Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~


O Batalhão de Caç. 1891.. Cumprimenta com Amizade,todos os que visitam esta página..Forte abraço.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A TRAGÉDIA DO RIO ZAMBEZE---1969


Os jornais Metropolitanos relataram nas
1ª páginas o trágico acidente
  
Na tarde de 21 de Junho de 1969,próximo das 17H,que uma coluna militar composta por 150 homens e 30 viaturas,que aguardava havia já seis dias a possibilidade da passagem daquele rio,embarcou no batelão,em Lacerdónia,com destino a Mopeia,na margem esquerda do Zambeze.
Ainda não era decorrida uma hora de viagem quando,inesperadamente,a embarcação,demasiadamente carregada,começou a inclinar sendo invadida pela água,fazendo-a afundar.No diálogo que travámos com dois dos sobreviventes,foi-nos dito que o batelão,face ao peso da carga,navegava com a plataforma quase submersa o que,por este motivo e também pela pequena ondulação que se fazia sentir,começou a meter água.O comandante da embarcação,que se encontrava na proa,em conversa com o Alferes Rosário e outro graduado,ao verificar a situação,ordenou para a casa das máquinas uma manobra de correcção,ou seja navegar para a margem,ordem esta que não foi percebida pelo maquinista,que ao tentar corrigi-la fá-lo de tal forma brusca,provocando,com a ajuda da água já acumulada no batelão,o seu afundamento,mas não totalmente,pois durante algumas uma pequena parte do mesmo,inclinada a menos de 45graus,manteve-se fora de água.Este facto,segundo explicação de um dos nossos interlocutores aconteceu visto o batelão navegar já ao longo da margem esquerda do rio,em
direcção a Mopeia,que não ficava,como se possa julgar,

defronte a Lacerdónia,de onde partiu a coluna ,como se disse.Assim, a proa ao afundar-se,arrastando consigo as viaturas,enterrou-se no fundo do rio. A corrente que se fazia sentir e a "provável ajuda"de algumas viaturas,manteve o barco naquela posição,onde seis militares conseguiram agarrar-se até serem salvos pelos pescadores Campira. Muitos dos militares lutaram,alguns durante horas,"com as aguas do Zambeze",mas só 54 sobreviveram,ficando 19 a dever a sua vida a quatro pescadores autóctones que laboravam por perto,os Irmãos Campira.Aqueles irmãos apercebendo-se,pelo barulho,que algo de estranho se passava,impulsionaram as suas pirogas para as imediações do acidente efectuando,por longo período de tempo,o salvamento de homens si mi- afogados e exaustos para a ilhota onde viviam.Depois de terminada esta tarefa,os pescadores prestaram aos sobreviventes,que tinham dores,frio e e choque emocional,a assistência possível,fazendo fogueiras para os aquecer.Uma vez que a lenha era escassa,não hesitaram em queimar parte das próprias palhotas onde viviam.Depois disso,já pela madrugada, os Campira foram a Mopeia,acompanhados por alguns sobreviventes,avisar as autoridades locais que iniciaram de imediato as buscas.A atitude dos pescadores originou em Moçambique,uma onda de solidariedade tal que lhes valeu,por iniciativa do jornal"Diário" de Lourenço Marques,a oferta de uma casa pré-fabricada,bem como um louvor decretado pelo Governador-Geral Dr.Baltazar Rebelo de Sousa.Foi com base neste louvor que lhes foi concedida a Medalha de Prata de serviços distintos .

Os  irmãos Campira
Entretanto,outros militares conseguiram,pelos seus próprios meios,alcançar terra
firme,muitos deles utilizando,como precioso auxílio,vários objectos flutuantes,tais como:Malas e sacos de viagem,bidões vazios,pedaços de madeira,etc...Houve até quem ficasse a dever a sua vida a uma viola que trouxera da Metrópole.Nos dias consequentes à tragédia,Mopeia foi "invadida"por jornalistas da imprensa da Província e da África do Sul.Deslocaram-se ao local algumas entidades militares.Uma das faltas mais notadas foi a do Movimento Nacional Feminino.



 À grande maioria dos sobreviventes,que se manteve no pequeno destacamento militar de Mopeia,coube-lhe ainda a ingrata missão de tentar identificar os corpos que durante alguns dias iam sendo resgatados das águas e margens do Zambeze.Quando nos ocorreu a ideia de inserir neste livro a tragédia do Zambeze,estávamos conscientes que,se o fizéssemos só com base nas pesquisas efectuadas nos jornais da época,alguma informação que prestássemos não seria precisa.Então,empenhar-nos no sentido de chegar ao contacto com algum dos sobreviventes,para ouvir,de viva voz,os seus angustiantes relatos das horas que se seguiram ao acidente.Assim,como já referimos,em Julho de 2009,40 anos depois,conseguimos falar pessoalmente com dois sobreviventes da tragédia,o António Banza Rodrigues e o João Filipe Barata Coelho.


DISSE-NOS ANTÓNIO BANZA RODRIGUES: 
 

  Em  traços gerais,sem entrar em pormenor,corroboro o que atrás foi escrito sobre o acidente.No entanto,quero acrescentar que,antevendo uma eminente tragédia,não cumpri as ordens do comandante da coluna que ordenava ao pessoal para se dirigir ao outro lado do batelão com o objectivo do equilibrar.Naquele breve espaço de tempo despi a camisa e descalcei as botas,mas enquanto o fazia um camarada ainda me disse:« Eh pá,eu não sei nadar»infelizmente engrossou a lista dos mortos. Já com o batelão a afundar cada vez mais,lancei-me à água,afastando-me desesperadamente do local breves segundos.




Após a tragédia depois,a tragédia se consumava.Foram momentos dramáticos 
depois ouvia nitidamente os gritos de pânico daqueles que não sabendo nadar tentavam agarrar-se,fosse ao que fosse,na ânsia de se salvarem.
Entretanto,fui nadando de costas com o objectivo de me cansar o menos possível,mas tive que desistir da ideia,uma vez que a água me entrava pela boca.Passado algum tempo vi perto de mim um saco de viagem a boiar,
consegui chegar junto a ele,e lá me segurei,com muito jeitinho,para que não se abrisse e perdesse por isso  o efeito de bóia.
Lá longe,via a margem do rio,o pôr do sol já se iniciara,a noite não tardaria.
A certo passo,ao olhar para o lado,vejo um camarada de infortúnio,já exausto,tentando chegar até mim para usufruir da "boleia"do meu providencial saco,mas tive a consciência que se isso acontecesse seria,
talvez,fatal para ambos,uma vez que aquela "tábua" de salvação não comportar dois "penduras". Além disso, não sabendo em concreto do estado em que se encontrava aquele camarada,resolvi atirar-lhe o saco, evitando assim que ele se aproximasse.Decorridos mais alguns minutos e cada vez mais exaustos,vejo três camaradas agarrados a um bidão de 200L vazio a quem pedi "boleia" e me foi concedida visto haver espaço para quatro.
.Contudo,face ao esforço despendido,quer físico,quer psicológico,acentuava-se cada vez mais a minha debilidade,até porque a cerca de 50 metros da margem,resolvemos largar o bidão e nadar para terra ficando,assim,cada qual entregue a si próprio.
 Alguns momentos depois,já sem movimentos e vencido,dei os "trunfos" ao Zambeze que lutara duas longas e intermináveis horas.

Os três camaradas
a quem pedi "boleia"

Acontece que,quando as minhas pernas, já inertes,desciam na vertical
senti os pés pisarem terra firme.Num impulso,ganhando de novo ânimo,vindo não se de onde,pus-me de pé e verifiquei que a água me dava pela à altura do peito.
Com dificuldade,consegui alcançar a margem onde se encontravam já alguns camaradas,uns que chegaram pelos seus próprios meios,outros transportados pelos irmãos Campira,cuja actuação já foi relatada.
Assim foi o epílogo deste primeiro acto da minha comissão de serviço em Moçambique,outros mais estavam para acontecer.


            O RELATO DE JOÃO FILIPE BARATA COELHO:

As quatro décadas decorridas,não foram ainda suficientes para apagar da minha memória os horrores da tragédia que presenciei e vivi naquele fatídico fim de tarde de 21 de Junho de 1969. Enquanto o batelão navegava eu ia tentando ocupar o tempo conversando com este ou aquele camarada de viagem.No momento em que me encontrava numa amena cavaqueira,à proa,com os comandantes da embarcação e da coluna militar,comecei a sentir os pés molhados,reparando que as ondas do rio provocavam a entrada de água,com abundância,para cima da plataforma, situação que levou o comandante do barco a dar instruções,como já atrás referi ,para o manobrarem na direcção da margem.Apercebendo-me que algo ia correr mal,e assim aconteceu num curtíssimo espaço de tempo,dirigi-me,a correr,no sentido inverso onde me encontrava,despindo,entretanto,a roupa,ficando apenas .Como  por magia demoníaca o batelão imerge arrastando consigo homens, viaturas e demais carga que transportava.Lá bem no extremo da parte emersa da embarcação preparava-me para me lançar à água quando os cinco camaradas que ali se encontravam,firmemente seguros,imploravam que não os abandonasse,pois não sabiam nadar. Perante aquelas aflitivas súplicas e por verificar que a parte onde nos encontrávamos não se movia,resolvi ficar.



Governador da Zambézia
Cumprimentando os irmãos Campira
Durante o tempo que ali permanecemos,cerca de duas horas e meia,fui tentando ganhar forças psicológicas para dar ânimo aos meus companheiros de infortúnio e a mim próprio.
Era visível que a proa do batelão se ia afundando gradualmente.
Sentíamos isso pela água que,cada vez mais cobria os nossos corpos.Recordo que o pânico se apoderava de mim quando via,por perto,algo deslizar pela corrente pois,como é sabido,o
 Zambeze é habitat natural dos crocodilos,os quais,com toda aquela agitação,deveriam,sem dúvida,andar nas redondezas.
As esperanças de salvamento esfumavam-se,ao mesmo ritmo com que a noite avançava sobre o
Zambeze e,por isso,a todo o momento teria que tomar uma decisão,que não poderia ser outra senão abandonar o local,deixando ali os meus companheiros a aguardar que o batelão se .afundasse,definitivamente, o que aconteceu horas mais tarde.
No meio de um "nocturno silêncio"ouvimos uma voz forte,lá longe,gritar:
«Há aí alguém?». Enchendo os pulmões de ar respondemos,com  toda a força que nos foi permitida,que sim.«Quantos estão aí!»,retorquiu aquela voz salvadora.Minutos depois surge perto de nós uma piroga com um único timoneiro,um dos irmãos Campira,que em três viagens transportou os náufragos para "porto seguro". Como devem calcular é difícil descrever em palavras o momento em que pisei terra firme e vejo reunidos os cinco companheiros de infortúnio que  antes ouvira:«Meu Furriel,eu não sei nadar».
Pela madrugada,com o grupo praticamente reunidos seguimos para Mopeia onde permanecemos durante algum tempo.
Finda a dura tarefa de identificação dos cadáveres,recebi guia de marcha com destino ao Lunho."capital do estado de minas gerais"na verdade,nada mais gratificante para recuperar,física e psicologicamente,dos males sofridos..."

Os sobreviventes da tragédia do Rio Zambeze



Extraído do livro: Aquartelamentos Militares em Moçambique

De: Manuel Pedro Dias



segunda-feira, 8 de junho de 2015

Viagem Muoco - Manianba

Por Jorge Guedes da CCAÇ 1560.
"Dezembro de 1966, a minha companhia 1560, pertencente ao Batalhão 1891 saiu do Muoco com destino a Manianba. A coluna já em Vila Cabral é requisitada para proteger uma frota de camiões com mandioca para as populações. Passamos por Cantina Dias onde se encontrava uma companhia e até tinha aí um amigo da minha terra que me pagou uma cerveja, e conversamos um pouco. Como já eram velhinhos ali, os turras com eles não queriam nada – contava ele -. Retomou-se a viagem já com as precauções dadas pelo capitão que a partir dali era zona de guerra.
(Eu no quartel do Muoco)
Tudo corria bem e paramos. Eu perguntei a um motorista dos camiões se por ali havia alguma coisa, respondeu-me que não, só não foi com ele na cabine porque já levava dois militares, paciência e regressei ao meu hunimog. Nem meia dúzia de Km andam e o camião que eu queria ir, accionou a 1º mina anti-carro da zona do Niassa, o motorista morreu e os dois colegas feridos. O capitão manda-me a mim, um atirador e o motorista do meu hunimog levar o morto e feridos a Cantina Dias, que ficava um pouco longe, e a coluna ficava á espera do nosso regresso. Chegamos a Cantina Dias e o meu colega da cerveja muito admirado pelo acontecimento lamentou que tivesse tido azar, mas tínhamos que regressar para a coluna que esperava por nós. Pés ao caminho e passa uma pequena coluna dessa companhia que se foi abastecer a Vila Cabral e nos cumprimentou, sem saber porque vínhamos do quartel, tudo bem, mas que uns metros passados fomos surpreendidos pelos turras com rajadas de metralhadora e morteiros e nós três homens já no chão a tentar compreender o que se passava, ai minha nossa senhora, foi então que nos apercebemos que estávamos entre três fogos, dos turras, do quartel e da coluna que tinha passado por nós, levantamos a cabeça não era connosco e sinceramente fugimos a toda a velocidade, sujeitos a um acidente, mas nem sequer tivemos tempo de pensar que pudesse acontecer. Chegamos e contamos a nossa odisseia.
Continuamos com o destino a Manianba mas antes de lá chegar já sabíamos que o 4º pelotão no qual eu estava integrado iria por motivos operacionais fazer uma missão a Miandica logo que chegasse a Manianba.
(Flagrante imagem do resultado de uma mina do 4º pelotão 1560 entre Bandece e Maniamba)
Aqui chegados já nem as nossas malas nos foi permitido arrumar, mas sim fornecer ração de combate ao pelotão e seguir em coluna auto para Nova Coimbra onde chegamos na noite de consoada, por mais anos que viva não mais esquecerei essa noite, a companhia que estava aí estacionada a comer ceia de Natal e nós fora do quartel a comer a ração de combate, fazer horas e descansando um pouco da viagem desde o Muoco. Como era costume havia a tendência dos colegas mais velhos de amedrontarem os mais novos sempre que estes iam para qualquer zona fazer uma operação ou batida dizendo que íamos encontrar obstáculos na caminhada e que a zona era muito perigosa, “ ides levar porrada” - comentavam. Pouco antes da meia-noite e a pé iniciamos a caminhada receosos para uma zona que não conhecíamos, mas a pensar que tudo ia correr bem até Miandica. Algumas horas já passadas e já de madrugada tivemos alguns avisos do inimigo que nos levou a acelerar o passo e termos feito disparos de morteiro e bazuca sobre um pequeno grupo de turras que nos vigiavam e davam tiros de intimidação disparando sobre nós e nestas trocas de tiros mata uma mulher. Continuamos a nossa caminhada e chegamos a Miandica já era dia. Aí chegados descansamos e como a nossa missão era ficar nessa base protege-la enquanto os camaradas da mesma foram fazer uma batida. O pelotão da base regressou já noite.
Cumprida a nossa missão, ao anoitecer metemos pés ao caminho de regresso a Nova Coimbra. Íamos a um terço da viagem ouvi na frente do grupo um estrondo, “ foi uma mina, foi uma armadilha ” accionámos qualquer coisa que nos provocou um ferido grave e dois ligeiros, chovia e trovoava muito, a noite muito escura, não podíamos fazer luz com receio de sermos localizados e isso dificultava o socorro aos feridos e eu tinha que chegar aos feridos para avaliar a dimensão dos ferimentos, eu como enfermeiro para chegar aos feridos tinha que passar por cima dos camaradas aos apalpões, ninguém queria fazer qualquer ruído .
(Quartel de Bandece, o furriel enfermeiro da 1560 José Maria, caiu numa trincheira, estou a esquerda dele)
Aí chegado aliviei as dores sustive as hemorragias e pouco podia fazer, uma maca improvisada e com ajuda de todos invertemos o destino novamente para Miandica visto Nova Coimbra ainda estar muito longe e como disse atrás chovia muito estávamos muitos mal tratados pelo mau tempo, com os feridos, cansados da noite anterior e agora com o retorno a Nova Coimbra o pessoal estava desmoralizado. Murmurava-se baixinho se iríamos sair daquele triangulo, Nova Coimbra-Miandica, Miandica-Miandica,Mandica- Nova Combra , também se rezava, alguns colegas ganharam ferimentos , entorses pelas quedas que o mato molhado originava, eu arranjei duas inguas (adenites)que me dificultavam o andamento. Chegamos a Miandica ainda era noite. Mal chegamos uns colegas descansavam enquanto outros e eu secávamos as roupas e calçado numa fogueira que fizemos com essa finalidade, aguardamos novas ordens embora tenhamos pedido ao alferes Coelho que informasse o comando do sector dos feridos e do cansaço das suas tropas, acreditando que era possível ficar mais umas horas, mas a resposta veio logo do comando do sector dura e crua,” temos que arrancar já”. Como tínhamos que arrancar, um colega disse ao alferes que queimou as botas e não podia ir, logo o alferes sabia que eu estava debilitado para a caminhada, obrigou-me a ceder as minhas botas para o outro colega integrar o pelotão e eu fiquei, lá se fizeram á mata e chegaram sãos e salvos a Nova Coimbra.
Ora eu não pertencia ao pelotão que estava em Miandica, fiquei sem botas e a roupa que tinha no corpo já veio comigo desde o Muoco, mas sempre com a ideia que mal viesse o dia viria um helicóptero ou avioneta buscar os feridos e eu aproveitava a boleia, de facto logo pela manha veio uma pequena avioneta buscar os feridos mas eu não tinha lugar, fiquei triste e olhei a avioneta a ir ao fundo da pista e eu a pensar quando iria. A avioneta levanta voo e eu a vê-la…quando de repente ela cai no meio das arvores, olha que sorte eu tive, fomos a correr socorrer os que já eram feridos mais o piloto, que se veio a confirmar que foi culpa dele não ter aproveitado bem a curta mas suficiente pista. Novo pedido para o transporte que veio e os feridos foram evacuados para Vila Cabral e eu fiquei não tinha lugar outra vez
Chamava-se quartel de Miandica a um terreno quadrado e isolado, sem qualquer via de comunicação terrestre, com cinquenta homens a dormir no chão resguardados por chapas de zinco encostadas a grandes montes de areia como protecção em caso de ataque, de um dos lados havia uma pequena pista que nos separava do mato, dos outros era só mato. Não tinha mais ninguém a não ser tropa.

(Eu apalpando o pêlo ao leopardo em Maniamba mas nada de abusos.)
Enquanto estive em Miandica apercebi-me da dureza de quem tem que fazer a comissão que mesmo de dois meses que é o tempo permitido, era desumano, o abandono e isolamento era total daqueles colegas que foram diariamente pelo menos enquanto lá estive massacrados com ataques de fogo do inimigo ao quartel, á pista, á água e por vezes pelos quatro flancos onde tínhamos as trincheiras, eram tantas as vezes que nos atacavam, que alguns, em especial um furriel cantava em cima das trincheiras a celebre canção brasileira “ a banda a passar” tal era o estado psicológico destes homens. Por vezes os turras nos impediam de irmos á água e arriscarmos a vida por ela, noutra altura a avioneta que vinha trazer alimentos e o correio não se apercebeu e foi metralhada, enquanto nós no terreno estávamos a braços com dois ataques momentâneos ao quartel e á secção que foi á água e tínhamos que mandar mais homens socorrer a secção. O piloto da avioneta apanhou tamanho susto que por uns dias não arriscaram aterrar, e nós recebíamos o correio e algo mais atirado de alguma altura. Assim passei por empréstimo forçado e tive de aguentar até que se lembrassem de que o enfermeiro da 1960 não tinha botas, nem roupa, nem correio e como nada tinha eram os colegas dessa companhia que ainda hoje não sei o nome nem numero que tudo do pouco que também tinham me davam, estava na mesma luta pela sobrevivência.
Se me perguntarem quantos dias estive em Miandica, apenas posso responder que a passagem do ano foi festejada com tiroteio dos nossos (amigos) e depois quase todos os dias nos visitavam e por vezes davam-se ao luxo de fazerem fogo alternando de flancos obrigando-nos a proteger cada flanco conforme vinha o fogo. Com tanta distracção perdi-me no tempo, mas de Miandica jamais me esquecerei
.
(O grupo da 1560 após repetir um ataque em Bandece)
Quem por África passou, com o passar do tempo pensará como eu se valeu a pena tanto sacrifício de milhares que morreram, se estropiaram e de uma mocidade perdida."
O Leopardo

domingo, 7 de junho de 2015

GRUPOS, COMPANHIAS E BATALHÃO DE COMANDOS EM MOÇAMBIQUE








 COMANDOS NA NAMAACHA 

Comandos tropa de elite Portuguesa


As condicionantes da guerra em África cedo ditaram a necessidade de criar uma força de intervenção que tivesse duas características básicas - mobilidade e capacidade operativa sem apoio de outras forças militares, ou seja, autonomia. Essa força nasceu em Angola em 1962, pela mão do então Capitão Gilberto Santos e Castro. O nome escolhido foi COMANDOS. Foi criada a partir de voluntários oriundos de Batalhões de Caçadores. Em Moçambique o então Comandante - Chefe da RMM, General Caeiro Carrasco, resolveu um Centro de Instrução e solicitou alguns instrutores ao CIC da ZEMBA em Angola. Este grupo de instrutores monitorizou o primeiro curso na região da NAMAACHA, perto de LOURENÇO MARQUES. Para frequentarem o CI 16 na QUIBALA NORTE, partiram para Angola os seguintes, oficiais, sargentos e praças da Região Militar de Moçambique.


 





       Assim quer pela orientação que havia de dar-se à instrução, quer pelo interesse manifestado pelos componentes da missão, quer ainda pelo âmbito dos seus interesses e preocupações serem distintos dos grupos, houve que diferenciar a instrução evidentemente do quadro de limitações, que o volume de instrutores, os meios e as instalações pudessem permitir. Tendo em atenção estes factores, foi pensado orientar-se a instrução, de modo a que a que se promovesse à sua formação como executantes a par dos grupos, se procedesse à informação necessária sobre os fundamentos e razões dos processos de actuar, e quando foi possível nas necessidades e no tempo, praticassem como auxiliares na condução de algumas instruções. E com esta orientação, se desenrolou a instrução, segundo os programas que veremos adiante.

Que se revestem para os demais, estava fora do âmbito das atribuições do Centro

A apresentação do pessoal no Centro afigurou-se-nos demasiado cedo, na medida em que acompanhando os instrutores tiveram de colaborar voluntariamente é certo nos trabalhos de construção do aquartelamento, o que, se seria obrigação para os instrutores, estava fora do âmbito ou finalidade da sua presença. Istopossibilitou no entanto a oportunidade de revelar o espírito de colaboração e de interesse de que vinham animados, que muitos se fez no desenrolar do curso.


A instrução realizou-se em 226 horas de nove semanas.
A parte operacional durou 21 dias

Concluído o curso na QUIBALA, cujo comportamento foi motivo de uma referência elogiosa que abaixo se transcreve, regressam a Moçambique a fim de fazerem parte do Corpo Instrutor do primeiro Centro de Instrução Comando, que se constituiu naquele território Ultramarino:


A Região Militar de Angola, emitiu a seguinte referência elogiosa, assinada pelo Major Comando, Fernando Catarino Tavares:

Tendo sido nomeados pela Região Militar de Moçambique para a frequência no CI 16, na instrução de aperfeiçoamento de contra guerrilha "COMANDOS", os Oficiais, Sargentos e Praças em cima já mencionados:

É de toda a justiça salientar o interesse e entusiasmo como, desde a sua apresentação, se dispuseram a recolher os ensinamentos resultantes da experiência de combate das tropas na RM Angola.
No CIC de Luanda, um grupo de Instrutores e Monitores
do CIC da Namaacha
Tendo marchado para o CI 16 juntamente com o pessoal instrutor, bastante tempo antes do início do período de instrução participaram com a melhor boa vontade nos trabalhos da instalação do Centro, demonstrando, desde logo, muita dedicação pelo serviço, óptimo método de camaradagem e notável espírito de colaboração.
No decorrer da instrução estes Oficiais patentearam em todas as circunstancias, possuir boa preparação militar, grande resistência física, muito desembaraço e, nos momentos de perigo, demonstraram sangue frio, calma e determinação.



Por tudo isto se pode concluir que os Oficiais, Sargentos e Praças da RMM que frequentaram o CI 16 obtiveram óptimo aproveitamento tendo honrado a RMM e justificado em absoluto a distinção que lhes foi concedida ao serem nomeados para esta missão.

         Instrutores e Monitores


Porta de armas do CIC da Namaacha
O primeiro Centro de Instrução de Comandos de Moçambique, ficou instalado na NAMAACHA (povoação fronteiriça com a Suazilândia a cerca de 70 Kms de Lourenço Marques).
foi nomeado comandante da instrução o então Capitão de Infª Flávio Martins Videira. A equipa de Instrução era constituída por:

                                        Instrutores

Cap. António Rosado Serrano
Cap. Rui Amândio Pereira Marcelino
Ten.Milº Médico. Luís António M.P.C.S.M.Pereira
Alf. Milº.Fausto Lopes Proença Garcia
Fur. Milº João Pombo Rainha
Fur. Milº António Fernandes Vasques
Fur.Milº José  Granjeio Fragoso
1º Cabo Joaquim Afonso Moreira


O Curso teve início em 13 de Fevereiro de 1964 e terminou em 7 de Julho do mesmo ano.

Do guia do Comando do C.I. da NAMAACHA, distribuído a todos os instruendos no dia da chegada transcrevemos:
Que sejas, à C.C.E 313
E sejas benvindo, pela alegria que todos sentimos na previsão do vosso  convívio e na esperança da vossa glória.
Viver perigosamente vai ser o teu lema! Mas se a vida será dura como convém ao militar que és ao COMANDO que desejas ser, não te deves esquecer que é no sofrimento e na dor que se tempera a alma do militar e se caldeia a força da sua fé.
É a tua vontade, na alegria da tua juventude e na generosidade do teu temperamento, que virá o fiel da tua actividade e o orgulho da tua consciência. E quando, por esforços a sacrifícios, ao longo de riscos sem par, sentires merecer o título a que aspiras, ou sentires a alegria de ver brilhar no teu peito a insígnia que te distingue, então compreenderás o verdadeiro significado de um COMANDO. E saberás que esse título corresponde ao termo de uma luta que travaste contigo próprio, a uma vitória da tua vontade sobre o teu instinto.
Que sejas BENVINDO À C.C.E. 313. E que, quando daqui saíres, na certeza de um dever cumprido, leves contigo e na consciência a honra de merecê-la.

                        Algumas indicações 

A instrução a que te irás sujeitar desenrolar-se-à , na sua maior parte, sem que conheças o seu horário ou a sua natureza. Isto quer dizer que num período de 24 horas estarás pronto, à mais pequena indicação, a apresentares-te no teu local habitual de formatura, para dali seguires ao cumprimento do que for determinado pelo instrutor. Poderá até suceder que te mantenhas em instrução por periodo superior a um dia, e serás forçado a viver de noite, isto é, a fazeres a tua vida normal durante o período nocturno do dia.
Tudo, portanto poderá aqui suceder sem que o estranhes e, sobretudo sem que deixes de dominar as reacções que, de certo modo, seriam normais se não tratasse de um COMANDO.
Um outro aspecto que julgamos dever prevenir-te, é o aspecto disciplinar do teu comportamento. Se o seu rigor poderá considerar-se um exagero para a tropa normal, para um COMANDO tornar-se de tal modo habitual que irás estranhar, no futuro, como te foi possível viver de outro modo. E não te esqueças, de que as exigências feitas não são obrigações que cumpres, mas a afirmação permanente da tua vontade e do teu desejo de ser COMANDO.
Um factor a que se dá grande importância, afinal a importância que mereces, é o atavio. Se as condições existentes não favorecem neste pormenor, elas só poderão ser uma mais forte razão para que os cuidados se redobrem e as exigências aumentam.
Por este factor não estranharás a permanente vigilância a que te sujeitas e, sobretudo ao permanente cuidado que deves ter. E neste continuar de revoluções e elucidações parece-nos o momento de referir os cuidados com a tua arma. Ela representa, bem o sabes, o teu mais forte argumento no combate: e porque assim é, a tua arma deve ser a tua maior preocupação. Se é obrigação de qualquer combatente habituar-se à sua permanente companhia, estimá-la como o mais fiel dos seus amigos e cuidar dela em todos os instantes, para um COMANDO constitui um legítimo título de orgulho. É por por esse facto que o seu uso permanente é exigido durante uma grande parte do Curso. Em qualquer instante, ela poderá ser sujeita a uma revista que, como é evidente, deverá concluir pelo seu perfeito estado de limpeza e funcionamento.
Finda a instrução formaram-se dois grupos.
Os SOMBRAS comandados pelo Alf. Milº
José Alexandre Gafarot de Almeida.
Os VAMPIROS comandados pelo
 Alf.Milº José António Mayer Cabral Sacadura
Particularidades


Todos os elementos sabiam: nadar, Operar com Rádio e conduzir.

Os Grupos eram de 24 elementos divididos por 24 elementos divididos por 6 equipas de 4.
O contingente de candidatos a Comandos, era formado por 200 elementos, dos quais, feita a 1ª selecção, ficaram 80. Estes 80 voluntários iniciaram a Instrução em 13-2-1964 e chegaram ao fim do Curso em 7-7-1964 cerca de 50 Instruendos com aproveitamento.
Cada Grupo era formado por:
 1 Oficial
 5 Sargentos
 6- 1º Cabos
12 Praças



Estes dois Grupos  actuaram exclusivamente como força de reserva à ordem do General Chefe do Estado-Maior da RMM, General Caeiro Carrasco, nos seguintes teatros operacionais de Moçambique:

Serra Mecula no Niassa 2 meses
Cabo Delgado, 45 dias
Nova Coimbra e Metangula, 2 meses
Do Lumbo a Metangula, 3 colunas de ida  volta para realizar o transporte de 6 lanchas da Marinha, durante 3 meses.
Passaram à disponibilidade em: Março de 1965
Estes Comandos utilizaram a boina vermelha (amaranto)
e o punhal KRIS
Intervenções do Agrupamento

Terminado o Curso de Instrução, o Agrupamento rumou a MECULA, de FN Belgas, de que gostaram muito, habituados que estavam às Mauser do Batalhão 558. a Missão era nomadizar na zona de MECULA até ao RIO ROVUMA. Julgava-se ali existirem bases inimigas, mas a zona era muito extensa, pouco povoada por autóctones e raramente se sentia a presença Europeia. Os Comandos detectaram a dada altura trilhos de infiltração inimiga em zonas o Rio era mais baixo. Por vezes os elementos da Frelimo passavam em filas numerosas, e os militares do Agrupamento baptizaram o local como ROSSIO. Instalados em cima das árvores observaram as acções do inimigo. Conseguiram infiltrar-se na TANZÂNIA, subornando aqui e ali elementos da população e descobriram a base, mas não tiveram autorização para a atacar.

De MECULA o grupo rece ordens para seguir ;para NAMARRÓI na ZAMBÉZIA, onde a Frelimo tinha um núcleo que ameaçava as populações locais, e deixava os civis de Quelimane receosos de uma repetição dos acontecimentos de Março de 1961 em Angola. Os militares foram por isso recebidos em delírio naquela localidades


Em NAMARRÓI consegue dois guias. Um deles era um preso da Administração, conhecido por PÉ LEVE por ter um defeito numa rótula e uma Cipaio de nome PAULO. O Grupo da Frelimo que operava na zona tinha raptado todas as mulheres indígenas, incluindo a do Cipaio Paulo. O Pé Leve era quem conhecia o caminho, mas apesar de estar constantemente a afirmar "estamos quase", o Grupo caminhou 12 horas. Detectado o acampamento, organizaram o cerco, mas foram detectados pelas sentinelas e o ataque foi organizado de forma mais ou menos anárquica, com forte perigo de se confundirem os elementos dos Comandos com os da Frelimo. A explosão das granadas dentro das palhotas gerou grande confusão e a fuga de grande parte dos elementos inimigos, ficando só as mulheres e alguns prisioneiros que foram amarrados. O Paulo correu a abraçar a mulher mas ao fim de algum tempo ao se aperceber dos prisioneiros queria matá-los e foi a custo que o pessoal do Agrupamento o conseguiu segurar. No entanto um acontecimento anormal e inesperado sucedeu. As mulheres ofereceram-se aos militares, e estes largando os prisioneiros que acabaram por fugir, correram para elas. O Alferes Cabral Sacadura assistiu então aquilo que parecia um "bacanal romano". Findo o "evento", a força passou revista ao acampamento, e localizaram um celeiro, de onde saltou um homem de catana em riste que feriu o Cipaio Paulo. A resposta pronta do pelotão abateu o homem, mas o Paulo exigiu trazer a cabeça do mesmo para NAMARRÓI onde foram mais uma vez recebidos de forma entusiástica.


Concluída a Missão em NAMARRÓI , era tempo de rumar a MUEDA. Ali o Grupo viu-se sem o Alferes Sacadura, por este ter sido requisitado para comandar o Pelotão de Reconhecimento que teria de se deslocar à Algodoeira em DIACA. A meio caminho viram uma mangueira carregada de frutos. Ante o olhar incrédulo do oficial, os elementos do pelotão d reconhecimento abandonaram a viatura, e as armas nela, e correram a banquetear-se com mangas, nem suspeitando o enorme risco que corriam.

 Regressado a MUEDA o alferes segue com o Agrupamento para MITEDA e MUIDUMBE. Numa das operações quase apanhavam o Lázaro Kavandame que passou por eles disfarçado de mecânico, com fato macaco e tudo. Nestas operações estiveram a 28 dias a ração de combate, e verificaram que as latas de sardinha tinham o conteudo estragado, optaram então por fritar as ditas com sumo de limão ou manga. Meses depois vieram ficaram a saber que aquelas latas tinham sido rejeitadas para exportação e foram aproveitadas pelo Exército. Num encontro mais tarde conheceram o Engº Jorge Jardim que lhes resolveu o problema das latas de sardinha.
Terminada a estadia em CABO DELGADO a missão seguinte foi a todos os níveis surpreendentes. O Agrupamento integrou um força que tinha como missão transportar lanchas para o LAGO NIASSA desde NACALA. As lanchas rolavam através de um sistema de tracção manual em que as travesssas do caminho-de-ferro desempenhavam um papel fundamental. Para as lanchas passarem viram-se obrigados a destruir parcialmente algumas pontes. Chegados finalmente a METANGULA, dormiram no chão de uma arrecadação. e recusaram uma operação por s homens se encontrarem doentes.
Concluída a travessia das lanchas o Agrupamento retoma a MUIDUMBE E MUEDA. A dada altura recebem uma informação que os Padres Brancos de uma Missão em NANGOLOLO apoiavam os terroristas. Os Comandos iniciavam ali uma série de acções que envolveram a destruição de Missões.Quando chegaram a NANGOLOLO. os eclesiásticos já haviam partido, e os militares aproveitaram alguns dias para nomadizar na zona, matar as galinhas restantes e dormir em camas com colchões. Após tanto tempo no mato, NANGOLOLO parecia um verdadeiro hotel.
Regressam ao NIASSA numa missão idêntica à que tinham cumprido em NANGOLOLO. A ideia era destruir a Missão de NGOLO em MESSUMBA Chegaram lá com o apoio dos Fuzileiros e detectaram indivíduos que os padres anglicanos tentavam esconder. Os Comandos assaltam a Missão e atiraram sobre tudo o que se movimentava no interior, atingindo alguns Padres. Os Alferes foram chamados a VILA CABRAL à presença do Coronel Costa Matos e de dois Inspectores da PIDE. O caso esta feio porque tinha sido identificado um cadáver de um Padre com 14 furos.A meio da reunião entra o General Caeiro Carrasco de rompante e manda os Comandos sair daali imediatamente porque aquilo não era nada com eles.
Durante o gozo de um período de férias em LOURENÇO MARQUES, surge o pedido urgente da deslocação do Agrupamento para VILA CABRAL. Os graduados passaram a tarde na Rua Araújo à procura dos militares, e quando conseguiram runir todos os elementos apresentaram-se ao General Carrasco que os informou que seguia com eles até NOVA COIMBRA. Já perto desta localidade foram emboscados, e ante o pasmo dos Comandos o General vociferava: Fujam que está aqui o Comandante-Chefe de Moçambique que vai dar cabo vós! Valeu ao General um Comando encarregue da sua segurança que lhe lhe deitou a mão e o obrigou a permanecer deitado até a emboscada terminar.
Em primeiro plano o Capitão Caçorino Dias
Depois de nomadizar na região NOVA COIMBRA, seguiram para METANGULA, onde a dada altura chegou uma informação que garantia que num determinado local pernoitavam elementos inimigos. O Grupo desconfiou da missão que deveria à noite mas partiu para sua execução. Nesta operação foi envolvida a Companhia de Cavalaria 754, comandada pelo Capitão Caçorino Dias, também com a especialidade de Comando. Esta força foi emboscada este  Oficial ficou cego ( Clica aqui para leres a crónica da CCAV 754), em consequência de ferimentos sofridos. e o Tenente Carvalho Araújo morreu. Os homens do agrupamento de Comandos acreditam até hoje que tudo não passou de uma cilada.

O descanso dos guerreiros


Um militar em operações sonha com o dia em que no próximo descanso operacional. Os militares do agrupamento de Comandos não escapavam a essa regra. No entanto alguns descansos tornaram-se  memoráveis pelos inusitados acontecimentos sucedidos.

Resolvidos os problemas em NAMARRÓI, os militares gozaram de um período de descanso em QUELIMANE. O primeiro dia desse descanso tornou-se memorável. Comandava o Agrupamento o Capitão Serrano, que tinha a particularidade de usar um revólver com tambor, com coronha em madrepérola.

Este Oficial pedia frequentemente a alguém que atirasse o chapéu ao ar e, quando este esvoaçava sobre as cabeças, o Cap. Serrano disparava sobre o chapéu.

No primeiro jantar este Capitão juntou-se aos graduados do Agrupamento num restaurante da cidade. A dada altura vieram dizer-lhes que uns miúdos brincava em redor dos Unimogs. O Capitão Serrano, para acabar com a brincadeira dos catraios, mas não se querendo importunar com o assunto, dispara dentro do restaurante, o que provoca um enorme alvoroço na população que nunca havia assistido a tal.
Depois do jantar os militares assistiram assistiram a um espectáculo de variedades de uma companhia de Teatro Metropolitana. Como não tinham outra roupa, os Comandos assistiam ao show, de camuflado, armas e granadas presas aos suspensórios , ante o olhar atónito e espantado dos civis, que evitaram os lugares perto dos militares cuja fama se espalhava rapidamente pela cidade. Terminado o espectáculo, a visita a alguns bares originou um excesso de álcool que não terá sido alheio a umas corridas de Unimogs pelas ruas da cidade em grande velocidade, que só por milagre não causou vítimas.
Depois de terminada a disputa automobilística, os oficiais à casa onde pernoitavam e acharam por bem montar o morteiro na entrada da mesma. A dona da casa entre aflita e incrédula ante o que via, pediu que guardassem as granadas num cofre da casa, ao que os militares acederam.
No dia seguinte veio a ordem de marcha imediata para o Norte e, com pressa e o resto dos vapores do álcool os homens esqueceram as granadas no cofre. A dona da casa enviou um telegrama a perguntar por vias ínvias, o que fazer ao recheio do cofre. O Alferes Sacadura mandou-a lançar tudo ao mar.
Da esqº para a Dirª Cap. Serrano, Gen. Cairo Carrasco
e o Cap. Videira, comandante do CIC- Namaacha
Num outro descans, desta vez em LOURENÇO MARQUES, o Gen. Carrascomandou o Agrupamento para a PONTA MAHONE, para que as pessoa da cidade não ficassem horrorizadas com o seu comportamento. Passados poucos dia apareceram por ali dirigentes do MNF, a  oferecer recordações e a quererem falar com os militares. A própria Supico Pintodirigindo-se a um militar perguntou-lhe se conhecia o Movimento. Este respondeu de pronto: Não, não conheço nada dessa merda!
A população civil da PONTA MAHONE recebeu os militares muito bem, oferecendo bolas de futebol, equipamento e tabaco. Os alferes foram agraciados com canetas Parker com os nomes gravados. No entanto em LOURENÇO MARQUES os militares repararam que ninguém falava de guerra. Era uma coisa distante de que as pessoas não tinham consciência. Os soldados ao repararem nisso sentiram alguma frustação.

Atribulações da Guerra


Estando o Agrupamento numa intervenção em MUEDA, foi-lhes apresentado um novo Capitão que deveria substituir o que comandara os Grupos  até então. Este Capitão tinha cumprido já bastantes meses da sua comissão, e portava-se como um teórico sem muita experiência de terreno.

A primeira missão que solicitou ao Agrupamentofoi a de fiscalizarem uma picada onde a FRELIMO emboscava as viaturas frequentemente, e minava em diferentes pontos. O método que deveriam utilizar seria revolucionário, mas suscitou aos oficiais comandantes dos dois Grupos as maiores dúvidas, sobretudo porque era grande o perigo de os homens serem atingidos por fogo amigo.
O novo método em fazer caminhar em fazer caminhar um Grupo pela picada , dividida em dois, costas com costas, virados para a mata e prontos a disparar ao mais pequeno sinal da presença de guerilheiros. O outro Grupo deveria seguir pela mata e prontos a disparar ao mais pequeno sinal da presença guerrilheiros. O outro Grupo deveria seguir pela mata e reunir-se aos seus camaradas da picada num determinado ponto. A ideia era provocar o inimigo, que atacaria quando visse uma força reduzida na picada, e seria surpreendido assim que fosse  atacado pelas costas pelo Grupo que seguia pela mata. Na prática , a aproximação à picada por parte do Grupo que caminhava na mata fêz-se ligeiramente antes do ponto marcado, devido às evidentes dificuldades em discurtinar no mato o local da picada exacto. O militar que seguia à cabeça da coluna ao vislumbrar movimentos na mata abriu fogo, no que foi secundado pelos restantes camaradas. Quando se aperceberam que eram os elementos do outro Grupo já haviam morrido 3 e 6 estavam gravemente feridos. O Capitão foi corrido, e o Alferes Cabral Sacadura assunmiu o comando do Agrupamento, como oficial mais velho dos dois Alferes,
Alferes CMD. José Mayer Cabral Sacadura
No período inicial, quando o Grupo estava nomadizado na serra de MECULA , decidiu-se montar um acampamento na encosta. O Alferes Sacadura percebeu que sempre que sempre que podiam os homens desciam a encosta para chegar a um aldeamento onde as mulheres os recebiam muito bem, havendo alguns que já tinham companheira certa.
Decidiu o Alferes construir um bairro militar. Quando as palhotas estavam edificadas disse aos homens que tivessem mulher podia ir buscá-la e viver com ela no bairro. O Alferes construíu uma palhota para ele e colocou um letreiro que dizia PALHOTA DO CHEFE DA POVOAÇÃO. Na entrada do conjunto de palhotas outro letreiro inormava: BAIRRO MILITAR DE MECULA.
A dada altura o Bairro foi visitado por um Tenente da inspecção militar. Este Oficial dparou com uma bengala cheia de cornos de animais que o grupo tinha abatido para o seu sustento. Esta bengala encontrava-se perto do pau da Bandeira. O Alferes Sacadura ao verificar o interesse do Tenente disse-lhe: "Isto não é para a sua cbeça, é só para o pessoal que está aqui". O Tenente lá partiu para elaborar o seu relatório.
Os comandantes do Agrupamento de Comandos
Alferes Gafarot e Cabral Sacadura
Ao fim de mais de 30 meses de comissão, o Agrupamento foi chamado a LOURENÇO MARQUES. Os militares encontravam-se num estado lastimável, com vários casos de paludismo , e em situação psicológica não muito animadora.Pensavam que a sua tarefa tinha finalmente terminado mas enganaram-se. Após um curto período de descanso tiveram de ir em missão de protecção ao transporte de lanchas da Marinha do LUMBO a METANGULA. Ali permaneceram 3 meses.Click aqui para ler a crónica "Operação ATUM"
 Em Janeiro de 1966 terminaram a sua comissão de serviço e regressaram a LISBOA, passando logo de seguida à situação de disponibilidade.
A GUERRA INTENSIFICAVA_SE EM MOÇAMBIQUE

A excessiva proximidade com o General Caeio Carrasco e a independência excessiva do Agrupamento de Comandos da NAMAACHA, face ao Batalhão de Comandos de Angola, ditaram a descontinuidade do projecto de Moçambique.

Assim, as Companhias de Comandos foram umas formadas em LAMEGO e outras em ANGOLA.
Em Maio de 1966 chegou a Moçambique a 2ª CCMDS que foi formada em ZEMBA (ANGOLA).

  2ª Companhia de Comandos

Unidade Mobilizadora:  CIC - Luanda

Comandante: Cap. Jaime Neves
Chegada à RMM: 06 de Maio de 1966
Regresso: 5 de Fevereiro de 1967

Sintese da actividade operacional

Vindos de Angola, onde receberam a instrução e o respectivo crachá de Comandos, a 2ª CCMDS chegou ao LUMBO (MOÇAMBIQUE) onde esteve aquartelada, em 23 de Maio de 1966.
Esta Companhia, ao longo da sua estadia no LUMBO, granjeou
Esta Companhia, ao longo da sua estadia no LUMBO, granjeou por parte da população civiluma onda de solidariedade e amizade que se traduziu no texto publicado no Diário de Notícias de Lourenço Marques
Parte do LUMBO para LOURENÇO MARQUES, a 2ª CCmds, donde embarcará muito em breve para a Metrópole, após ter terminado a sua Comissão em Moçambique. Esta Companhia chegou ao LUMBO em 23 de Maio de 1966 , vinda de Angola, logo cativando todo o povo desta povoação, pela sua simpatia, pelo seu comportamento exemplar nas relações com os civis, pelo seu brilho e orgulho na farda que envergavam, bastando poucos momentos de contacto para que toda a população os considerasse tropa de élite.
Militares aprumados, briosos, corajosos e disciplinados, comandados por um excepcional omandante e que muito contibuiu para o grande êxito que os seus homens realizaeam na luta cintra o terrorismo no Norte de Moçabique. É com imensa que os vemos partir, mas ao mesmo tempo satisfeitos por termos vivido lado a lado, durante 14 meses e por verificarmos com orgulho que, com tais soldados, a viória final na luta que estamos empenhados não irá longe.
No momento desta companhia, não queremos de saudar com admiração, todos os seus homens e desejar-lhes imensas felicidades nas novas missões que irão desempenhar pela vida fora. na hora da partida  também não nos esqueceram, deixando uma placa comemorativa, da sua passagem nesta terra, junto ao Posto Administrativo, com a seguinte inscrição:

     Testemunho de Perfeito Nogueira  Soldado 16/65 da 2ª CCmds

Em 31 de Janeiro de 1967 fomos fazer uma operação na zona de MUEDA, mais propriamente no VALE DE MITEDA. Zona de grande risco para as nossas tropas. Ao 5º Grupo ao qual eu pertencia foi-lhe atribuída a missão de tentar anular o perigo que aquela zona representava. Tudo decorri dentro da normalidade com todos os cuidados que a operação merecia. Até que de repente...BUM!!!!. Rebenta uma armadilha. Fui a maior vítima. Estive dois anos em recuperação em Moçambique e Lisboa. Ainda hoje e já com 70 anos e ainda com muitos estilhaços no corpo tenho alguma limitações físicas. Apesar de tudo sinto-me tranquilo com tudo o que aconteceu naquela maldita guerra.




 4ª Companhia de Comandos



Unidade Mobilizadora: C.I.O.E-Lamego
Comandantes: Cap. Cmd Horácio Valente; Cap.Cmd Glória Alves e Alf.Milº Cmd Gonçalo Fevereiro
Chegada à RMM: 9 de Novembro de 1966
Regresso à Metrópole: 24 de Novembro de 1968

Síntese da actividade operacional: Esteve aquartelada em VILA CABRAL e operou em todo o Distrito do NIASSA. O Capitão Horácio Valente, viria a falecer em 10 de Agosto de 1968, vítima de uma mina anti-carro na Picada NOVA COIMBRA-METANGULA.



 7ª Companhia de Comandos

Unidade Mobilizadora: C.I.C Luanda
Comandantes: Cap. Cmd Abreu Cardoso; Cap; Cmd Ribeiro Moura
Chegada à RMM: 21 de Julho de 1966
Regresso à Metrópole: 8 de Outubro de 1968

Síntese da actividade operacional: O seu aquartelamento foi nos arredores de MOCIMBOA DA PRAIA no Distrito de CABO DELGADO, tendo operado em MACOMIA e MOCUJO.

Também operou no Distrito do NIASSA designadamente em MEPONDA E LUNHO.



 9ª Companhia de Comandos




Unidade Mobilizadora: R.A. 1-Lisboa
Comandantes: Cap. Cmd Maurício de Sousa; Ten. Cmd Baptista da Silva; Cap.Cmd Júlio Oliveira
Chegada à RMM: 15 de Julho de 1967
Regresso à Metrópole: Setembro de 1969

Síntese da actividade operacional: O seu aquartelamento foi em MONTEPUEZ em CABO DELGADO. Operaram em todo o Distrito designadamente em MACOMIA e na Serra MAPÉ



 10ª Companhia de Comandos



Unidaade Mobilizadora:R.A.1- Lisboa

Comandantes: Cap.Cmd Fernandes Maqueijo; Cap. Cmd Nascimento Viçoso
Chegada à RMM: 7 de Dezembro de 1967
Regresso à Metrópole: 27 de Dezembro de 1969

Síntese da actividade operacional: O seu aquartelamento foi no SAGAL e o descanso em Porto Amélia no Distrito de CABO DELGADO 


17ª Companhia de Comandos

Unidade Mobilizadora: C.I.C - Luanda
Comandantes: Cap.Cmd João Baptista Serra; Ten. Cmd Casaca Pulguinhas
Chegada à RMM: 22 de Junho de 1968
Regresso à Metrópole:  8 de Agosto de 1970

Síntese da actividade operacional:


Ficaram aquartelados em MONTEPUEZ e tiveram imensa actividade em MUEDA e NANGOLOLO. Foram render a 18ª a VILA CABRAL e mais tarde regressaram a MONTEPUEZ. Também actuaram no Distrito de TETE




 18ª Companhia de Comandos


Unidade Mobilizadora: C.I.O.E Lamego

Comandantes: Cap. Cmd Albano Gama Diogo; Ten.CMD Horácio Jesus Ferreira
Chegada à RMM: 21 de Outubro de 1968
Regresso à Metrópole: 19 de Dezembro de 1970

Esta Companhia, operou 9 meses no Distrito do NIASSA, sendo o seu quartel em VILA CABRAL. Também operou em Cabo Delgado na zona de NANGOLOLO, SAGAL, MUEDA,. Fazia descanso em MONTEPUEZ. Foi uma boa Companhia operacional, tendo ficado na história no assalto à Base da Frelimo denonominada Gungunhanha na operação Nó Górdio onde capturou muito material de guerra ligeiro e pesado. Clik aqui para ler a crónica, operação Nó górdio contada por quem lá esteve


 21ª Companhia de Comandos

"Aqui Estamos"

Unidade Mobilizadora: C.I.C. Luanda

Comandantes: Cap. Cmd Rui Salvado; Alf.CMD Cardoso Borralho
Chegada à RMM: 27 de Agostp de 1969
Regresso à Metrópole: Agosto de 1971

Síntese da actividade operacional:

 O seu aquartelamento foi em MUEDA. Participaram com as 18ª e 23ª na Operação Nó Górdio. Faziam descanso em MONTEPUEZ.

 23ª Companhia de Comandos

De 10 de Abril a 28 de Junho de 1969, realizou-se no C.I.O.E de Lamego a 1ª Parte do 2º Curso de Comandos (Formação de Quadros).

Em 16 de Junho de 1969dá-se início à formação da 23ª CCMDS (Quadros + Praças)
Em 4 de Agosto de 1969 parte para Angola, onde a 13 de Agosto a 26 de Novembro sob o Comando do Capitão Comando Rui Antunes Tomás frequentam em Luanda o 16º Curso de Comandos.

Composição da 23ªCCMDS


1 Capitão; 5 Alferes; 20 Furrieis e 103 Praças. A estes juntavam-se como elementos de apoio: 1 Tenente Médico; Um 1º Sargento; 4 Furrieis; 11 Cabos e 33 Soldados.

A 23ª CCMDS saiu de Luanda em 12 de Dezembro de 1969 e chegou a MONTEPUEZ (Moçambique) a 31 de Dezembro. Até 15 de Fevereiro de 1970 foi "arrumar" a casa onde se estava a arrumar o Batalhão  de Comandos de Moçambique, comandado pelo Capitão Comando Júlio Faria Ribeiro de Oliveira.
A 23ª CCMDS teve 5 Comandantes a saber: Cap.Cadete; Cap. Belchior; Ten.Ferreira da 18ª numa passagem fugaz;Ten. Casaca Pulguinhas e Alf. Pinho como Comandante interino

                                                            Períodos Operacionais



15-01-1970 a 15-02-1970 em MACOMIA 
07-01-1970 a 14-04-1970 em MUEDA
28-05-1970 a 07-09-1970 em NANGOLOLO
22-03-1971 a 14-10-1971 em FURANCUNGO; ESTIMA; MOATIZE
01-11-1971 a20-11-1971 em MUEDA

712 Dias em Moçambique

Chegada; arrumar, armar e preparar-se 15 dias
Regresso: à espera de embarque 15 dias
Operacionalidade 435 dias 
Descanso entre operações: 239 dias


Tombaram em combate

Júlio Ribeiro de Oliveira a 27-01-1970
Fernando M. Agostinho S. Luís a 23-06-1970
João de Almeida a 23-12- 1970





28ª Companhia de Comandos

"Os Tigres"


Unidade Mobilizadora: C.I.O.E. de Lamego

Comandantes: Major Cmd Jaime Neves; Cap. Graduado Cmd Cardoso Borralho;
Chegada à RMM: 3 de Agosto de 1970
Regresso: Julho de 1972
Síntese da Actividade Operacional: Ficaram estacionados em Montepuez, no Batalhão de Comandos , onde fizeram a 2ª fase da instrução no Distrito de Cabo Delgado. Aqui aactuaram nas zonas de MUEDA. Depois de receberem o crachá, partiram para o Distrito de Tete, onde actuaram em CHICOA

29ª Companhia de Comandos

"Os Sabres"




Unidade Mobilizadora: C.I.C Luanda
Comandantes: Capitão Cmd Baptista Morais
Chegada a Luanda: 4 de Agosto de 1970
Chegada à RMM: 4 de Dezembro de 1970
Regresso: 8 de Novembro de 1972
Síntese da Actividade Operacional: A concentração desta Companhia, fez-seno C.I.O.E em LAMEGO, a partir de 15 de Julho de 1970. Embarcaram com destino a Luanda em 25 de Julho, onde desembarcaram a 4 de Agosto.
Em 17 de Agosto teve início no C.I.C em Luanda o 19º Curso de Comandos.
A 29ª CCMDS  foi inicialmente criada e constituída em 31 de Outubro.
Embarcaram em LUANDA em 4 de Dezembro com destino a Moçambique tendo desembarcado em PORTO AMÉLIA em 21 de Dezembro.
A 1ª Intervenção foi de 11 de Janeiro de 1971 a 17 de Março e foi realizada no Sector "B", em ANTADORA e DIACA
De 12 Julho a 29 de Julho de 1972 a Companhia estacionou em MUEDA e tomou parte na Operação "Linda" que se desenrolou nas bases Gungunhanha e Nampula
A 6ª Intervenção que se efectuou de 12 de Abril a 13 de Junho de 1973, foi uma das mais destacadas. Efectuou-se na ZOT. Com base em M`SACAMA e com 2 Grupos de Combate destacados. Um em CALDAS XAVIER como força de reacção e o outro em VIÚVA HENRIQUES.
A Companhia desenvolveu intensa actividade operacional e efectuou as Operações: "MOCA"; "MELRO"; "MILHAFRE"; "REPIMPA"; "RETIRO"; "ROCAMBOLE"; "ROLETO" e "RICOCHETE", sendo nesta sido abatido DAMIÃO ZACARIAS, conhecido Comandante da FRELIMO.
Pela acção viria mais tarde a ser concedida à Companhia por Sua Exª o General Comandante-Chefe um prémio pecuniário de 50 contos.a
Na foto está sinalizado no quadrado a zona de actuação da
29ª CCMDS na zona de Tete
De 29 de Julho a 12 de Agosto de 1972 actuou na zona do GURO e de 12 Agosto a  16 de Outubro de 1972 novamente em M`SACAMA onde encontrou uma nítida acalmia e retracção do IN, a par dos bons resultados da intervenção anterior.
A 29ª CCMDS realizou no total 7 Intervenções, sendo a última de 12 Julho  a 16 de Outubro de 1972 e desenrolou-se em CABO  DELGADO, CTC e ZOT


Resumo dos resultados obtidos


48 IN abatidos

10 IN feridos
160  Pessoas capturadas
2 Canhangulos capturados
43 armas automáticas capturadas
84 granadas de canhão c/recuo
1 Morteiro capturado
2 LGF capturado
Centenas de munições capturadas.
Por acidente com arma de fogo morreu um militar Português,
Bernardino Ribeiro, junto ao armamento capturado,
à Frelimo
32ª Companhia de Comandos

"Os Sabres"


Unidade Mobilizadora: C.I.O.E- Lamego
Comandantes: Tenente Cmd Fonseca Carapeta
Chegada à RMM: 5 de Fevereiro de 1971
Regresso: Março de 1973
Síntese da Actividade Operacional:
Ficaram estacionados no Batalhão de Comandos em MONTEPUEZ, onde receberam a 2ª fase da Instrução.
Durante a Instrução actuaram em MUEDA e NANGOLOLO, no Distrito de Cabo Delgado
Depois de receberem o cráchá partiram para o Distrito de Tete


34ª Companhia de Comandos

"OS Centuriões"
Unidade Mobilizadora: C.I.O.E- Lamego
Comandantes: Alf.Milº  Cmd Mendonça Arrais; Cap.Cmd. Reis Moura; Cap.Cmd Leite Moreira
Chegada à RMM: 8 de Junho  de 1971
Regresso: Outubro de 1973
Síntese da Actividade Operacional
Ficaram instalados no Batalhão de Comandos em MONTEPUEZ, onde receberam a 2ª fase da Instrução
Depois de receberem o cráchá, partiram para o Distrito de Tete onde actuaram nas zonas de CHICOA, TEMANGOU, CHINANDE, PANDIRA e ESTIMA.

     
2040ª Companhia de Comandos

"Os Bruxos"



Unidade Mobilizadora: C.I.O.E- Lamego

Comandantes: Tenente Cmd Vasco M. Charters Ribeiro Godinho
Chegada à RMM:19 de Julho de 1972
Regresso: 5 de Setembro de 1974
Síntese da Actividade Operacional
Ficaram estacionados no Batalhão de Comandos em MONTEPUEZ, onde receberam a 2ª fase da Instrução.
Depois de receberem o cráchá partiram para o distrito de Tete onde actuaram nas zonas de: CHICANGA; MUNGARI e CAMIACULO. Em 1973 estiveram em VILA GOUVEIA
 Charters Godinho, Comandante da 2040 CCMDS

2043ª Companhia de Comandos
"OS Justiceiros"


Unidade Mobilizadora: C.I.O.E- Lamego

Comandantes: Capitão Cmd João Ventosa
Chegada à RMM: 21 de Maio de 1973
Regresso: 30 de Setembro de 1974
Síntese da Actividade Operacional
Ficaram estacionados no Batalhão de Comandos em MONTEPUEZ, onde receberam a 2ª fase da Instrução. Durante a Instrução actuaram na zona de MUEDA, no Distrito de Cabo Delgado.
Depois de receberem o crachá, partiram para o Distrito de Tete, onde actuaram em: ESTIMA e MUNGARI. Em LOURENÇO MARQUES confrontaram-se com grandes manifestações populares anti-independência.

  
2045ª Companhia de Comandos

"Brigada do Diabo"
Gen. Joaquim Cunha, Comandante das FA em Angola,
entrega o guião da 2045ªCCmds, ao seu Comandante
Alf.Milº Cmd  Feizardo João Pinto Rijo
Unidade Mobilizadora: C.I.O.E. Lamego
Comandantes: Alf.Milº Cmd Pinto Rijo; Alf.Milº Manuel Martins; Cap.Cmd Antunes Lopes
Cap. Milº Cmd Ribeiro Moura
Chegada à RMM: 22 e 26 de Maio de 1973
Regresso: 30 de Outubro de 1974

Síntese da Actividade Operacional


Desembarcou em Luanda em 23 e 27 de Maio de 1973, a fim de receber Instrução no C.I.C.

Terminou o respectivo Curso em 12 de Outubro de 1973 e seguiu para Moçambique onde desembarcaram na Cidade da Beira em 19 e 21 daquele mês.
Executou actividade operacional em Tete; VILA PERY; BEIRA; NAMPULA e LOURENÇO MARQUES.
Além da actividade operacional normal, foram-lhe atribuídas missões de segurança e de manutenção de ordem pública.

21 Outubro de 1974. Um grupo de Soldados Comandos
da 2045 em Lourenço Marques. 




4040ª Companhia de Comandos
"OS Lordes"

Unidade Mobilizadora: C.I.O.E. Lamego

Comandantes: Cap. Cmd Rosa Falcão; Ten.Cmd Riquito Soares; Cap.Cmd Antunes Lopes
Cap. Cmd Cardoso Caldeira
Chegada à RMM: 19 de Outubro de 1972
Regresso: 9 de Outubro de 1974


Síntese da Actividade Operacional


Estiveram aquartelados em MONTEPUEZ onde tiveram intensa actividade. Mais tarde prestaram essencialmente apoio às populações.


Agradecemos neste modesto testemunho a colaboração dos camaradas:

Perfeito Nogueira da 2ª CCMDS
Serafim Pereira da 18ª CCMDS
José Pinho da 23ª CCMDS
Bernardino Ribeiro da 29ª CCMDS

As tropas Comando, nos três teatros da guerra do Ultramar, Angola, Guiné e Moçambique, sofreram 357 mortos, 28 desaparecidos e 771 feridos.


O Batalhão de Comandos de Moçambique


Quando a 9ª Companhia de Comandos,. terminou  a sua Comissão em Setembro de 1969, o então Comandante da RMM, Gen.Kaúlza de Arriaga, soube que o Capitão Júlio Oliveira, iria continuar em Moçambique para terminar a sua Comissão.Como este oficial tinha trabalhado em Angola com o então Major Santos e Castro na organização dos CI 16; CI 25; e CIC.

O Capitão Júlio Oliveira, estava prestes a ser promovido a Major, o que não veio a acontecer, o General Kaúlza, após uma conversa com o Capitão Oliveira e após um rápido planeamento com o seu  Estado Maior, decidiu organizar, a nível da Regia Militar, o Batalhão de Comandos de Moçambique.
O Gen. Kaúlza de Arriaga, ladeado pelo Major Jaime Neves e
pelo Cap. Júlio Oliveira a presidir a uma cerimónia do
Batalhão de comandos de Moçambique.
A criação deste batalhão, fica a dever-se unicamente à vontade e ao apoio dado pelo Gen.Kaúlza de Arriaga a partir do final de 1969.
Foi evidente que a criação do Batalhão de Comandos de Moçambique, a concentração das 4 Companhias idas da Metrópole em Montepuez e a formação de 9 Companhias de Comandos com o recrutamento da Província foi devido à acção desenvolvida pelo en.Kaúlza. Das relações exteriores à burocracia existentes com o CEME e muito em especial com o Ministro da Defesa, foram bem difíceis e demoradas. O problema do pessoal só minimamente resolvido a partir de Lisboa, acabando por ser através de graduações em série, especialmente nas classes de sargentos e Oficiais a solução encontrada. Os serviços ficaram a cargo de CCS de vários Batalhões.
O CIC de MONTEPUEZ, criou entre 1970 e 1974, nove companhias operacionais, que formaram o Batalhão de Comandos de Montepuez, à razão de 2 por ano. Estas Companhias serão numeradas da 1ª à 9ª (sendo esta última designada também como 1ª/74).
Existiu ainda uma 10ª Companhia (2ª/74) que não logrou terminar o seu Curso, pois ficou sempre pendente a última fase de instrução - Prova Operacional - que não se realizou por entretanto o país se encontrar já em fase de negociação com vista à independência.
Foi nomeado Comandante do Batalhão o então Capitão Júlio Faria Ribeiro de Oliveira. O Comandante por ser Capitão criou um facto insólito, que acabou por criar mais algumas dificuldades, mas também algumas vantagens, não sendo a menor.

Comandantes do Batalhão


Cap. Cmd: Júlio Faria Ribeiro de Oliveira de 01-10-69 a 13-03-1972

Maj.Cmd: Jaime Alberto Gonçalves das Neves de 14-03- 1972 a 19-11-1973
Maj.Cmd Artur Teófilo da Fonseca Freitas de 20-11 a 19-08-1974
Maj. Cmd Manuel da Glória Belchior de 20-08-1974 a 04-02-1975

O Batalhão de Comandos foi extinto em 4 de Fevereiro de 1975

Foram incorporadas no Batalhão de Comandos de Montepuez as CCMDS que foram formadas em LUANDA e em LAMEGO. Foram as 17ª: 18ª; 21ª; 23ª; 28ª; 29ª; 32ª: 34ª; 2040ª; 2043ª; 2045ª; 4040ª.
13 de Abril de 1970. Cerimónia da constituição  da 1ª CCMDS
de Moçambique. Na foto o Cap. Matos Gomes, seu Comandante,
e o Cap. Júlio Oliveira, Comandante do BCMDS de Moçambiq1ª Companhia de Comandos de Moçambique

1ª Companhia de Comandos
"OS Escorpiões"

A 1ª CCMDS de Moçambique, foi criada no CIC de MONTEPUEZ. Iniciou o seu Curso em 2 de Janeiro de 1970 e terminou o seu Curso em 13 de Abril do mesmo ano.

Receberam o crachá 100 homens. Foi comandada inicialmente pelo então Capitão CMD Matos Gomes, sendo a única formada na RMM a participar em Julho e Agosto de 1970 na Operação "Nó Górdio", no Agrupamento "IA" onde estiveram, onde estiveram  outras Companhias oriundas da então Metrópole. Os Comandantes dos Grupos eram os Alferes: Manuel Frade; Sérgio Amargas; David Calrão; André Canto e Castro e Francisco Ramos.
VAI!!! CUMPRE O TEU DEVER.
Crachá entregue ao melhor Instruendo do Curso da
da 1ª CCMDS/MOÇ
2ª Companhia de Comandos

" Insaciáveis"


A 2ª Companhia de Comandos de Moçambique foi formada no CIC de MONTEPUEZ e era composta por um punhado de voluntários seleccionados na Escola de Aplicação Militar de Moçambique em BOANE.

O Curso iniciou-se em 24 de Agosto de 1970 com um total de 183 Instruendos do Contingente Geral e terminou a 30 de Novembro daquele ano com a imposição dos crachás a um total de 121 homens.
Foi seu Comandante, o Capitão CMD Manuel Frade que seria substituído pelo Capitão CMD Pedro Falcão.
Grandes foram as dificuldades e os sacrifícios enfrentados durante o Curso, ao qual sempre com um sorriso nod lábios e os olhos postos no infinito foram vecidas.
A 2ª  CCMDS/MOÇ. "Os Insaciáveis" apresentando
as armas capturadas ao IN.
100 Espingardas Simonov, 20 minas anti-carro e diverso
material de guerra.
3ª Companhia de Comandos de Moçambique

"Os Gatos"






O pessoal da 3ª Companhia de Comandos de Moçambique foi na sua quase totalidade incorporada neste Estado de Moçambique, sendo as Praças do 2º turno de 1970 e os quadros da incorporação de Agosto de 1970
A 14 de Janeiro de 1971 foi presente no Batalhão de Comandos em MONTEPUEZ , onde iniciou o 3º Curso de Comandos de Moçambique a 15 de Janeiro daquele ano. A 24 de Abril do mesmo ano terminou o 3º Curso , sendo na mesma data constituída a 3ª CCMDS de Moçambique

Comandantes: Cap. CMD Glória Alves
Ten. CMD Victor Manuel Caldeira

OPERAÇÃO BADANAL 1

No período compreendido de 15 de Maio a 13 de Junho de 1971, actuou na zona do IN na área do complexo de da Base NEGUNANO até à região da Base BEIRA. No dia 13 de Junho a companhia foi recuperada em helis para OMAR.

Resumo dos resultados obtidos

3 IN abatidos; 2 In capturados
Capturadas 3 Espingardas Simonov; 2 Canhangulos; 1 Carregador de Espingarda kalasnikov
Destruídas:1 Base BEIRA; 1 Destacamento IN; vários acampamentos e palhotas
Rebentada umamina anti-carro reforçada com uma bomba de avião.

Baixas

Morto o Soldado "Comando" José Eduardo Mendes Areias; 
Ferido o Soldado "Comando" Manuel Gonçalves Dias 

Pessoal a distinguir

Alferes Milº "Comando" Joaquim Manuel Rodrigues Luíz, que sózinho abateu 3 IN armados e capturou-lhes as armas.

OPERAÇÃO BADANAL 2--1ª FASE

De 21 de Junho de 1971 a 23 de Junho nomadizou numa passagem para a antiga Base do IN N`TUTUMA

Resumo dos resultados obtidos

 Capturados:1 Homem e 1 mulher: 2 Espingardas Steyer; 30 palhotas destruídas.
7 Inimigos abatidos e 1 Ferido

Pessoal a distinguir

Soldado Gaspar da Conceição Nogueira

OPERAÇÃO BADANAL 2--2ª FASE

Nomadização do VALE do NANGE e NAVILONGO procurando detectar as Bases IN LIPOPO e LUFIGE, entre os dias 27 a 29 de Julho a 29 do mesmo mês.

Resumo dos resultados obtidos

2 Mulheres capturadas; 3 Canganhulos capturados e 15 palhotas destruídas
O Comandante do BCMDS/Moç, Cap. Júlio Oliveira, junto
a elementos da 3ª CMDS/Moç a analisarem parte do
material capturado à Frelimo
OPERAÇÃO BADANAL 2--3ª FASE

Nomadização ntre os dias 3 a 6 de Julho de 1971, no VALE de NACALENGA, região da Base IN LIMPOPO


Resumo dos resultados obtidos

Soldado Faquir António Olímpio


De 8 a 9 de Julho a Companhia patiu de OMAR em coluna auto com destino a MUEDA. Em 13 de Julho partiu de MUEDA em coluna auto com destino a MONTEPUEZ 


De 8 a 9 de Julho de Julho a Companhia partiu de OMAR em coluna auto com destino a MUEDA. A 13 partiu de MUEDA em coluna auto com destino a MONTEPUEZ onde chegou a 14.

De 14 de Julho a 13 de Agosto

Resumo no final da Comissão


Baixas em Campanha


12 Mortos

20 Feridos
1 Morto em acidente
7 evacuados por doença

Condecorações: Prémios e Louvores


1 Medalha de Mérito Militar de 3ª Classe

1 Medalha de Cruz de Guerra de 4ª Classe
1 Prémio Governador Geral de Moçambique
2 Citações elogiosas à Companhia 
1 Louvor do General Comandante Chefe
1 Louvor do Comandante do Sector "B"
8 Louvores do Comandante do BCMDS de Moçambique



4ª Companhia de Comandos de Moçambique

"Os Vingadores"

A 4ª Companhia de Comandos iniciou o seu Curso em 21 de Maio de 1971  e terminou em 31 de Agosto do mesmo ano. Durante o Curso na prova na prova Operacional foram capturadas duas Espingardas Simonof  e 4 IN capturados, foram apreendidos vários documentos e destruídos 2 acampamentos.
Na cerimónia da entrega dos Crachás esteve presente o Comandante Chefe, o General Kaúlza de Arriaga.
A Companhia era composta por e Grupos de 25 elementos tendo iniciado a sua actividade operacional em 14 de Setembro de 1971 em TEMANGAU; CINANGA; CHANGARA onde a 17 de Setembro faleceu vítima do rebentamento duma mina. o Omandandante da Companhia o Capitão  Pedro Rodrigo Branco de Morais Santos. 
Durante a sua Comissão foram efectuadas 8 Intervenções com os seguintes resultados:

O Grupo do Furriel João Salazar, 2º à esquerda
Resultados no final da Comissão:


53 IN abatidos> 17 IN feridos 58 IN capturados 16 armas capturadas14 Bases destruídas

29 Acampamentos destruídos
24 Granadas de Morteiro capturados
502 Elementos da população recolhidos para acampamento
1 Prato de morteiro 82 capturado.

Durante o Curso morreram os Soldados 
João Manuel da Silva Caetano
Manuel Fernando Moutinho

A 17 de Setembro de 1971 tomou posse como Comandante da Companhia o Capitão CMD Osvaldo Orico Pereira da Rocha. Comandou-a até ao fim da Comissão em 31 de Setembro de 1973.




5ª Companhia de Comandos de Moçambique

"Os Bravos"
Chegados em MONTEPUEZ a 10 de Novembro de 1971, a fim de frequentarem o 5º Curso de Comandos de Moçambique, logo bos habituámos a ver desde o início da sua actividade uma demonstração de coragem, tenacidade, e fé, um grupo de jovens aprumados que viriam a constituírem uma verdadeira tropa élite.
O pessoal da 5ª CCMDS/Moç foi incorporado neste Estado de Moçambique, sendo as praças, sendo as Praças do 2º Turno de 1971 da Escola de Recrutas na EAMM, os Sargentos e Oficiais do turno de 1971 do 1º Ciclo do CSM e do COM na EAMM.
Em 2 de Novembro de 1971 foi accionado o transporte dos elementos seleccionados para o 5º Curso, de LOURENÇO MARQUES para PORTO AMÉLIA no navio "NIASSA".
A 23 de Fevereiro de 1972 termina o 5º Curso de Comandos, sendo na mesma data constituída a 5ª CCMDS/Moç. É composta de 6 Oficiais, 17 Sargentos e 120 Praças, pessoal operacional e de 3 Sargentos e 30 Praças da Formação.
Sob o Comando inicial do Tenente CMD Lopes Martins e depois o Capitão CMD Garcia Lopes. A 5ª CCMDS/Moç CUMPRIU O SEU DEVER.

Actividades

Síntese Operacional


8 Intervenções em 530 dias

199 Dias de descanso (90 na Ilha de Moçambique; 99 em Montepuez e 10 em Lourenço Marques
34 Operações em média por Grupo. Uma média de de 115 dias por Grupo

Material apreendido


3 Espingardas "Steyer"

1 Espingarda "Mosin-Nagant"
18 Espingardas "Somonov"
7 Espingardas "Kalashnikov
1 Carabina ponto 22
1Espingarda "Mauser"
14 "Canhangulos"
6 Granadas de mão
35 carregadores de espingarda automática
44 Pentes de munição 7,62
1761 Munições de  7,62
3 Minas anti-carro

Final da prova de sede. A foto ilustra bem a dureza da
Instrução dos Comandos

Inimigos abatidos

82 Abatidos

13 Feridos
372 Autóctones recuperados

Mortos em Campanha


2 Mortos em combate

7 Mortos em acidente

Condecorações; Prémios e Louvores


1 Cruz de Guerra de 2ª classe a título póstumo ao Alf. Milº CMD João José Fonseca Nabais

6 Cruz de Guerra de 4ª Classe
2 Serviços Distintos com Palma
1 Louvor dado pelo CMDT do CODCB
27 Louvores dados pelo CMDT do BCMDS
10 Louvores Propostos pelo Gen.CMDT Chefe
18  Louvores Propostos pelo CMDT do Sector "B"

Depois de dois anos de actividade Operacional, os "BRAVOS" que constituíram a 5ª CCMDS/Moç souberam honrar os pergaminhos que todos os Comandos vão escrevendo com páginas de ouro debroado a sangue e folheadas com o matraquear da G3.


6ª Companhia de Comandos de Moçambique.

Corria o mês de Agosto de 1972 quando a 6ª CCMDS/Moç, recebeu os seus crachás, Tendo terminado o seu Curso. Para trás ficaram 3 meses de Instrução muito duros e outro de Prova Operacional que marcaria para sempre os "SOMBRAS". O primeiro facto relevante da História des Unidade ocorreu justamente durante esta última prova. Levados até `região de MACOMIA na Serra do MAPÉ no Sudeste de CABO DELGADO , foi-lhe atribuída a missão de detecção de um acampamento inimigo. Provando estarem estarem já em elevado nível operacional, os jovns da 6ª não só o detectaram como lograram atacá-lo com elevado índice de surpresa. Já dentro do acampamento IN, um Aspirante a Oficial deparou-se com um bébé, perto de sua mãe que já não foi possível salvar. Apesar das dificuldades da situação, a Companhia tomou desde esse momento a responsabilidade de cuidar do jovem Tomé, que os seguiu para toda a parte , o que incluía os momentos de descanso na Ilha de Moçambique.
Alferes Melo e o Tomé. Depois do gozo de curtas férias, a companhia iniciou a sua Comissão de Serviço nos últimos dias de Agosto, seguindo para a Província de TETE. Estacionaram junto ao Rio MAZOE, bem perto da ponte ferroviária que faz parte da estrada CHANGARA-TETE. Por ali foram acumulando missões de rotina outras, que por terem sido de elevada importância, levaram os Oficiais Superiores do comando da Região de se socorrerem de homens bem treinados e disciplinados, que lhes davam garantias de excelente execução das tarefas dadas, por mais difíceis que fossem. Em 16 de Dezembro de 1972, esta Companhia participou no triste 

episódio conhecido por "MASSACRE de WIRIAMU". 

Algumas foram as vezes em que actuaram em Cabo Delgado, nomeadamente na zona do vale de MITEDA. Mas, a guerra em Moçambique estava por aqueles dias focada em TETE e, foi em locais como MAZOE, MAVUQUI, ou ESTIMA que a 6ª deu o melhor de si. Registo para o ataque à pista de ESTIMA, quando a Companhia foi deixada praticamente sozinha e foi obrigada a responder apenas com os seus meios ao ataque dos guerrilheiros da FRELIMO. Os últimos dias da Comissão foram passados em INHAMINGA, ponto de elevada importância estratégica para a ligação ferroviária de Moçambique. A 6ª CCmds/Moç, sofreu sofreu durante o período de Instrução 3 baixas, em acidentes com armas de fogo. Esta situação era relativamente vulgar nas instruções de Comandos, onde as condições limite vivenciadas pelos instruendos levavam por vezes a erros que custavam a vida. Um lema que se ouvia nas instalações de MONTEPUEZ dizia que "A orte sanciona o erro" Os  militares que ali passavam eram desde logo ceso consciencializados que toda a concentração era indespensável face ao inimigo.Durante os dois anos de Comissão, a 6ª CCMDS/Moç teve vários feridos alguns com gravidade. Registou uma baixa mortal, ocorrida a 6 de Abril de 1973. O Soldado CMD, Gilberto Tembe, foi atingido pelo fogo inimigo no pescoço, numa Operação nocturna de aproximação a uma base em TETE.




O Tomé, Junto a Oficiais e Furrieis da 6ª CCMDS/Moçambique A Companhia foi a única a ser comandada praticamente durante toda a sua Comissão por um Alferes Miliciano. na realidade o Capitão CMD Gonçalo Fevereiro que comandou a Companhia durante a sua Instrução, adoeceu logo nas primeiras semanas , tendo sido substituído pelo Alferes Milº CMD Antonino Melo. Quando se restabeleceu aquele Oficial havia já cumprido o tempo da sua Comissão , tendo sido atribuído o Comando a título definitivo ao referido Alferes que foi graduado em Capitão. O Comando passou ainda interinamente pelo Alferes CMD Carvalho, quando o Capitão Melo se ausentava por qualquer motivo. Em Agosto de 1974, numa altura em que a situação política se degradava em Moçambique, a Companhia terminou a sua Comissão de Serviço. Alguns elementos, já na disponibilidade, tomaram parte, no mês seguinte, naquilo que ficou para a história como o 7 de Setembro de 1974 em Lourenço Marques, numa última tentativa de dar um sentido digno ao  esforço de todos os que combateram em Moçambique 7ª Companhia de Comandos de Moçambique



7ª Companhia de Comandos


Esta crónica foi retirada do Blog desta Companhia. Assinada pelo enviado especial do Diário de Notícias de Moçambique, Carlos Pinto Coelho, nos dias 25 e 26 de Fevereiro de 1973, a propósito do encerramento do 7º Curso de Comandos e formação da 7ª CCMDS/Moç. 

Quando a cerimónia terminou, um Alferes, muito jovem e muito cansado, afastou-se para uma sombra, neste dia quente, carregado de nuvens, abafado de humidade. E, quando lhe perguntei directamente porque razão tinha escolhido os Comandos, olhou-me com uma grande petulância e, atirou:Tem ideia melhor para mim no Moçambique de hoje? Há poucos minutos, neste terreiro engalanado e quente de MONTEPUEZ , 109 Comandos responderam que  SIM, dum grito arrancado às suas vontades à pergunta sacramental: QUERES SER COMANDO? 
A 7ª CCMDS/Moç estava formada, instruída e até já contava com cinco mortos (emocionalmente recordados na cerimonia da imposição de crachás). Desde hoje, Moçambique conta com os seus 7 Oficiais, 21 Furrieis e 83 Soldados.


General.Kaúlza de Arriaga a entregar ao Capitão
Abrantes dos Santos o guião da 7ªCCMDS/Moç
A Cerimónia

A cerimónia da imposição de insígnia e constituiçã da 7ª CCMDS/Moç foi presidida pelo Comandante-Chefe General Kaúlza de Arriaga
Grande multidão enquadrava  a Escola de Comandos para assistir à cerimónia do fim do Curso de Comandos que aqui se realiza.
Esta nova Companhia é composta por Africanos que, tal como os Europeus, são naturais de Moçambique.
No decorrer da cerimónia , o momento mais emocionante foi o da chamada aos  mortos, cinco elementos falecidos durante a Instrução. Três por doença, 2 por acidentes de armas de fogo. "Para nós eles não morreram" afirmou o Comandante do Batalhão Major Jaime Neves, nas palavras que proferiu a abrir a cerimónia.
A 7ª CCMDS/Moç. será comandada pelo Cap.CMD Abrantes dos Santos. No final da sua Instrução , esta Companhia realizou uma Operação que teve o nome de código"OUSADIA 3" e em consequência da qual foram abatidos cinco inimigos, quatro ficaram feridos e capturada uma espingarda Simonov. Esta Operação decorreu na região de MACOMIA.
Este 7º Curso foi iniciado por 3 Oficiais, treze Instruendos do COM, cinquenta Instruendos do CSM e cento e cinquenta Instruendos do contingente geral.
Obtiveram aproveitamento respectivamente, um Oficial, seis Instruendos do COM, vinte e um do CSM e oitentae três do contingente geral.



Armas capturadas ao inimigo, apresentadas ao
Capitão Abrantes dos Santos
Depois da continência que lhe foi prestada pela Forças na parada, um total de  3 Companhias, sob o comando dos Capitães Moura, carapeta e Abrantes dos Santos , das 23ª 34ª e 7ª de Moç, o General Kaúlza de Arriaga passou depois revista às mesmas. Mais tarde, o Major Jaime Neves, proferiu o tradicional grito de guerra comando: MAMA SUME! ao qual responderam todas as forças.

A 7ª CCMDS/Moç, foi formada em 25 de Fevereiro de 1973 e desmobilizou em 15 de Outubro de 1974.
Operou em MABE; MELUCO; DOA;NHAMCABOE e LOURENÇO MARQUES.

8ª Companhia de Comandos
" Hatari"



A 8ª CCMDS/Moç, foi formada em 9 de Setembro de 1973 e foi desmobilizada em 15 de Outubro de 1974.
Operou em MUEDA; MACOMIA; ESTIMA; LOURENÇO MARQUES; INHAMINGA e ALTO MOLÓCUÉ.
Foi comandada pelo Capitão Milº CMD Campos Carvalho.

9ª Companhia de Comandos
"OS Centuriões"



A 9ª CCMDS/Moç. foi formada em 3 de Março de 1974 e foi desmobilizado em 19 de Outubro de 1974.
Operaram já com outro tipo de guerra. Actuaram em grandes manifestações de pessoas em vários locais: BEIRA; LOURENÇO MARQUES E ANTÓNIO ENES.
Foi comandada pelo Alferes Milº CMD Amílcar Cardoza.