos acompanhou numa visita às instalações hospitalares. Começámos pelo Posto de Socorros onde se têm tratado onde se têm tratado alguns dos nossos soldados aí destacados. Observámos grande número de pessoas que esperavam à porta, enquanto uma equipa numerosa de enfermeiros nativos procediam a curativos.

- Quisemos saber qual o número de pessoas tratadas diariamente neste Posto de Socorros.

Disse-nos a Enfermeira que nos acompanhou:
- Cerca de 200 pessoas são aqui tratadas diariamente

Dali seguimos para as restantes instalações e visitámos uma enfermaria para homens, outra para mulheres, uma maternidade, uma casa para doenças infecciosas e outra para pequenas operações. Em todas estas instalações havia elevado número de pessoas em tratamento com pequenas equipas de enfermagem absorvidos pelos cuidados que os doentes necessitam constantemente. Notámos que algumas pessoas estavam sentadas em esteiras e então quisemos saber o motivo. respondeu-nos:

- Temos apenas 40 camas para todas as nossas necessidades o que nos obriga a,frequentemente, usarmos estas esteiras.

- Quantas pessoas se ocupam no serviço de assistência aos doentes?

- Somos duas enfermeiras europeias diplomadas em LONDRES e LISBOAe colaboram connosco 17 ajudantes africanos.

- Há quanto tempo estão aqui?

- Eu, como disse, estou em MESSUMBA, desde 1950 e a minha colega PEARL AGNESS  eencontra-se nesta Missão desde 1966

- Que experiência tem de África?

- Em 1947 cheguei a LIULI no TANGANICA, principal porto do LAGO NIASSA. A PEARL chegou à Missão Anglicana , perto de JOÃO BELO, em 1958.

- Tínhamos a maior parte dos dados que nos interessavam e que achámos suficientes para que o leitor tivesse uma ideia do trabalho desenvolvido por esta Missão.


       Messumba,27-8-1967.Noivos à espera do Bispo para os casar                                                                         
 
Estatística Assistêncial



De novo a enfermeira nos acompanhou à residência do Padre Peaul que nos ofereceu uma bebida. Enquanto a tomávamos, abordámos ainda outros problemas, que precisávamos esclarecer.

- Acabámos de visitar as vossas instalações hospitalares. Qual o apoio que têm para prestar assistência a tão elevado número de pessoas?

- Somente para medicamentos gastamos anualmente 80 contos (HOJE 400€). Além deste dinheiro, temos, para despesas normais, mensalmente, a quantia de 50 contos (HOJE 250€) que são gastos para pagar a professores, enfermeiros, padres e obras. Algum deste dinheiro ainda é ocupado em medicamentos. Somos subsidiados pelo Governo da Província, pela, pela Inglaterra e pela África do Sul.

- Como o Padre Peaul já cá vive há muito tempo, poderá dizer-nos qualquer coisa acerca do modo de vida das pessoas?

- O povo NIANJA não tem muito espírito comercial. Cultiva e pesca apenas para si. A agricultura aqui nesta região é muito pouca, quer porque o terreno não permite o seu desenvolvimento em grande escala, quer porque o povo, cultiva apenas para as imediatas necessidades. 


Os nativos têm certas necessidades. Como conseguem adquirir o dinheiro para as satisfazer?- 

Antigamente, trocavam os produtos mas, actualmente, a maior parte consegue dinheiro arranjando trabalho na Missão, no Exército, ou na Marinha e outros ainda vendendo alguns produtos e gado. Antes do terrorismo havia cantinas aqui à volta. Presentemente há poucas em virtude de se tornar difícil o transporte para os produtos quer porque a estrada não permite o acesso fácil a VILA CABRAL (LICHINGA) sem escolta militar.

Perguntando-lhe como tem reagido a população à presença da tropa?

Disse-nos que os nativos aqui não estavam habituados a contactar com brancos, a não ser com os missionários que consideravam como pais. Além disso a FRELIMO havia feito muita propaganda dizendo que a tropa vinha só para matar. Actualmente as coisas mudaram e eles verificam as vantagens que têm em ser protegidos.

Aquartelamentos do Ditrito da Zambézia. 1964 - 1974
Alto Molócué
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 172
Companhia de Cavalaria 568
Batalhão de Caçadores 729
Batalhão de Caçadores 1891
Batalhão de Cavalaria  1879
Companhia de Cavalaria 1507
Companhia de Caçadores 1558
Companhia de Caçadores 1793
Companhia de Cavalaria 2377
Companhia de Caçadores 2470
Companhia de Cavalaria 2766

Cecília Supico Pinto de visita ao Alto Molócué em 1966,
a recebê-la o Ten. Coronel Rodrigues da Matta, comandante
do B.CAÇ 1891
<< O Comando e a CCS deslocaram-se para o ALTO MOLÒCUÉ onde ocuparam umas instalações da Companhia de Algodões de Moçambique que anteriormente tinham sido adaptadas a quartel da CCAV 568. Tais instalações eram manifestamente reduzidas para o novo fim a que se destinavam, pelo que foi necessário proceder a vários melhoramentos nas mesmas e instalar grande parte dos serviços fora do aquartelamento da CCS, o qual foi, por sua vez, beneficiado e aumentado. Das obras levadas a efeito salientam-se, a padaria, o forno, a sala de praças e uma Capela>> (1)

Militares da CCS do 1891 no Alto Molócué
<< Em ALTO MOLÓCUÉ eram encontrados aquartelamentos improvisados e dispersos. A CCS ficou instalada num barracão, pertença de recrutadores de autóctones para as plantações, que não estava em bom estado, tendo a vantagem de ser amplo.
O Comando ficou numa casa da Companhia de Algodões, construída no velho estilo colonial português, com algumas dependências anexas.>> (2)
Vista aérea do aquartelamento
(1) História da Unidade - Batalhão de Caçadores  729
(2) História da Unidade - Batalhão de Caçadores 1891


Chire
Visita do brigadeiro Barreto ao aquartelamento do Chire
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 1503
Companhia de Cavalaria   1509
Companhia de Caçadores  1633
Companhia  de Caçadores 1796
2ª/Batalhão de Caçadores 15
Grupo Especial 403
Grupo Especial 406

A Povoação de CHIRE, localizada a cerca de 5 quilómetros da fronteira com  Malawi e a 162 e a 160 de MORRUMBALA e MILANGE, respectivamente, começou, desde muito cedo, a receber Unidades miilitares a nível de Companhia. A sua proximidade com o Malawi levou em linha de conta esta decisão.
O aquartelamento, delimitado por uma cerca de arame farpado, foi evoluindo à medida que as Companhias se sucediam. O Comando, por exemplo, encontrava-se em instalações cedidas pela Administração. A Companhia de Cavalaria 1509 deixou a sua presença assinalada com um obelisco em memória dos seus mortos e a Companhia de Caçadores 1633 construíu a porta de armas, etc...


Gilé
Militar da CCAÇ 1560, na porta de armas no Gilé.
Ao fundo parte das instalações do aquartelamento.
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores  301
Companhia de Caçadores  615
Companhia de Caçadores 1560
Companhia  de Cavalaria 1505
Companhia de Caçadores 1794
Companhia  de Cavalaria 2375
Companhia de Caçadores 2665
No interior da viatura, que serpenteia a picada, seguem além
de outros , três viajantes que "residiram" no Gilé, integrados na
sua Unidade a CCAÇ 1560
O GILÉ fica situado junto às margens do rio MOLÓCUÉ, numa região onde as formações montanhosas CHIRE-NAMÚLI se esbatem para dar lugar à planície litoral. O monte GILÉ é uma referência de aproximação à vila, já que, a quilómetros de distância, a sua imponência sobressai de toda a paisagem envolvente.
Quanto ao "quartel", um velho armazém de algodão: << Esta Companhia encontrou instalações, improvisadas, mas muito amplas e com todo o material de aquartelamento necessário. Estava, no entanto, em mau estado de conservação tendo a Companhia tido um trabalho deveras grande, para o pôr em condições de habitabilidade e conforto>> (1)

(1) História da Unidade - Batalhão de Caçadores 1891 - Companhia de Caçadores 1560

Ile / Errêgo
O mastro da Bandeira encontra-se colocado
sobre o Brasão do BCAÇ 1891, do qual fazia
parte a CCAÇ 1558, estreante do novo quartel
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores  1503
Companhia de Caçadores  1558
Companhia de Cavalaria   1506
Companhia  de Caçadores 1552
Companhia de Artilharia   1626
Companhia de Caçadores  1803
Companhia de Cavalaria    2399
Companhia de Caçadores  2664
2ª/Batalhão de Artilharia   6224/74

O moderno e Aquartelamento do Ile-Errêgo, inaugurado, em
Maio de 1966 pela CCAÇ 1558
<< A Companhia de Caçadores 1558, ao chegar ao Ile/Errêgo, teve que ficar instalada num bivaque durante uma semana. Findo este período mudou-se para um quartel novo, amplo e com magníficas instalações, as ainda por acabar>> (1)

<< Desconhece-se a natureza das instalações das Companhias do Batalhão, com excepção da CCAÇ 1803 que sabe-se estar instalada, no ILE/ERRÊGO, num quartel moderno e funcional.>> (2)

Tivemos conhecimento, por mero acaso, que a última Unidade a estacionar no ILE/ERRÊGO, foi a 2ª do BART 6224/74. Como já dissemos, a nossa base de pesquisa não refere as Unidades que embarcaram posteriormente a 25 de Abril de 1974. Esta Companhia, depois de um mês na BEIRA, foi ocupar o ILE/ERRÊGO que, entretanto, se encontrava desactivado. Durante o trajecto, entre NAMACURRA e MOCUBA, a coluna em que a Companhia seguia integrada sofreu uma forte emboscada de que resultaram dois mortos e vários feridos. Segundo parece, este foi o último ataque às NT perpetrado pela Frelimo (3)

Distribuição do correio, o momento mais desejado .
(1) História da Unidade - Batalhão de Caçadores 1891 - Companhia de Caçadores 1558
(2) História da Unidade - Batalhão de Caçadores 1937 - Companhia de Caçadores 1803
(3) Informação verbal prestada por um graduado da 2ª/Batalhão de Artilharia 6224/74

Mabo - Tacuane
Um graduado da CART.2646, defronte da messe dos Furrieis.
Companhias Residentes:

Companhia de Cavalaria 570
Companhia de Caçadores 1504
Companhia de Cavalaria  1510
Companhia  de Caçadores 1634
Companhia de Artilharia 2372
Companhia de Caçadores 2472
Companhia de Artilharia 2646
Companhia de Cavalaria 2750
Companhia de Caçadores 3357
Companhia de Caçadres 3471
Companhia de Caçadres 3555

A Frelimo começou, desde muito cedo, a desenvolver acções no sentido de se infiltrar em força na Zambézia, nomeadamente na zona de MABO - TACUANE como se pode ler:

<< O IN na zona atribuíada ao batalhão não passou à fase activa, apesar de já ter feito tentativas de introdução de material de guerrae de combatentes na Zambézia. Em relação a essas tentativas saliente-se a acção desenvolvida pelo IN no começo de 1965, em que conseguiu dominar as populações de uma grande área da região MABO - TACUANE, tendo então entrado abertamente na fase activa. As acções desenvolvidas pelas NT em esteita ligação  com as Autoridades Administrativas, levaram à eliminação do principal quartel terorista naquela área, à captura de muito material de guerra e ao refúgio do grupo no país vizinho.>> (1)

(1) História da Unidade - Batalhão de Caçadores 1891

Milange

Milange

Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores de Milange
Companhia de Caçadores 1796
Companhia de Artilharia 2373
Companhia de Caçadores 2468
Companhia de Artilharia 2647
Companhia de Cavalaria 2751
Companhia de Caçadores 3356
Grupo Especial 402
Companhia de Caçadres 3470
Companhia de Caçadores 3554

A entrada da Frelimo no quartel de Milange. Agosto de 1974. Os membros
da Frelimo estão sinalizados a amarelo.
Chegámos a MILANGE em 20 20 de Janeiro de 1974, vindos de MOCUMBURA/NURA, no Distrito de TETE, junto à fronteira com a Rodésia, depois de quatro dias de viagem onde o transporte foi em coluna auto, comboio e avião.
Deparou-se-nos um quartel militar (finalmente), que logo comparámos a um hotel.
A Vila de MILANGE tinha tudo o que se podia almejar, uma vez que vinhamos do mato.
Possuía posto da PIDE/DGS (era o QG da Zambézia da informação), e um  travão à guerrilha
Em meados de Junho a PIDE/DGS desmontou o QG, e foram para a Metrópole, deixando a Província sem informação dos movimentos da guerrilha.
Doze dias depois da festa do final da Comissão, uma viatura militar foi emboscada a 6 Kms de MOCUBA, de que resultou 9 mortos e vários feridos ligeiros (alguns militares tinham deixado as armas no quartel).

3 de Julho de 1974. Festa do final da Comissão 
O destacamento no MONGOÉ Clica aqui para leres a crónica "Os Padres da minha vida", que tinha um grupo GE e meio pelotão, foi desactivado imediatamente e viemos para MILANGE.
Alguns dias depois concordou-se em estabelecer-se contactos com a FRELIMO, o que foi feito.
Clik aqui para ler a crónica. "E a entrada da Frelimo na Zambézia" 

Texto de Francisco Mota Dores, Furriel Miliciano do BCAÇ 3886 - CCAÇ 3554





Mocuba

Um aspecto do quartel, bastante amplo com se pode verificar

Companhias Residentes:

BCAÇ 161                                        Pel. Intendência 2014
CCAÇ 176                                        BART 2847
Dest. Intendência 341                      PAD 2214 
BCAV 571                                        BCAÇ 2880
CCAV 570                                        PAD 2281   
Dest. Móvel  663                              Com. Agrup.  2972
Dest. Intendência 1074                    BCAÇ 2908
BCAÇ 1878                                       BCAV 2923
PAD 1139                                          Pel. Intendência 3103
BCAV 1880                                       Com. Agrup. 3954
Des. Apoio directo 1                         BCAÇ 3843
BCAÇ 1899                                       PAD 9774/72
Dest. avan. Munições MC                BCAÇ 3867
Pel. Intendência 2070                        BCAÇ 3886
Dest. Intendência 1157                      8º Dest. Terminal
PAD 2081                                           Com. Agrup. 6007/72
BCAÇ 1937                                        Pel. Intend. 9370/72


A porta de armas do quartel. Imagem captada, em 2006
MOCUBA podia considerar-sea"capital" militar no Distrito da Zambézia, pois ali estacionaram, a partir de 1963, nada mais que treze Batalhões, independentemente de muitos outros serviços de apoio logístico, dispersos pela vila. Relativamente às condições de habitabilidade do quartel, as mesmas eram, segundo lemos na História do B CAÇ 1937: << As instalações do Comando e CCS são bastante amplas e dotadas dos requisitos essenciais à vida das tropas. Verifica-se apenas insuficiência das instalações destinadas à Secção de Operações e Informações.>>

Molumbo
Içar da Bandeira Nacional. Maio de 1968
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 1559
Companhia de Cavalaria 1507
Companhia de Caçadores 1552
Companhia de Caçadores 1795
Companhia de Cavalaria 2376
Companhia de Caçadores 2471
Companhia de Artilharia 2468
Companhia de Cavalaria 2752
Companhia de Caçadores 3355
Companhia de Caçadores 3469
Companhia de Caçadores 3553
Grupo Especial 408

A velha prisão (aquartelamento) em 2004. Não seria possível despender
uns parcos recursos e aproveitar aquele espaço?
No torreão da direita encontram-se bem visíveis as 5 quinas símbolizando
os 5 mouros que mouros que D.Afonso Henriques derrotou na Batalha de Ourique

<< Esta companhia (CCAÇ 1559) não  tinha aquartelamento nem qualquer espécie de instalações.
Ficou o pessoal acampado num campo de futebol. O piso do campo estava enlameado e sempre que chovia ficava ensopado.
Passados 16 dias mudou-se a Companhia para o velho edifício prisão depois de lhe term aumentado um telheiro de modo que lá coubessem as camas de todo o pessoal. Mesmo assim as camas ficaram, nas partes mais altas, com quatro andares. O pessoal estava muito mal instalado. Quando chovia o telheiro deixava passar a água e enlameava tudo. Só melhoraram ligeiramente, quando passados dois meses receberam 15 barracas cónicas que lhe permitiram alojar 50 homens. a estas dificuldades, juntaram-se as de natureza logísticas.>> (1)
Ao longo dos anos as más condições de habitabilidade do MOLUMBO foram sendo colmatadas pelos sucessivos ocupantes, construindo, com o material disponível e improvisado, algumas "habitações". Todavia, avelha prisão, "ícone" daquela terra, fez sempre parte integrante do diminuto e precário "complexo militar"
(1) História da Unidade - BCAÇ 1891, CCAÇ 1559

Morrumbala
Porta de armas com a inscrição: BCAÇ 1899 - CCAÇ 1632
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 173
Companhia de Cavalaria  569
Companhia de Caçadores 1502
Companhia de Cavalaria  1508
Companhia de Caçadores 1632
Companhia de Caçadores 1798
Companhia de Artilharia  2374
Companhia de Caçadores 2467
Companhia de Caçadores 2759

2ª/Batalhão de Caçadores 15
Grupo Especial 404
Grupo Especial 405

<< O quartel de MORRUMBALA possui instalações que se podem considerar como razoáveis. Um quartel pequeno mas simpático com o mínimo exigido nas actuais circuntâncias e situação. As instalações para Oficiais e  Sargentos, a funcionar em residências cedidas pela Administração do Concelho, foram também um problema a equacionar.>> (1)

(1) Uma CCAÇ no Norte de Moçambique 1967-1969 - Episódios de Guerra


Comunicado de Guerra da Frelimo - Zambézia

Em 10-7-1974 - Nossos camaradas atacaram dois carros militares  na estrada MORRUMBALA - QUELIMANE na zona de MATONDO. Resultado dez soldados inimigos mortos e vários feridos. No mesmo dia cercámos a vila de MORRUMBALA cortando todas as vias de comunicação. As nossas acções obrigaram o inimigo a abandonar os postos de MULELEMBA e MARRUNDO na zona de MORRUMBALA.

Em 17-7-1974 - Um carro civil que transportava soldados das lojas de MARRUNDO para MORRUMBALA caiu na nossa mina. Resultado dezassete soldados inimigos mortos o condutor gravemente ferido e o carro totalmente destruído.

Quelimane
Vista aérea de Quelimane
Companhias Residentes:

2ª/Batalhão de Caçadores 15
DAvIntMov 663A
Comando Agrupamento 20
Comando Agrupamento 25
Comando Agrupamento  1985
Comando Agrupamento  1977
Comando Agrupamento  1986
Comando Agrupamento  2955
Comando Agrupamento  2963
Secção de Despacho de Quelimane
Psto Militar de Correio 114
Batalhão de Artilharia 6224/74

À esqª o jardim piscina. À dirª a esquina da Av. Salazar, o hotel e o Riviera
QUELIMANE, face à sua localização geográfica, não foi considerada, durante os 10 anos do conflito, uma "cidade militar", cabendo esse protagonismo a MOCUBA.
As únicas Unidades operacionais que ali estacionaram foram apenas a CCAÇ de QUELIMANE, mais tarde designada por 2ª/BAÇ 15 e o e Abril.BART 6224/74, este já no conturbado período, pós 25 de Abril.
Em Dezembro de 1966 registaram-se alterações de importância assinalável, sobretudo com a absorção do Sector Independente do Distrito da Zambézia, que passou a designar-se, apartir desta data, por SECOR D, com o respectivo comando instalado em QUELIMANE.

Vila Junqueiro - Gurué

O BCAÇ 1891 em Vila Junqueiro, no dia do 2º Aniversário da sua Comissão
Companhias Residentes:

Companhia de Sapadores 287
Companhia de Caçadores 369
Companhia de Caçadores 689
Companhia de Caçadores 1475
Batalhão de Cavalaria 1879
Batalhão de Caçadores 1891
Batalhão de Caçadores 1934
Batalhão de Cavalaria 2848
Batalhão de Caçadores 2863
Companhia de Caçadores de Vila Manica
2ª/Batalhão de Artilharia 6251/74

O Aquartelamento de Vila Junqueiro
A povoação do GURUÉ, que tomou o nome de VILA JUNQUEIRO (1951) em homenagem a SARAIVA JUNQUEIRO grande impulsionador da cultura do chá na região, ficava situada numa zona montanhosa de rara beleza, sendo apelidada, por esta razão, de "Sintra de Moçambique".
Foi logo a partir de 1964 que a primeira Unidade, a nível de Companhia, ali se instalou. Com o evoluir da situação na Província, VILA JUNQUEIRO passou a ser desde Novembro de 1967, sede de Batalhão. O quartel, situado a cerca de dois quilómetros da povoação, era dotado de boas instalações, pois fora construído de raiz.


2 comentários:

anocedotsog disse...

Amigo e ex-camarada desse tempo quente, Amadeu, continua pois só assim será perpetuada a nossa passagem por África (neste caso Moçambique) onde pessoalmente fiz 43 meses de tropa e vivi um total de vinte e quatro anos, (dos 6 aos 30). Estamos no final de 2015 e ao ler estes apontamentos sinto uma grande alegria por ter contribuído para o desenvolvimento daquele país e imaginas a mágoa que em mim reside, por, para salvaguardar a minha integridade e da família a 13 de Maio de 1975 atravessei a fronteira e nunca mais lá voltei. Deixei muitos amigos de todas as raças e credos e ainda hoje contacto com alguns e fui recentemente informado que um graduado da minha Companhia é actualmente uma alta patente na Renamo... as voltas que a vida dá (deu, no caso dele). Vou ficar por aqui, só mais um impulso, CONTINUA.!!! Um forte abraço.

Santos Oliveira disse...

Um excelente Documento com a descrição pormenorizada dum tempo e local que vos deve ter sido marcante.

Abraço
Santos Oliveira