Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~


O Batalhão de Caç. 1891.. Cumprimenta com Amizade,todos os que visitam esta página..Forte abraço.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

(1) AQUARTELAMENTOS DE MOÇAMBIQUE. DISTRITO DA ZAMBÉZIA 1964 - 1974: ALTO MOLÓCUÉ; CHIRE; GILÉ; ILE/ERRÊGO; MABO-TACUANE; MILANGE

Alto Molócué
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 172

Companhia de Cavalaria 568
Batalhão de Caçadores 729
Batalhão de Caçadores 1891
Batalhão de Cavalaria  1879
Companhia de Cavalaria 1507
Companhia de Caçadores 1558
Companhia de Caçadores 1793
Companhia de Cavalaria 2377
Companhia de Caçadores 2470
Companhia de Cavalaria 2766


Cecília Supico Pinto de visita ao Alto Molócué em 1966,
a recebê-la o Ten. Coronel Rodrigues da Matta, comandante
do B.CAÇ 1891
<< O Comando e a CCS deslocaram-se para o ALTO MOLÒCUÉ onde ocuparam umas instalações da Companhia de Algodões de Moçambique que anteriormente tinham sido adaptadas a quartel da CCAV 568. Tais instalações eram manifestamente reduzidas para o novo fim a que se destinavam, pelo que foi necessário proceder a vários melhoramentos nas mesmas e instalar grande parte dos serviços fora do aquartelamento da CCS, o qual foi, por sua vez, beneficiado e aumentado. Das obras levadas a efeito salientam-se, a padaria, o forno, a sala de praças e uma Capela>> (1)

Militares da CCS do 1891 no Alto Molócué
<< Em ALTO MOLÓCUÉ eram encontrados aquartelamentos improvisados e dispersos. A CCS ficou instalada num barracão, pertença de recrutadores de autóctones para as plantações, que não estava em bom estado, tendo a vantagem de ser amplo.
O Comando ficou numa casa da Companhia de Algodões, construída no velho estilo colonial português, com algumas dependências anexas.>> (2)
Vista aérea do aquartelamento
(1) História da Unidade - Batalhão de Caçadores  729
(2) História da Unidade - Batalhão de Caçadores 1891


Chire
Visita do brigadeiro Barreto ao aquartelamento do Chire
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 1503

Companhia de Cavalaria   1509
Companhia de Caçadores  1633
Companhia  de Caçadores 1796
2ª/Batalhão de Caçadores 15
Grupo Especial 403
Grupo Especial 406

A Povoação de CHIRE, localizada a cerca de 5 quilómetros da fronteira com  Malawi e a 162 e a 160 de MORRUMBALA e MILANGE, respectivamente, começou, desde muito cedo, a receber Unidades miilitares a nível de Companhia. A sua proximidade com o Malawi levou em linha de conta esta decisão.
O aquartelamento, delimitado por uma cerca de arame farpado, foi evoluindo à medida que as Companhias se sucediam. O Comando, por exemplo, encontrava-se em instalações cedidas pela Administração. A Companhia de Cavalaria 1509 deixou a sua presença assinalada com um obelisco em memória dos seus mortos e a Companhia de Caçadores 1633 construíu a porta de armas, etc...


Gilé
Militar da CCAÇ 1560, na porta de armas no Gilé.
Ao fundo parte das instalações do aquartelamento.
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores  301

Companhia de Caçadores  615
Companhia de Caçadores 1560
Companhia  de Cavalaria 1505
Companhia de Caçadores 1794
Companhia  de Cavalaria 2375
Companhia de Caçadores 2665
No interior da viatura, que serpenteia a picada, seguem além
de outros , três viajantes que "residiram" no Gilé, integrados na
sua Unidade a CCAÇ 1560
O GILÉ fica situado junto às margens do rio MOLÓCUÉ, numa região onde as formações montanhosas CHIRE-NAMÚLI se esbatem para dar lugar à planície litoral. O monte GILÉ é uma referência de aproximação à vila, já que, a quilómetros de distância, a sua imponência sobressai de toda a paisagem envolvente.
Quanto ao "quartel", um velho armazém de algodão: << Esta Companhia encontrou instalações, improvisadas, mas muito amplas e com todo o material de aquartelamento necessário. Estava, no entanto, em mau estado de conservação tendo a Companhia tido um trabalho deveras grande, para o pôr em condições de habitabilidade e conforto>> (1)

(1) História da Unidade - Batalhão de Caçadores 1891 - Companhia de Caçadores 1560

Ile / Errêgo
O mastro da Bandeira encontra-se colocado
sobre o Brasão do BCAÇ 1891, do qual fazia
parte a CCAÇ 1558, estreante do novo quartel
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores  1503

Companhia de Caçadores  1558
Companhia de Cavalaria   1506
Companhia  de Caçadores 1552
Companhia de Artilharia   1626
Companhia de Caçadores  1803
Companhia de Cavalaria    2399
Companhia de Caçadores  2664
2ª/Batalhão de Artilharia   6224/74


O moderno e Aquartelamento do Ile-Errêgo, inaugurado, em
Maio de 1966 pela CCAÇ 1558
<< A Companhia de Caçadores 1558, ao chegar ao Ile/Errêgo, teve que ficar instalada num bivaque durante uma semana. Findo este período mudou-se para um quartel novo, amplo e com magníficas instalações, as ainda por acabar>> (1)

<< Desconhece-se a natureza das instalações das Companhias do Batalhão, com excepção da CCAÇ 1803 que sabe-se estar instalada, no ILE/ERRÊGO, num quartel moderno e funcional.>> (2)

Tivemos conhecimento, por mero acaso, que a última Unidade a estacionar no ILE/ERRÊGO, foi a 2ª do BART 6224/74. Como já dissemos, a nossa base de pesquisa não refere as Unidades que embarcaram posteriormente a 25 de Abril de 1974. Esta Companhia, depois de um mês na BEIRA, foi ocupar o ILE/ERRÊGO que, entretanto, se encontrava desactivado. Durante o trajecto, entre NAMACURRA e MOCUBA, a coluna em que a Companhia seguia integrada sofreu uma forte emboscada de que resultaram dois mortos e vários feridos. Segundo parece, este foi o último ataque às NT perpetrado pela Frelimo (3)


Distribuição do correio, o momento mais desejado .
(1) História da Unidade - Batalhão de Caçadores 1891 - Companhia de Caçadores 1558
(2) História da Unidade - Batalhão de Caçadores 1937 - Companhia de Caçadores 1803
(3) Informação verbal prestada por um graduado da 2ª/Batalhão de Artilharia 6224/74

Mabo - Tacuane
Um graduado da CART.2646, defronte da messe dos Furrieis.
Companhias Residentes:

Companhia de Cavalaria 570

Companhia de Caçadores 1504
Companhia de Cavalaria  1510
Companhia  de Caçadores 1634
Companhia de Artilharia 2372
Companhia de Caçadores 2472
Companhia de Artilharia 2646
Companhia de Cavalaria 2750
Companhia de Caçadores 3357
Companhia de Caçadres 3471
Companhia de Caçadres 3555

A Frelimo começou, desde muito cedo, a desenvolver acções no sentido de se infiltrar em força na Zambézia, nomeadamente na zona de MABO - TACUANE como se pode ler:

<< O IN na zona atribuíada ao batalhão não passou à fase activa, apesar de já ter feito tentativas de introdução de material de guerrae de combatentes na Zambézia. Em relação a essas tentativas saliente-se a acção desenvolvida pelo IN no começo de 1965, em que conseguiu dominar as populações de uma grande área da região MABO - TACUANE, tendo então entrado abertamente na fase activa. As acções desenvolvidas pelas NT em esteita ligação  com as Autoridades Administrativas, levaram à eliminação do principal quartel terorista naquela área, à captura de muito material de guerra e ao refúgio do grupo no país vizinho.>> (1)

(1) História da Unidade - Batalhão de Caçadores 1891

Milange


Milange

Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores de Milange

Companhia de Caçadores 1796
Companhia de Artilharia 2373
Companhia de Caçadores 2468
Companhia de Artilharia 2647
Companhia de Cavalaria 2751
Companhia de Caçadores 3356
Grupo Especial 402
Companhia de Caçadres 3470
Companhia de Caçadores 3554

A entrada da Frelimo no quartel de Milange. Agosto de 1974. Os membros
da Frelimo estão sinalizados a amarelo.
Chegámos a MILANGE em 20 20 de Janeiro de 1974, vindos de MOCUMBURA/NURA, no Distrito de TETE, junto à fronteira com a Rodésia, depois de quatro dias de viagem onde o transporte foi em coluna auto, comboio e avião.
Deparou-se-nos um quartel militar (finalmente), que logo comparámos a um hotel.
A Vila de MILANGE tinha tudo o que se podia almejar, uma vez que vinhamos do mato.
Possuía posto da PIDE/DGS (era o QG da Zambézia da informação), e um  travão à guerrilha
Em meados de Junho a PIDE/DGS desmontou o QG, e foram para a Metrópole, deixando a Província sem informação dos movimentos da guerrilha.
Doze dias depois da festa do final da Comissão, uma viatura militar foi emboscada a 6 Kms de MOCUBA, de que resultou 9 mortos e vários feridos ligeiros (alguns militares tinham deixado as armas no quartel).


3 de Julho de 1974. Festa do final da Comissão 
O destacamento no MONGOÉ Clica aqui para leres a crónica "Os Padres da minha vida", que tinha um grupo GE e meio pelotão, foi desactivado imediatamente e viemos para MILANGE.
Alguns dias depois concordou-se em estabelecer-se contactos com a FRELIMO, o que foi feito.
Clik aqui para ler a crónica. "E a entrada da Frelimo na Zambézia"


Texto de Francisco Mota Dores, Furriel Miliciano do BCAÇ 3886 - CCAÇ 3554

Mocuba

Um aspecto do quartel, bastante amplo com se pode verificar

Companhias Residentes:

BCAÇ 161                                        Pel. Intendência 2014
CCAÇ 176                                        BART 2847
Dest. Intendência 341                      PAD 2214 
BCAV 571                                        BCAÇ 2880
CCAV 570                                        PAD 2281   
Dest. Móvel  663                              Com. Agrup.  2972
Dest. Intendência 1074                    BCAÇ 2908
BCAÇ 1878                                       BCAV 2923
PAD 1139                                          Pel. Intendência 3103
BCAV 1880                                       Com. Agrup. 3954
Des. Apoio directo 1                         BCAÇ 3843
BCAÇ 1899                                       PAD 9774/72
Dest. avan. Munições MC                BCAÇ 3867
Pel. Intendência 2070                        BCAÇ 3886
Dest. Intendência 1157                      8º Dest. Terminal
PAD 2081                                           Com. Agrup. 6007/72
BCAÇ 1937                                        Pel. Intend. 9370/72



A porta de armas do quartel. Imagem captada, em 2006
MOCUBA podia considerar-sea"capital" militar no Distrito da Zambézia, pois ali estacionaram, a partir de 1963, nada mais que treze Batalhões, independentemente de muitos outros serviços de apoio logístico, dispersos pela vila. Relativamente às condições de habitabilidade do quartel, as mesmas eram, segundo lemos na História do B CAÇ 1937: << As instalações do Comando e CCS são bastante amplas e dotadas dos requisitos essenciais à vida das tropas. Verifica-se apenas insuficiência das instalações destinadas à Secção de Operações e Informações.>>

Molumbo
Içar da Bandeira Nacional. Maio de 1968
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 1559
Companhia de Cavalaria 1507
Companhia de Caçadores 1552
Companhia de Caçadores 1795
Companhia de Cavalaria 2376
Companhia de Caçadores 2471
Companhia de Artilharia 2468
Companhia de Cavalaria 2752
Companhia de Caçadores 3355
Companhia de Caçadores 3469
Companhia de Caçadores 3553
Grupo Especial 408


A velha prisão (aquartelamento) em 2004. Não seria possível despender
uns parcos recursos e aproveitar aquele espaço?
No torreão da direita encontram-se bem visíveis as 5 quinas símbolizando
os 5 mouros que mouros que D.Afonso Henriques derrotou na Batalha de Ourique

<< Esta companhia (CCAÇ 1559) não  tinha aquartelamento nem qualquer espécie de instalações.
Ficou o pessoal acampado num campo de futebol. O piso do campo estava enlameado e sempre que chovia ficava ensopado.
Passados 16 dias mudou-se a Companhia para o velho edifício prisão depois de lhe term aumentado um telheiro de modo que lá coubessem as camas de todo o pessoal. Mesmo assim as camas ficaram, nas partes mais altas, com quatro andares. O pessoal estava muito mal instalado. Quando chovia o telheiro deixava passar a água e enlameava tudo. Só melhoraram ligeiramente, quando passados dois meses receberam 15 barracas cónicas que lhe permitiram alojar 50 homens. a estas dificuldades, juntaram-se as de natureza logísticas.>> (1)
Ao longo dos anos as más condições de habitabilidade do MOLUMBO foram sendo colmatadas pelos sucessivos ocupantes, construindo, com o material disponível e improvisado, algumas "habitações". Todavia, avelha prisão, "ícone" daquela terra, fez sempre parte integrante do diminuto e precário "complexo militar"
(1) História da Unidade - BCAÇ 1891, CCAÇ 1559

Morrumbala
Porta de armas com a inscrição: BCAÇ 1899 - CCAÇ 1632
Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 173
Companhia de Cavalaria  569
Companhia de Caçadores 1502
Companhia de Cavalaria  1508
Companhia de Caçadores 1632
Companhia de Caçadores 1798
Companhia de Artilharia  2374
Companhia de Caçadores 2467
Companhia de Caçadores 2759

2ª/Batalhão de Caçadores 15
Grupo Especial 404
Grupo Especial 405

<< O quartel de MORRUMBALA possui instalações que se podem considerar como razoáveis. Um quartel pequeno mas simpático com o mínimo exigido nas actuais circuntâncias e situação. As instalações para Oficiais e  Sargentos, a funcionar em residências cedidas pela Administração do Concelho, foram também um problema a equacionar.>> (1)

(1) Uma CCAÇ no Norte de Moçambique 1967-1969 - Episódios de Guerra


Comunicado de Guerra da Frelimo - Zambézia

Em 10-7-1974 - Nossos camaradas atacaram dois carros militares  na estrada MORRUMBALA - QUELIMANE na zona de MATONDO. Resultado dez soldados inimigos mortos e vários feridos. No mesmo dia cercámos a vila de MORRUMBALA cortando todas as vias de comunicação. As nossas acções obrigaram o inimigo a abandonar os postos de MULELEMBA e MARRUNDO na zona de MORRUMBALA.

Em 17-7-1974 - Um carro civil que transportava soldados das lojas de MARRUNDO para MORRUMBALA caiu na nossa mina. Resultado dezassete soldados inimigos mortos o condutor gravemente ferido e o carro totalmente destruído.

Quelimane
Vista aérea de Quelimane
Companhias Residentes:

2ª/Batalhão de Caçadores 15
DAvIntMov 663A
Comando Agrupamento 20
Comando Agrupamento 25
Comando Agrupamento  1985
Comando Agrupamento  1977
Comando Agrupamento  1986
Comando Agrupamento  2955
Comando Agrupamento  2963
Secção de Despacho de Quelimane
Psto Militar de Correio 114
Batalhão de Artilharia 6224/74

À esqª o jardim piscina. À dirª a esquina da Av. Salazar, o hotel e o Riviera
QUELIMANE, face à sua localização geográfica, não foi considerada, durante os 10 anos do conflito, uma "cidade militar", cabendo esse protagonismo a MOCUBA.
As únicas Unidades operacionais que ali estacionaram foram apenas a CCAÇ de QUELIMANE, mais tarde designada por 2ª/BAÇ 15 e o e Abril.BART 6224/74, este já no conturbado período, pós 25 de Abril.
Em Dezembro de 1966 registaram-se alterações de importância assinalável, sobretudo com a absorção do Sector Independente do Distrito da Zambézia, que passou a designar-se, apartir desta data, por SECOR D, com o respectivo comando instalado em QUELIMANE.

Vila Junqueiro - Gurué

O BCAÇ 1891 em Vila Junqueiro, no dia do 2º Aniversário da sua Comissão
Companhias Residentes:

Companhia de Sapadores 287
Companhia de Caçadores 369
Companhia de Caçadores 689
Companhia de Caçadores 1475
Batalhão de Cavalaria 1879
Batalhão de Caçadores 1891
Batalhão de Caçadores 1934
Batalhão de Cavalaria 2848
Batalhão de Caçadores 2863
Companhia de Caçadores de Vila Manica
2ª/Batalhão de Artilharia 6251/74


O Aquartelamento de Vila Junqueiro
A povoação do GURUÉ, que tomou o nome de VILA JUNQUEIRO (1951) em homenagem a SARAIVA JUNQUEIRO grande impulsionador da cultura do chá na região, ficava situada numa zona montanhosa de rara beleza, sendo apelidada, por esta razão, de "Sintra de Moçambique".
Foi logo a partir de 1964 que a primeira Unidade, a nível de Companhia, ali se instalou. Com o evoluir da situação na Província, VILA JUNQUEIRO passou a ser desde Novembro de 1967, sede de Batalhão. O quartel, situado a cerca de dois quilómetros da povoação, era dotado de boas instalações, pois fora construído de raiz.












Os jornais Metropolitanos relataram nas
1ª páginas o trágico acidente
  
Na tarde de 21 de Junho de 1969,próximo das 17H,que uma coluna militar composta por 150 homens e 30 viaturas,que aguardava havia já seis dias a possibilidade da passagem daquele rio,embarcou no batelão,em Lacerdónia,com destino a Mopeia,na margem esquerda do Zambeze.
Ainda não era decorrida uma hora de viagem quando,inesperadamente,a embarcação,demasiadamente carregada,começou a inclinar sendo invadida pela água,fazendo-a afundar.No diálogo que travámos com dois dos sobreviventes,foi-nos dito que o batelão,face ao peso da carga,navegava com a plataforma quase submersa o que,por este motivo e também pela pequena ondulação que se fazia sentir,começou a meter água.O comandante da embarcação,que se encontrava na proa,em conversa com o Alferes Rosário e outro graduado,ao verificar a situação,ordenou para a casa das máquinas uma manobra de correcção,ou seja navegar para a margem,ordem esta que não foi percebida pelo maquinista,que ao tentar corrigi-la fá-lo de tal forma brusca,provocando,com a ajuda da água já acumulada no batelão,o seu afundamento,mas não totalmente,pois durante algumas uma pequena parte do mesmo,inclinada a menos de 45graus,manteve-se fora de água.Este facto,segundo explicação de um dos nossos interlocutores aconteceu visto o batelão navegar já ao longo da margem esquerda do rio,em 
direcção a Mopeia,que não ficava,como se possa julgar,

defronte a Lacerdónia,de onde partiu a coluna ,como se disse.Assim, a proa ao afundar-se,arrastando consigo as viaturas,enterrou-se no fundo do rio. A corrente que se fazia sentir e a "provável ajuda"de algumas viaturas,manteve o barco naquela posição,onde seis militares conseguiram agarrar-se até serem salvos pelos pescadores Campira. Muitos dos militares lutaram,alguns durante horas,"com as aguas do Zambeze",mas só 54 sobreviveram,ficando 19 a dever a sua vida a quatro pescadores autóctones que laboravam por perto,os Irmãos Campira.Aqueles irmãos apercebendo-se,pelo barulho,que algo de estranho se passava,impulsionaram as suas pirogas para as imediações do acidente efectuando,por longo período de tempo,o salvamento de homens si mi- afogados e exaustos para a ilhota onde viviam.Depois de terminada esta tarefa,os pescadores prestaram aos sobreviventes,que tinham dores,frio e e choque emocional,a assistência possível,fazendo fogueiras para os aquecer.Uma vez que a lenha era escassa,não hesitaram em queimar parte das próprias palhotas onde viviam.Depois disso,já pela madrugada, os Campira foram a Mopeia,acompanhados por alguns sobreviventes,avisar as autoridades locais que iniciaram de imediato as buscas.A atitude dos pescadores originou em Moçambique,uma onda de solidariedade tal que lhes valeu,por iniciativa do jornal"Diário" de Lourenço Marques,a oferta de uma casa pré-fabricada,bem como um louvor decretado pelo Governador-Geral Dr.Baltazar Rebelo de Sousa.Foi com base neste louvor que lhes foi concedida a Medalha de Prata de serviços distintos .

Os  irmãos Campira
Entretanto,outros militares conseguiram,pelos seus próprios meios,alcançar terra
firme,muitos deles utilizando,como precioso auxílio,vários objectos flutuantes,tais como:Malas e sacos de viagem,bidões vazios,pedaços de madeira,etc...Houve até quem ficasse a dever a sua vida a uma viola que trouxera da Metrópole.Nos dias consequentes à tragédia,Mopeia foi "invadida"por jornalistas da imprensa da Província e da África do Sul.Deslocaram-se ao local algumas entidades militares.Uma das faltas mais notadas foi a do Movimento Nacional Feminino.



 À grande maioria dos sobreviventes,que se manteve no pequeno destacamento militar de Mopeia,coube-lhe ainda a ingrata missão de tentar identificar os corpos que durante alguns dias iam sendo resgatados das águas e margens do Zambeze.Quando nos ocorreu a ideia de inserir neste livro a tragédia do Zambeze,estávamos conscientes que,se o fizéssemos só com base nas pesquisas efectuadas nos jornais da época,alguma informação que prestássemos não seria precisa.Então,empenhar-nos no sentido de chegar ao contacto com algum dos sobreviventes,para ouvir,de viva voz,os seus angustiantes relatos das horas que se seguiram ao acidente.Assim,como já referimos,em Julho de 2009,40 anos depois,conseguimos falar pessoalmente com dois sobreviventes da tragédia,o António Banza Rodrigues e o João Filipe Barata Coelho.


DISSE-NOS ANTÓNIO BANZA RODRIGUES: 


  Em  traços gerais,sem entrar em pormenor,corroboro o que atrás foi escrito sobre o acidente.No entanto,quero acrescentar que,antevendo uma eminente tragédia,não cumpri as ordens do comandante da coluna que ordenava ao pessoal para se dirigir ao outro lado do batelão com o objectivo do equilibrar.Naquele breve espaço de tempo despi a camisa e descalcei as botas,mas enquanto o fazia um camarada ainda me disse:« Eh pá,eu não sei nadar»infelizmente engrossou a lista dos mortos. Já com o batelão a afundar cada vez mais,lancei-me à água,afastando-me desesperadamente do local breves segundos.




Após a tragédia depois,a tragédia se consumava.Foram momentos dramáticos 
depois ouvia nitidamente os gritos de pânico daqueles que não sabendo nadar tentavam agarrar-se,fosse ao que fosse,na ânsia de se salvarem.
Entretanto,fui nadando de costas com o objectivo de me cansar o menos possível,mas tive que desistir da ideia,uma vez que a água me entrava pela boca.Passado algum tempo vi perto de mim um saco de viagem a boiar,
consegui chegar junto a ele,e lá me segurei,com muito jeitinho,para que não se abrisse e perdesse por isso  o efeito de bóia.
Lá longe,via a margem do rio,o pôr do sol já se iniciara,a noite não tardaria.
A certo passo,ao olhar para o lado,vejo um camarada de infortúnio,já exausto,tentando chegar até mim para usufruir da "boleia"do meu providencial saco,mas tive a consciência que se isso acontecesse seria,
talvez,fatal para ambos,uma vez que aquela "tábua" de salvação não comportar dois "penduras". Além disso, não sabendo em concreto do estado em que se encontrava aquele camarada,resolvi atirar-lhe o saco, evitando assim que ele se aproximasse.Decorridos mais alguns minutos e cada vez mais exaustos,vejo três camaradas agarrados a um bidão de 200L vazio a quem pedi "boleia" e me foi concedida visto haver espaço para quatro.
.Contudo,face ao esforço despendido,quer físico,quer psicológico,acentuava-se cada vez mais a minha debilidade,até porque a cerca de 50 metros da margem,resolvemos largar o bidão e nadar para terra ficando,assim,cada qual entregue a si próprio.
 Alguns momentos depois,já sem movimentos e vencido,dei os "trunfos" ao Zambeze que lutara duas longas e intermináveis horas.

Os três camaradas
a quem pedi "boleia"

Acontece que,quando as minhas pernas, já inertes,desciam na vertical
senti os pés pisarem terra firme.Num impulso,ganhando de novo ânimo,vindo não se de onde,pus-me de pé e verifiquei que a água me dava pela à altura do peito.
Com dificuldade,consegui alcançar a margem onde se encontravam já alguns camaradas,uns que chegaram pelos seus próprios meios,outros transportados pelos irmãos Campira,cuja actuação já foi relatada.
Assim foi o epílogo deste primeiro acto da minha comissão de serviço em Moçambique,outros mais estavam para acontecer.


            O RELATO DE JOÃO FILIPE BARATA COELHO:

As quatro décadas decorridas,não foram ainda suficientes para apagar da minha memória os horrores da tragédia que presenciei e vivi naquele fatídico fim de tarde de 21 de Junho de 1969. Enquanto o batelão navegava eu ia tentando ocupar o tempo conversando com este ou aquele camarada de viagem.No momento em que me encontrava numa amena cavaqueira,à proa,com os comandantes da embarcação e da coluna militar,comecei a sentir os pés molhados,reparando que as ondas do rio provocavam a entrada de água,com abundância,para cima da plataforma, situação que levou o comandante do barco a dar instruções,como já atrás referi ,para o manobrarem na direcção da margem.Apercebendo-me que algo ia correr mal,e assim aconteceu num curtíssimo espaço de tempo,dirigi-me,a correr,no sentido inverso onde me encontrava,despindo,entretanto,a roupa,ficando apenas .Como  por magia demoníaca o batelão imerge arrastando consigo homens, viaturas e demais carga que transportava.Lá bem no extremo da parte emersa da embarcação preparava-me para me lançar à água quando os cinco camaradas que ali se encontravam,firmemente seguros,imploravam que não os abandonasse,pois não sabiam nadar. Perante aquelas aflitivas súplicas e por verificar que a parte onde nos encontrávamos não se movia,resolvi ficar.



Governador da Zambézia
Cumprimentando os irmãos Campira
Durante o tempo que ali permanecemos,cerca de duas horas e meia,fui tentando ganhar forças psicológicas para dar ânimo aos meus companheiros de infortúnio e a mim próprio.
Era visível que a proa do batelão se ia afundando gradualmente.
Sentíamos isso pela água que,cada vez mais cobria os nossos corpos.Recordo que o pânico se apoderava de mim quando via,por perto,algo deslizar pela corrente pois,como é sabido,o
 Zambeze é habitat natural dos crocodilos,os quais,com toda aquela agitação,deveriam,sem dúvida,andar nas redondezas.
As esperanças de salvamento esfumavam-se,ao mesmo ritmo com que a noite avançava sobre o
Zambeze e,por isso,a todo o momento teria que tomar uma decisão,que não poderia ser outra senão abandonar o local,deixando ali os meus companheiros a aguardar que o batelão se .afundasse,definitivamente, o que aconteceu horas mais tarde.
No meio de um "nocturno silêncio"ouvimos uma voz forte,lá longe,gritar:
«Há aí alguém?». Enchendo os pulmões de ar respondemos,com  toda a força que nos foi permitida,que sim.«Quantos estão aí!»,retorquiu aquela voz salvadora.Minutos depois surge perto de nós uma piroga com um único timoneiro,um dos irmãos Campira,que em três viagens transportou os náufragos para "porto seguro". Como devem calcular é difícil descrever em palavras o momento em que pisei terra firme e vejo reunidos os cinco companheiros de infortúnio que  antes ouvira:«Meu Furriel,eu não sei nadar».
Pela madrugada,com o grupo praticamente reunidos seguimos para Mopeia onde permanecemos durante algum tempo.
Finda a dura tarefa de identificação dos cadáveres,recebi guia de marcha com destino ao Lunho."capital do estado de minas gerais"na verdade,nada mais gratificante para recuperar,física e psicologicamente,dos males sofridos..."

Extraído do livro: Aquartelamentos Militares em Moçambique



De: Manuel Pedro Dias


América

Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 1669

Companhia de Artilharia 2388
Companhia de Caçadores 1714
Companhia de Engenharia 2349
Companhia de Artilharia    2327

No NIASSA a FRELIMO, a partir de determinada altura, passou a conduzir a guerrilha com duas finalidades bem distintas: Criar zonas libertadas e abrir corredores de passagem para se dirigir rumo ao Sul. A fim de travar essas linhas de infiltração foram criados alguns estacionamentos em pontos achados estratégicos, onde se aquartelavam companhias de intervenção. "AMÉRICA" foi um desses casos, pelo que em Julho de 1967 aqui acampou a Companhia de Caçadores 1669 que, a exemplo de muitos outros casos, teve de construir as suas próprias instalações, recorrendo, para isso, ao improviso. Este local foi abandonado definitivamente no início de 1969.

Bandece

Companhias Residentes:

Companhia de Artilharia 2328

Companhia de Caçadores 1798

O BANDECE, localizado no caminho que ligava MANIAMBA a VILA CABRAL, era um ponto estratégico de paragem, quer para as colunas que transitavam naquela picada, quer para os efectivos que dali partiam para diversas operações. A força estacionada no BANDECE, ao nível de Grupo de Combate, prestava segurança e controlava, ainda, a população aldeada, por sinal bastante numerosa. Contudo, de Janeiro a Junho de 1969, estacionaram no local duas Companhias em períodos diferentes e contínuos. As instalações, eram muito deficientes.




Belém

Companhias Residentes:

2ª/Batalhão de Caçadores 19


De Agosto de 1965 a Agosto de 1971, estacionou nesta localidade a 2ª Companhia do Batalhão de Caçadores 19, da guarnição normal da Província. A partir desta data, BELÉM passou a receber efectivos a nível de pelotão da Companhia sedeada em NOVA FREIXO.

Candulo

Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 1655

Companhia de Caçadores 2320
Companhia de Caçadores 2319
Companhia de Caçadores 2318
Companhia de Caçadores 2551
Companhia de Caçadores 2706
3ª/Batalhão de Caçadores 2706
Companhia de Caçadores 3557
Grupo Especial 104

<< E assim, pela manhã de 19 de Março de1967, uma grande coluna de viaturas,  constituída pela CCAÇ 1655 com as milícias do Roxo, larga para o desconhecido CANDULO iniciando a operação "PASSA A BOLA".Demorou-se mais de um dia  para percorrer os 110 Kms em que foi necessário parar 14 vezes para desastacar viaturas. E o que se vê? Capim! Palhotas queimadas! Uma serra e um rio!
Voltou-se a MECULA com os "trofeus". Passados dias começou então o verdadeiro êxodo da CCAÇ 1655 para o CANDULO, onde nada havia e era preciso fazer o quartel. Construiu-se um bom quartel, beneficiou-se a picada e reconstruíu-se a ponte sobre o rio CHIULÉZI, além de muitos pontõs>> (1)

(1) Extaído do livro da História do Batalãho de Caçadores 1906


Cantina Dias

Companhias Residentes:

Companhia de Caçadores 1470

Companhia de Artilharia  1542
Companhia de Caçadores 1749
Companhia de Caçadores 2409
Companhia de Caçadores 1793
Companhia de Caçadores 2390
3ª/Batalhão de Artilharia  2733
Companhia de Artilharia  3572


Os sobreviventes da tragédia do Rio Zambeze

1 comentário:

Avelino Paulo disse...

amigo desconhecia este blogger descobri ao procurar fotos do quartel de Milange
dou-te os meus parabéns pelo teu belo trabalho que é de louvar
abraço