Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~


O Batalhão de Caç. 1891.. Cumprimenta com Amizade,todos os que visitam esta página..Forte abraço.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

AS PRIMEIRAS COMPANHIAS EM NOVA COIMBRA - LUNHO E MIANDICA DE 1964 1966

        NOVA COIMBRA- LUNHO- MIANDICA


TERRAS MÍTICAS  NA GUERRA DO ULTRAMAR EM MOÇAMBIQUE NO DISTRITO DO NIASSA
A DISTANCIA ENTRE ELAS ERA DE SENSIVELMENTE DE 40 KMS.
FOI LÁ QUE MORRERAM EM COMBATE VÁRIAS DEZENAS DE JOVENS SOLDADOS PORTUGUESES. 
FOI LÁ QUE O CAP. CAÇORINO DIAS DA CCAV. 754 FICOU  CEGO
FOI LÁ QUE O CAP. DUARTE PAMPLONA DA CCAV. 1505 FICOU AMPUTADO DAS DUAS PERNAS.
FOI LÁ QUE O CAP. HORÁCIO VALENTE DA 4ª CCMDS MORREU EM COMBATE.
FOI LÁ QUE O TEN. CARVALHO ARAÚJO DA CCS do BCAÇ 598 MORREU EM COMBATE

Companhia Cavalaria 568 do Batalhão de Cavalaria 571



Comandada pelo Capitão de Cavalaria José Miguel de Cabedo e Vasconcelos, desembarcou na Beira, a 27 de Outubro de 1963, sendo retirada temporariamente ao BCAV 571.
Em Janeiro de 1965, aquartelou em Congerenge, sob o comando do BCAÇ 598.
Em Agosto de 1965, transferida para Nova Coimbra, manteve a subordinação operacional àquele batalhão, que em Setembro de 1965, deslocado de Vila Cabral para Metangula assumira a responsabilidade de novo subsector (criado à custa da divisão do subsector de Vila Cabral). Destacou um pelotão para Mandimba. Efectuou patrulhamentos e nomadizações nas regiões de Messumba, Massange, Mechequene, Tandamula e Liponda. Participou em várias operações, designadamente: "Tilapa" nas margens do rio Mepotxe e "Campango", na região de Ambuzi-- N`Dalala.
Em Novembro de 1965, regressou ao Ile-Errêgo na Zambézia.

A 22 de Outubro de 1965, morreu em combate na Missão Católica de Nova Coimbra  Humberto Galvão Bacelar 1º Cabo Cripto da CCAV. 568



Comandada pelo Capitão de Cavalaria José Miguel de Cabedo e Vasconcelos, desembarcou na Beira, a 27 de Outubro de 1963, sendo retirada temporariamente ao BCAV 571.
Em Janeiro de 1965, aquartelou em Congerenge, sob o comando do BCAÇ 598.
Em Agosto de 1965, transferida para Nova Coimbra, manteve a subordinação operacional àquele batalhão, que em Setembro de 1965, deslocado de Vila Cabral para Metangula assumira a responsabilidade de novo subsector (criado à custa da divisão do subsector de Vila Cabral). Destacou um pelotão para Mandimba. Efectuou patrulhamentos e nomadizações nas regiões de Messumba, Massange, Mechequene, Tandamula e Liponda. Participou em várias operações, designadamente: "Tilapa" nas margens do rio Mepotxe e "Campango", na região de Ambuzi-- N`Dalala.
Em Novembro de 1965, regressou ao Ile-Errêgo na Zambézia.

CCS do Batalhão de Caçadores 598

Por: Eduardo Nunes





Comandada pelo Tenente Coronel de Infantaria, Joaquim Correia Ventura Lopes, embarcou com destino a Moçambique a 10 de Outubro de 1963.
Em Novembro de de 1963 a ZA do Batalhão compreendia todo o Distrito do Niassa, dependendo operacionalmente dele, além da CCS, 5 companhias operacionais que estendiam a sua acção através das Administrações de MECULA, MARRUPA, MAÚA, NOVA FREIXO, MANDIMBA, MECANHELAS, VILA CABRAL, MACALOGE, VALADIM, MANIAMBA, METANGULA, CÓBUÉ, e OLIVENÇA.
Nos primeiros meses da nossa estadia naquele Distrito efectuaram-se vários reconhecimentos e patrulhamentos, para o conhecimento do terreno da sua ZA, e contactar os núcleos populacionais existentes.
O ambiente nesta ZA, foi-se tornando cada vez menos favorável até que em 26 de Setembro de 1964 se registou o primeiro ataque, por elementos armados, em CÓBUÉ sobre a lancha da Marinha ali ancorada.
Face a este acontecimento, e outros rumores que se ouviam. Resolveu o Comandante do Batalhão, pôr em prática um conjunto de medidas, que pudessem enfrentar o inimigo em futuros ataques às nossas tropas estacionadas na ZA.

Algures entre Nova Coimbra e Maniamba.
Posto de abastecimento auto.
Tendo para o efeito reunido todo o pessoal operacional, e determinado a sua deslocação de VILA CABRAL para o CÓBUÉ, onde tiveram início manobras militares, afim de vasculharem todo o terreno, passando por MIANDICA, LUNHO, NOVA COIMBRA, toda a zona compreendida entre METANGULA, MANIAMBA, MEPONDA até ao ponto de partida VILA CABRAL.
A 23 de Novembro de 1964, em pleno exercício, aconteceu o que ninguém esperava.Na ZA triangular entre NOVA COIMBRA- METANGULA- MANIAMBA ocorreu um brutal acidente de viação com o capotamento de um Unimog, causando a morte imediata a um militar, conforme imagem em baixo.

Picada Nova Coimbra- Metangula
Mais um acidente, mais um morto

Este foi um dos negros dias do BCAÇ 598, durante a sua comissão de serviço em Moçambique de 1963 a 1966.

Acampamento no LUNHO

Ano de 1965, em Janeiro. De VILA CABRAL se deslocou, o Pelotão de Sapadores, foi o primeiro, que no rio LUNHO acampou. Junto da velha ponte que já existia, com tendas de campanha, seu quartel montou. Durante três meses muito choveu. Foi o tempo que lá ficou. Camas não haviam, para se dormir. Do capim se fez colchão. Dores no corpo fazia sentir, da dureza daquele chão. Para a ponte continuar a reconstruir, era essa a nossa missão. Sem ferramentas , e o tempo não o permitir. Para o não fazer tinha-mos razão.
A "velha" ponte do rio LUNHO
Também um forno se construiu , para coser o pão. Era eu o padeiro, encarregado dessa missão. Todos os dias se cosia, não faltava na hora das refeições. Durante três meses foi assim. A ponte como a encontrámos, quando fomos embora, na mesma a deixámos. Pelo inimigo éramos observados , tínhamos pouca segurança. Estávamos a ser cercados. Sem saber qual o dia da mudança. Esse dia chegou, para VILA CABRAL se marchou com o LUNHO na lembrança
31 de Maio de 1965. Na tarde triste daquele dia sangrento.O pessoal operacional, do BCAÇ 598,do qual eu fazia parte, encontrava-se estacionado em NOVA COIMBRA. Foi-nos solicitado para socorrer um pelotão da CCAV 754 (SETE DE ESPADAS), que acompanhava o Comandante do referido Batalhão, durante uma visita que efectuava à CCART 637 que estava acampada em Miandica


Hora do Rancho em Miandica
No regresso, e já próximo do Rio LUNHO, sofreram uma emboscada por elementos armados da FRELIMO. Em NOVA COIMBRA, foi recebido o pedido de socorro e de imediato partiu daqui o pessoal para o local do trágico ataque. Um Unimog, quando se preparava para arrancar, num momento de silêncio um tiro se ouviu. Olhei e vi, um camarada meu de nome Vasconcelos, que momentos antes, tinha subido para o Unimog, tendo ficado de pé encostado ao separador que divide a cabine da carroçaria, com o cano da arma na posição vertical encostado à cintura, cair para o chão. A sangrar de um ferimento causado por uma bala disparada pela sua própria arma.
Socorrido de imediato para a Base da Marinha em METANGULA, onde chegou sem vida. 
Eu e o restante pessoal seguimos para o local da emboscada, onde encontrámos seis mortos, cujos corpos estavam desfeitos em pedaços por todo o lado, Horror, todos pertenciam à martirizada  CCAV 754.
A referida companhia já estava nessa data acampada em NOVA COIMBRA, onde continuou até Fevereiro de 1966, data em que a CCS do BCAÇ 598 foi rendido em METANGULA.

A 31 de Maio de 1965, morreu em combate um militar da CCS do BCAÇ 598
A ....... de Junho de 1965 morreu em combate o Tenente Carvalho Araújo da CCS do BCAÇ 598


COMPANHIA DE CAÇADORES 612 



Comandada pelo Capitão de Infantaria Luís Augusto Tavares Soares da Cunha, desembarcou em 21 de Janeiro de 1964. Colocada em Vila Cabral, sob o comando operacional do BCAÇ 598,ali sedeado. De Julho de 1964 a Fevereiro de 1965, guarneceu Mandimba com uma secção. A actividade operacional da companhia, consistia em treino operacional e contacto com a população em acção educativa e medicamentosa.
Ocorrendo em 26 de Setembro de 1964, a primeira acção da FRELIMO, na região do Lago Niassa, com o ataque aos postos administrativos de Metangula e Cóbué, passou a efectuar patrulhamentos naquelas zonas. Em dezembro de 1964, destacou uma secção para Olivença, onde decorrido pouco tempo, devidoao agravamento da situação, passou para efectivo pelotão; substituído em finais de Outubro de 1965 pela CCAÇ 73. Reforçada com um pelotão de Fuzileiros, intensificou a actividade operacional nas zonas de Cóbué, Chitege, N`Gombe, Lipotxe e Olivença, resultando a destruição de três acampamentos em Chitege e Mapunda e a recuperação de cerca de 200 pessoas que se encontravam refugiadas nas matas. Tomou parte na operação "Jacaré Filho" na região de Chigoma junto ao Lago Niassa.
A partir de Setembro de 1965, ficou sob o comando do BCaç EV 7, que rendeu o BCAÇ 598, transferido para Metangula, onde assumiu a responsabilidade de novo subsector, criado na região do Lago Niassa.

COMPANHIA DE ARTILHARIA 637 


 Por: Faria Barbosa
  2º Sargento da CART 637
                        

A CART 637 do BART 639, comandada pelo Capitão de Artilharia Luis António Themudo Gagliardini, embarcou em Lisboa no navio "Niassa"em 1 de Abril de 1964, onde desfilou conjuntamente com as restantes unidades do Batalhão.
De imediato seguiu para NACALA onde desembarcou a 26 de Abril de 1964, seguindo por via terrestre para MAÚA, onde ficou aquartelada nas instalações de uma antiga fábrica de descasque de algodão.


Desfile em Lourenço Marques
Foi-lhe atribuída uma zona de acção que compreendia as áreas dos Postos Administrativos de MAÚA, REVIA, MUNGO e NIPEPE, por onde realizou várias operações de reconhecimento, e nomadização, acção psicológica e exercícios de preparação e treino operacional.
Em 12 de Janeiro de 1965 destaca 2 Grupos de Combate para reforçar a CCS do BCAÇ 598 instalada em VILA CABRAL. Estes Grupos de Combate exerceram actividade operacional nas zonas de MANIAMBA, CÓBUÉ, OLIVENÇA, MATACA e LIPOTXE.
Regressaram a MAÚA em 31 de Janeiro.
A 16 de Fevereiro de 1965 a CART 637 vai, na sua máxima força reforçar a CCS do BCAÇ 598na região de MANDIMBA, onde se previam acções de Grupos IN vindos do MALAWI.
Regressa a 1 de Março 1965.
Em 19 de Fevereiro de 1965 a CART 637 destaca para VILA CABRAL, em reforço da CCS do BCAÇ 598, e vai de imediato nomadizar na zona de NOVA COIMBRA, MIANDICA, montando um acampamento (base) em MESSUMBA a partir do qual fez vária operações.


Acampamento em Messumba
Em 29 de Maio 1965 a CART 637 monta nvo acampamento (base) entre MONHEERE e MIANDICA, a partir do qual realiza diversas operações nas zonas de ABILO. LIGANGO, MIANDICA e POMBAMALL.
Em 14 de Junho 1965, quando um Grupo de Combate se desloca do acampamento para MIANDICA, foi accionada uma mina, seguida de emboscada, onde morreu o soldado JOSÉ de ARAÚJO SENDÃO. Foi a primeira mina detectada em território de Moçambique e o primeiro militar da CART 637 caído em combate. No mesmo local, a poucos metros, foi localizada um segunda mina que foi levantada com êxito pelo 2º Sargento Faria Barbosa. Foi também a primeira mina levantada em Moçambique.


A primeira mina levantada em Moçambique
Esta mina foi inactividade, analisada e estudado o seu diagnóstico de funcionamento pelo 2º Sargento Faria Barbosa o qual elaborou um relatório que foi enviado ao ESCALÃO superior e por este divulgado às restantes unidades em operações.
A CART 637 manteve-se acampada neste acampamento de ABILO até Julho de 1965, tendo realizado várias operações com e sem contacto com o inimigo.
Nesta data a CART 637 desactiva o acampamento (base), monta algumas armadilhas no local e inicia a viagem de regresso a VILA CABRAL, beneficiando do apoio aéreo a partir do rio LUNHO. Chegou a VILA CABRAL a 17.
Manteve-se em VILA CABRAL até 6 de Agosto de 1965, fazendo escoltas a diversas colunas de reabastecimento, lanchas de "fusos" e outras operações em colaboração com as autoridades administrativas.
Missa campal no Lunho
A partir de 6 de Agosto instala-se em MANIAMBA (junto ao Posto Administrativo) onde lhe é atribuída uma ZA compreendida entre o LAGO NIASSA e o rio MESSINGUE e desde o cruzamento METANGULA-NOVA COIMBRA até ao KM 40 da picada  VILA CABRAL- MANIAMBA.
Daqui parte para diversas operações, tendo uma delas, na região de COLOMA, sofrido uma emboscada, com forte poder de fogo do inimigo de que resultaram 2 mortos-Furriel ANTÓNIO MARQUES CARNEIRO e o soldado AMÍLCAR GONÇALVES da COSTA RAMOS (o ALGARVE). O IN teve 11 mortes confirmados e, segundo notícias posteriores, cerca de 15 feridos.
A CART 637 manteve-se em MANIAMBA até 13 de Novembro de 1965 realizando operações de combate, escoltas e outras, nas zonas de MEPONDA, COLOMA, RIO MESSINGUE, PAGAGE e na célebre zona do caracol na picada MANIAMBA-METANGULA.
Em 13 de Novembro de 1965 a CART 637 regressa a MAÚA terminando assim a sua actuação na zona de VILA CABRAL. Entretanto as actividades do IN na zona de MAÚA haviam-se intensificados e a CART 637 foi chamada a executar várias operações de combate nas regiões de REVIA, RIO NECOLEZE, MUOCO, MECULA, NIPEPE e em algumas fazendas, tendo sofrido mais um morto o soldado CARLOS ALBERTO (o LAMEGO), que tombou em combate em NECOLEZE no dia 5 de Abril de 1966.
Em 10 de Outubro de 1966 a CART 637 regressa finalmente à Metrópole, depois de 2 anos, 5meses e 14 dias passados em zonas de combate, deixando em cemitérios de Moçambique (VILA CABRAL e MISSÃO de MAÚA) quatro dos seus militares mortos em combate, naquela guerra que não quiseram mas a que não se furtaram.
A CART 637 muito apropriadamente, adoptou uma divisa do seu distintivo: OS PRIMEIROS NA GUERRA DO NIASSA pois, juntamente com outras unidades, enfrentou os primeiros ataques inimigos em território de Moçambique.
A PÁTRIA HONRARAM QUE AS PÁTRIA OS CONTEMPLE

A 14 de Junho de 1965, morreu em combate um militar da CART. 637
 
COMPANHIA DE CAÇADORES 695


Comandada pelo Capitão de Infantaria, António Jacques F. Castelo Branco Ferreira, desembarcou em Moçambique em 2 de Agosto de 1964.
Em Outubro de 1965, foi transferida para Nova Coimbra, onde rendeu a CCAV 568. Sob o comando operacional do BCAÇ 598, que assumira em Setembro de 1965 a responsabilidade de novo subsector com sede em Metangula, desenvolveu intensa actividade operacional, resultando a destruição de muitos acampamentos, apreensão de material de guerra e documentos e reparação de milhares de elementos da população, que se encontrava refugiada nas matas. Participou em várias operações, nomeadamente: "Falas Mansas", e "Açor" (Messumba" e "Morcego" ( Namatumba).
Foi rendida pela CCAV 1506 em Fevereiro de 1966, montou base em Muembe no Niassa.
Regressou a Portugal em 6 de Dezembro de 1966.
E
COMPANHIA DE CAVALARIA 754 

 "SETE de ESPADAS"

 Por: José Carlos Sousa Jorge
  furriel Miliciano da CCAV 754



A CCAV 754, comandada pelo Capitão de Cavalaria José Pedro Simões Caçorino Dias 
embarcou em Lisboa com destino a Moçambique, a 5 de Janeiro de 1965 e chegou a VILA CABRAL a 28 do mesmo mês, onde foi integrada no BCAÇ 598. A "SETE DE ESPADAS", percorreu praticamente todo o NIASSA Ocidental designadamente: NOVA COIMBRA- LUNHO- MADAMBÚZI- MIANDICA- CÓBUÉ- SONJA e LIPOTXE.
Pescaria no Rio Lunho
Após o acidente de guerra que o Capitão Caçorino Dias foi vítima, tornando-o invisual, esta Companhia teve os seguintes comandantes: Capitão de Infantaria Raul Pereira da Cruz Silva e pelos Capitães de Cavalaria Mário António Pádua Valente e Oscar da Rocha Lima.

Balanço Operacional

À entrada do LUNHO a caminho do nosso acampamento em NOVA COIMBRA, faltavam duas horas para terminar mais uma operação de quatro dias. Quando a Companhia vinha em marcha apeada soa um grande rebentamento. Sabendo-se de antemão que um de nós tinha pisado uma mina. Infelizmente, assim tinha sido o nosso querido camarada "ROCHINHA" tinha pisado uma mina.
Saber que não escaparia com vida e mostrar uma coragem que só está ao alcance de grandes homens, marcou-nos com o seu exemplo e serviu-nos para enfrentarmos as dificuldades das vicissitudes da guerra que tínhamos de travar.

"ROCHITA" FICASTE PARA SEMPRE NO NOSSO CORAÇÃO.
No lado esqº, o malogrado "Rochita, ao centro o Fur. Jorge
Estávamos acampados em NOVA COIMBRA (era o primeiro acampamento naquele local) junto ao Rio LUNHO, quando por volta das 22H chegou o Major Fradinho da Costa da CCS do BCAÇ 598, vinda de METANGULA dizendo que precisava de um Pelotão da nossa Companhia para ir ao encontro de uns rebentamentos ouvidos junto à Picada do Caracol (Picada METANGULA- MANIAMBA). De imediato saiu o nosso 3º Pelotão, comandado pelo nosso Cap. Caçorino Dias. Ao percorrerem cerca de 3 Kms caímos numa emboscada. Emboscada essa que estava preparada para nós, pois eles sabiam que a "SETE DE ESPADAS" não virava a cara a nada. Houve reacção forte da nossa parte. Estando debaixo de fogo o Cap. Caçorino Dias, chama o Ten. Carvalho Araújo que estava junto dele. Este ao fazer o deslocamento para junto do Capitão, fragmentou  uma mina anti-pessoal, ferindo na cara o Capitão que estava muito prto da mina, ferindo-lhe a cara e os olhos. O Capitão disse logo que tinha perdido a visão. Após o cessar-fogo, foi colocado no jeep do Major e, com este ao volante, seguiu de imediato para a nossa base que, como disse, estava a cerca de 3 Kms. Chegando à base pediu de imediato uma secção para o levar para METANGULA (Base dos Fuzileiros). 
Saiu  de seguida um Unimog com um condutor e um Furriel para abrir caminho até METANGULA. Chegando à base dos Fuzileiros foi logo observado pelo corpo clínico , confirmando que efectivamente era nos olhos que estavam os ferimentos.
Havia necessidade de fazer uma evacuação rápida para VILA CABRAL. Tentou-se comunicar via rádio, mas foi impossível.

De costas o Gen. Caeiro Carrasco a seu lado o 
Capitão Caçorino Dias no Lago Niassa
Como era urgente a evacuação do Cap. Caçorino Dias e não havendo tropa para ir a NOVA COIMBRA a informar da necessidade de um pelotão, o regresso a NOVA COIMBRA foi feita pelo mesmo condutor e Furriel que tinham acompanhado o Capitão Caçorino Dias à base dos Fuzileiros.
Quando da chegada NOVA COIMBRA já o 3º Pelotão que tinha sofrido a emboscada lá se encontrava, ficando a Companhia ao corrente do estado do Capitão. E da necessidade de fazer a evacuação de METANGULA para VILA CABRAL. Ficaram também a saber que o Tenente Carvalho Araújo não tinha ido para METANGULA pois só tinha ido o jeep com o Major Fradinho da Costa  no Unimog com o condutor e o Furriel, os mesmos que tiveram de fazer o regresso a NOVA COIMBRA. Ficou logo no ar que quem tinha pisado a mina tinha sido o Tenente Carvalho Araújo, tendo morrido de imediato.
O célebre Joaquim Agostinho, o 2º à dirtª a transportar
mais um soldado morto na zona do Lunho
 Saindo um Pelotão para tentar encontrar o Tenente que estava no local onde pisou a mina, o que não tinha sido apercebido a sua falta porque o capim estva alto e só a sua ausência em NOVA COIMBRA levou-nos à sua procura tendo sido confirmada a sua morte.
Este relato  do ferimento do Capitão Caçorino Dias é uma justa homenagem de todo o pessoal da CCAV 754 (7 de ESPADAS). Foi uma honra para nós semos comandados por este militar que consideramos um herói. Adicional à sua bravura e valentia era um condutor de homns fora do normal pois sempre contou com a Companhia incondicionalmente para todas as operações que eram solicitadas. Tivemos derivada às circunstância da nossa operacionalidade, quatro Comandantes, mas o espírito firme que a Companhia teve isso só com trabalho de comando que sempre foi mostrado pelo nosso Capitão, desde a formatura da Companhia, em SANTA MARGARIDA, até ao dia do seu ferimento, tendo ficado bem vincado o seu carisma de militar e humano até aos dias de hoje. Todos nós nos sentimoshonrados e orgulhosos por termos sido comandados por ele. 
Armamento capturado à Frelimo em Nova Coimbra
No balanço operacional a Companhia teve 6 mortos, 5 feridos evacuados e cerca de 30 ferios ligeiros. Em Maio de 1966, fomos rendidos pela CCAV 1506  e fomos para INHAMINGA de onde partimos de regresso a casa em Julho de 1967.

A 31 de Maio de 1965, morreu em combate quatro militares da CCAV. 754
2º Sargento QP  Joaquim Fernando
Soldado Manuel Henriques Monteiro
Soldado Manuel F. Parentes de Bouças
Manuel Luís Prazeres Lima
A 03  de Setembro de 1965, morreu em combate o soldado da CCAV. 754
José Fernandes da Rocha.

COMPANHIA DE CAVALARIA 1506



A CCAV. 1506, comandada pelo Capitão de Cavalaria Leopoldo Alberto Faro Pereira Pinto e integrada no BCAV 1879, embarcou, a 12 de Fevereiro de 1966.
Desembarcou em Nacala e foi Nova Coimbra, onde rendeu a CCAÇ 695.
De Fevereiro de 1966 a Março de 1967, efectuou patrulhamentos, nomadizações, emboscadas e abertura de itenerários. Participou nas operações "Dragão" (Namatumba) , "Estribo" (entre os rios Mepotxe, Trulo e Lucambo)"Lança em Riste" (Planalto de Miandica), "Gamarra" e "Quorum".
Em Março de 1967 é rendida pela CCAÇ 1558 do BCAÇ 1891.

A 15 de Fevereiro de 1967, morreu em combate um militar da CCAV. 1506
A 08 de Agosto de 1966, morreu em combate um militar da CCAV. 1506



3 comentários:

Edumanes disse...

Li e gostei de ler. Obrigado pela consideração, Caro amigo, ex-combatente, Amadeu Neves da Silva, pois, todas as ocorrências relatadas são verdadeiras, infelizmente. Digo infelizmente, porque causaram a morte e ferimentos irreparáveis nos nossos camaradas que resistirem a morte mas, não aos ferimentos causados de sofrimento para toda a vida. Penso não ter valido a pena, lutar por uma causa perdida. Um abraço.

Fernando Pessoa disse...

Amadeu Neves da Silva, relativamente ao registo fotográfico ««Joaquim Agostinho o segundo à direita na foto no Lunho a transportar um ferido», que incluiu no v/blog como ilustração de situações ocorridas na área de Nova Coimbra, sou a solicitar-lhe esclareça qual a fonte original de tal fotografia, no intuito de se entender em que subunidade do Exército prestou serviço aquele militar.
Saudações veteranas,
Abreu dos Santos

Joaquim disse...

Ainda hoje, passados mais de cinquenta anos, tenho bem presentes os incidentes aqui relatados acerca daquela emboscada ocorrida perto de Nova Coimbra. A sede do BC598 ainda era em Vila Cabral, embora o segundo comandante, major Fradinho da Costa, já estivesse em Metangula mais próximo dos operacionais. Logo de manhã cedo soube-se a triste notícia e, entretanto, o oficial de dia chamou-me e disse-me para ir com três ambulâncias ao encontro de uma coluna proveniente de Meponda na qual vinham vários feridos e para os transportar para o aeroporto de Vila Cabral onde estava,já, um avião aguardando para os levar para Nampula. Naquele tempo, parte trajecto entre Vila Cabral e Meponda ainda se fazia sem problemas. Chegados ao ponto de encontro, tranferiram-se os feridos para duas ambulâncias Land Rover, as únicas que tinhamos com melhores condições. Na terceira, uma Dodge antiquíssima e que se avariava frequentemente, colocou-se a maca com o corpo inerte do tenente Carvalho Araújo que vinha tapado com um cobertor. Chegados ao quartel em Vila Cabral transferiu-se a maca para um compartimento, improvisado de capela e mais tarde o capitão Tovim, o oficial de dia, pediu-me para levarmos o corpo para o Hospital de Vila Cabral para ser preparado, dado a esposa do tenente estar grávida e prestes a dar à luz, havendo o receio de dar-lhe a trágica notícia antes do parto. Naquele hospital tive a pior visão da minha vida e que jamais esquecerei, quando um médico se aproximou da maca e retirou o cobertor que cobria corpo mutilado do tenente Carvalho Araújo...enfim... relatos de vivências e traumas de uma juventude sacrificada e superiormente ignorada então e também, agora, na velhice!!

Joaquim Leiras
Ex-Furriel Miliciano