Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~
R. T. P 3....R.T.P 2....R.T.P.MEMÓRIA....SPORT TV

quinta-feira, 20 de junho de 2013

COMBATENTES DO BCAÇ 1891---HERÓIS DE PORTUGAL

                     FERNANDO MARQUES DE OLIVEIRA

Alferes Milº Infª da CCAÇ 1560 do BCAÇ 1891

CRUZ DE GUERRA de 2ª Classe


Cruz de Guerra de 2ª Classe




















Sua Excª o General Comandante Chefe das Forças Armadas de Moçambiique, por proposta de Comando da Região Militar  de Moçambique, louvou o Alferes Miliciano de Infantaria Fernando Marques de Oliveira da Companhia de Caçadores 1560 do Batallhão de caçadores 1891, pela serenidade, heroísmo, sangue frio e espirito de sacrifício , frente ao Inimigo e debaixo de fogo que sempre mostrou possuir nas muitas acções de combate levados a cabo pela CCAÇ 1560 e nas quais tomou parte, poucas tendo sido aquelas a que não foi. 
Em todas elas se portou com extraordinária bravura sendo de destacar
no entanto a sua actuação no Operação"Quatro Camaradas",por,ao ser atacado por numeroso grupo inimigo,bem armado e moralizado,ter carregado à frente à frente do seu grupo de combate sobre o referido grupo,tendo-o posto em debandada.
Ao lançar-se na perseguição do mesmo grupo,deparou com outro ainda maior,instalado em posições dominantes,donde começaram a alvejar o seu grupo de combate com intenso fogo de armas automaticas,morteiros e lança granadas foguete,bem como o outro grupo de combate que entretanto se lhe havia juntado no flanco esquerdo.Ao receber a ordem para assaltar as posições deste último grupo inimigo,foi o primeiro a lançar-se para a frente,apesar de haver cerca de 800 metros de terreno plano,descoberto e batido pelo inimigo,a percorrer até chegar às referidas posições.
Graças ao seu exemplo,os seus homens seguiram-no,conseguindo,com o seu grupo de combate,desalojar o grupo inimigo ao fim de hora e meia de violento combate.De notar que,já próximo das posições inimigas,o seu grupo de combate teve de percorrer com lama pelo peito cerca de 100 metros de terreno pantanoso.Mesmo assim,e apesar de ser o ponto mais crítico da progressão e totalmente coberto pelo fogo inimigo,foi o primeiro a lançar-se para lá e a progredir,muito contribuindo para o êxito do assalto,dado que o inimigo contava ter ali uma barreira intransponível e acabou por por-se em fuga ao ver o denodo e coragem com que o grupo de combate do Alferes Oliveira,com este à frente,bordou e ultrapassou aquele obstáculo.

ANTÓNIO AUGUSTO DA COSTA CAMPINAS


Capitão Milº de Infª da CCAÇ 1560 do BCAÇ 1891
CRUZ DE GUERRA DE 3ª CLASSE
Cruz de Guerra de 3ª classe
Capitão António Campinas




















Louvado o Capitão Graduado,Miliciano de Infantaria,António Augusto
da Costa Campinas,da CCAÇ 1560 do BCAÇ 1891,pela maneira altamente meritória como tem comandado a sua Companhia.
            Oficial excepcional dotado para a campanha,conseguiu,com o seu exemplo constante e espírito de missão,constituir com os seus subordinados um conjunto que,nas inúmeras acções em que vem tomando parte,tem demonstrado coesão,determinação e vontade firme de vencer. 
Comandando a quase totalidade das acções realizadas pela sua Companhia,demonstrou sempre,em situações difíceis,coragem,decisão,sangue frio e serena energia debaixo de fogo,qualidades estas muito notoriamente demonstradas na operação "Careca"em que,quando um inimigo sobre ele disparou um tiro,seguido de duas rajadas,apenas a um metro de distancia,
revelou com a sua reacção,em tempo fora do vulgar,um controlo absoluto de nervos,pois que disparou a sua arma e arremessou uma granada de mão para dentro da palhota onde o inimigo se alojava e entrou imediatamente a seguir,eliminar,a tiro,o terrorista que,ferido,procurava ainda alveja-lo com a sua arma.
          Pelas qualidades antes referidas e sobejamente demonstradas no seu comportamento em campanha,o Capitão Campinas cotou-se como um militar de escola que honra a sua Unidade e o Exército Português.



ANTÓNIO MARIA NOBRE

Soldado nº 1678065 da C. CAÇ 1560 do B. CAÇ 1891
   CRUZ DE GUERRA DE GUERRA DE 1ª CLASSE



Cruz de Guerra 1ª Classe




















 LOUVOR

Pelas brilhantes actuações nas Operações "Quatro Camaradas" e  "Sobe Sobe"; na primeira pela extraordinária bravura,espírito de sacrifício e de missão demonstrados durante o violento combate de cerca de hora e meia travado contra numeroso e bem armado grupo inimigo.sempre ao lado do seu Comandante de Pelotão  Alferes Oliveira,como apontador de Lança Granada Foguete       expondo-se constantemente ao fogo adverso a fim de poder fazer fogo eficazmente com a sua arma,contribuiu decisivamente para o bom êxito do assalto levado a cabo pelas nossas tropas.Neste combate mostrou absoluto sangue frio,heroísmo e desprezo pelo perigo,sempre debaixo de fogo inimigo.
Na Operação "Sobe Sobe"em que apesar de gravemente ferido no início do assalto a uma base inimiga,continuou a fazer fogo com o seu LGF   apoiando assim eficazmente a progressão das nossas tropas e ajudando posteriormente os seus outros camaradas feridos e incutindo-lhes todo o ânimo que lhe foi possível dar até à chegada do helicóptero que os evacuou;loo que voltou do hospital embora ainda mal restabelecido dos graves ferimentos que recebera,ofereceu-se como voluntário para as operações em curso,o que lhe foi recusado.

ANTÓNIO MARIA NOBRE

Soldado de Infantaria,nº1678065 da CCAÇ 1560 do BCAÇ 1891
CRUZ DE GUERRA DE 3ª CLASSE
Cruz de Guerra de 3ª Classe
 
António Nobre
Louvo o soldado António Maria Nobre,da
 da CCAÇ 1560,em reforço no sector"E" por,no dia 16 de Outubro de 1966,no decorrer da operação "ou vai ou racha",em que a sua companhia tomou parte e em que actuava como apontador de lança-granadas foguete,depois de atingido por um estilhaço numa coxa debaixo de intenso fogo inimigo que varria a área onde se encontrava,ter carregado e disparado sozinho por quatro vezes o seu LGF sobre a principal posição inimiga silenciando-a,o que em conjugação com o fogo do morteiro,acabou por neutralizar uma emboscada inimiga.
Apesar de ser ele o ferido mais grave pediu só para ser socorrido em último lugar,tendo feito voluntariamente a pé o percurso de vários Quilómetros até ao local onde se encontravam as viaturas,para que o seu comandante de Secção,também ferido,pudesse utilizar a única maca então disponível. 
 Este soldado mostrou assim,com o seu comportamento,possuir qualidades de coragem em combate,sangue frio,serena determinação e energia debaixo de fogo,espírito de sacrifício e elevada moral frente ao inimigo,qualidade que fez dele um exemplo a seguir.

 LUÍS ANTÓNIO ANDRADE AMBAR           

Alferes de Cavalaria da CCAÇ 1560 do BCAÇ 1891
 CRUZ DE GUERRA DE 1ª CLASSE A TÍTULO PÓSTUMO


Cruz de Guerra de 1ª Classe
Alferes Luís Ambar

























 LOUVOR:
Proponho que seja louvado a título póstumo,pela sua extraordinária coragem,abnegação e espírito de sacrifício frente ao inimigo e debaixo de fogo amplamente  demonstrados nas numerosas acções de combate
 em que tomou parte.
Dessas destacam-se as suas actuações na Operação"4 camaradas em que,ao receber ordem para assaltar com o seu Grupo de Combate,em ataque frontal,as posições dominantes donde numeroso grupo inimigo varria as nossas tropas com intenso fogo de armas automáticas,morteiros e Lança Granadas Foguete,foi o primeiro a lançar-se imediatamente para a frente,apesar de haver cerca de 800 metros terreno ,plano,descoberto e batido por fogo inimigo.A sua actuação galvanizou de tal forma os seus homens que estes não hesitaram em segui-lo,conseguindo juntamente com outro Grupo de Combate que actuava no seu flanco direito desalojou o inimigo ao fim de hora e meia de violento combate. De realçar também a sua actuação na Operação"Sobe-Sobe" em que,ao preparar-se para executar um golpe de mão a uma base inimiga,e havendo sido detectado já sobre a base,não hesitou em dar a ordem de assalto mais cedo do que fora previsto,a fim de evitar que o grupo inimigo se pusesse em fuga.Ao dar esta ordem de assalto,fê-lo com plena consciência do grave perigo que se corria devido a ainda não haver qualquer visibilidade;no entanto não hesitou em correr este perigo sendo ele o primeiro a lançar-se ao assalto à frente dos seus homens,o que acabou por lhe vir a custar a vida por ter sido atingido pelo fogo inimigo.Assim o ALFERES AMBAR,com o seu heroísmo e total espírito de missão e sacrifício acabou por dar, conscientemente,a sua VIDA PELA PÁTRIA.

RAMIRO PAIVA DOS SANTOS

 Soldado nº 8212365 da CAÇ 1560 do BCAÇ 1891
CRUZ DE GUERRA DE 1ª CLASSE


Cruz de Guerra de 1ª Classe








Transcrição  do louvor que originou a condecoração
(Por portaria de 30 de Julho de 1968 publicada na OE nº 23)

Manda o Governo da República Portuguesa,pelo Ministro do Exército,louvar o soldado nº 8212365,RAMIRO PAIVA DOS SANTOS,da CCAÇ 1560 do BCAÇ 1891,pela sua brilhante e invulgar acção em todas as inúmeras acções de combate em que já tomou parte.  Apontador de Lança Granadas Foguete,de tal maneira se tem notabilizado,graças ao seu arrojo,sangue frio,espírito de sacrifício,coragem,
total desprezo pelo perigo e precisão dos seus disparos,que tem tido papel relevante no bom êxito de muitas operações levadas a cabo pelo seu grupo de combate e pela própria Companhia de Caçadores 1560,facto justamente reconhecido por todos os seus camaradas e superiores. 
Numa operação já perto de uma base inimiga,ao tomar posição para fazer o disparo,foi localizado por um sentinela,no flanco esquerdo e a poucos metros,que o alvejou com vários tiros.Sem sequer virar a cabeça,disparou primeiro o seu lança granada foguete sobre a base,permitindo assim a carga das nossas tropas,depois carregou sózinho,sobre a dita sentinela,que fugiu,abandonando a arma,que ela próprio capturou.
 Na operação "Segunda Vez"debaixo de intenso fogo inimigo,
conseguiu capturar pessoalmente duas pistolas metralhadoras,depois de haver ferido,com um dos seu disparos,os elementos inimigos que as empunhavam.
Na operação "Careca",em que o seu grupo de combate foi violentamente emboscado por um grupo inimigo,a cerca de 10 metros,pondo-se de joelhos num terreno praticamente descoberto,debaixo de intenso fogo adverso e com total desprezo pela vida,conseguiu com os seus disparos,reduzir o fogo adverso, tendo saído ligeiramente ferido.
  Na operação"Quatro Camaradas"e sem para que tal tivesse sido designado,tomou parte,voluntariamente,na primeira linha que assaltou as posições inimigas debaixo de fogo.  Finalmente na Operação "Alferes Ambar",destacou-se mais uma vez, pelo
 sangue-frio e coragem demonstrados na captura do chefe da base LICONHIR,o qual se encontrava armado e disparou sobre o soldado Paiva,o que não obstou a que ele corresse sobre o dito chefe e o obrigasse a largar a arma,capturando-o em seguida.  Disciplinado e possuidor,em elevado grau,de espírito de iniciativa
e argúcia e faculdades de orientação,a par de um grande aprumo e correcção,é o SOLDADO PAIVA bem digno de ser apontado como extraordinário exemplo de da consideração e estima de todos os componentes da C. CAÇ 1560,que se sentem muito honrados por terem consigo tal elemento,que tanto prestigia a sua Unidade     e o Exército Português.


Na foto da reprodução do Jornal de Notícias, a legenda está errada
Deveria estar:
Soldado Ramiro Paiva Santos e 
Furriel Miliciano José Cardoso Reis



JOSÉ CARDOSO DOS REIS

Furriel Miliciano de Infantaria
 CRUZ DE GUERRA DE 3ª CLASSE   


Retirado do Jornal do Exército de 1971

Louvado o Furriel Miliciano de Infantaria,José Cardoso Reis,da CCAÇ 1560 do BCAÇ 1891,do RI 16,pelas invulgares qualidades de comando,coragem,sangue frio,lucidez e espírito de sacrifício debaixo de fogo,
 amplamente demonstradas nas inúmeras acções de combate em que tomou parte-nomeadamente na Operação"Quatro Camaradas"em que voluntariamente
,se lançou com a sua Secção na primeira linha das nossas tropas,ao assalto das fortemente defendidas posições inimigas,embora tal lhe não competisse,tendo-se havido com extraordinária bravura.Com sério risco da própria vida debaixo de intenso fogo inimigo,que varria toda a zona descoberta que teve de atravessar,tomou ainda parte na exploração do sucesso sendo voluntariamente o último a regressar às posições de emboscada,depois de cobrir a retirada dos seus camaradas.
Na operação "Sobe Sobe",em que comandou uma das equipas de assalto,atacou com a sua equipa,a peito descoberto,e debaixo de fogo inimigo,com sério risco da própria vida,uma posição inimiga onde se encontravam 2 LGF,tomando-o de assalto e pondo os elementos que a guarneciam em debandada,apesar de já ter visto o Comandante do seu Grupo de Combate cair mortalmente atingido.
Este Furriel é  justamente considerado o melhor da CCAÇ 1560 e é ainda possuidor ,em elevado grau,de um espírito de missão ,lealdade,camaradagem e disciplina que muito justamente são de realçar.


                                    



JOSÉ MANUEL GOMES DE JESUS

Furriel Miliciano de Infantaria
CRUZ DE GUERRA DE 4ª CLASSE
FURRIEL MILº JOSÉ GOMES JESUS




















Que,por despacho de 6 de Março de 1968,louvo o Furriel Miliciano nº 2330164,José Manuel Gomes de Jesus,CCAÇ 1560 do BCAÇ 1891,pelas invulgares qualidades de heroísmo,dedicação e espírito de sacrifício reveladas nas numerosas acções de combate em que tem tomado parte,quase sempre debaixo de fogo inimigo.
São de realçar as suas actuações em diferentes operações numa das quais,tendo o seu grupo de combate sido violentamente emboscado por um numeroso e bem armado grupo inimigo conseguiu,mercê de total desprezo pelo perigo e de absoluto sangue frio ,carregar sobre a emboscada inimiga,conseguindo neutralizar o seu fogo e pôr os elementos adversos em debandada.
De destacar ainda,a sua actuação na operação "Quatro Camaradas" em que,
comandando uma Secção do seu Grupo de Combate que permanecia em reserva,quis voluntariamente tomar parte no assalto às posições inimigas, assalto esse feito debaixo de violento fogo inimigo e com sério risco da própria vida,apoiando os seus camaradas da linha da frente,tendo-se havido com extraordinária bravura e espírito de iniciativa e comando na condução dos seus homens.

                            


                                  MÁRIO DA COSTA OLIVEIRA
                                 
Furriel Miliciano de Infantaria
CRUZ DE GUERRA DE 4ª CLASSE


Mario Oliveira
Cruz de Guerra 4ª Classe















Que,por despacho de 6 de Março de 1968,louvou o Furriel Miliciano nº
2730465,Mário da Costa Oliveira,da CAÇ 1560 do BCAÇ 1891,pelo heroísmo voluntariedade e espírito de sacrifício cabalmente demonstrados frente ao inimigo,e debaixo de fogo durante o decorrer da Operação "Quatro Camaradas".
Debaixo de intenso fogo inimigo,ao ver o seu Comandante do Grupo de Combate lançar-se para a frente,ao assalto das posições inimigas,não hesitou em segui-lo levando no seu encalço a sua equipa de cinco homens e todo o resto do Grupo de Combate,com sério risco da própria vida,incitando-os e dando-lhes um constante exemplo de heroicidade,espírito de missão e sacrifício,ao expor-se constantemente ao fogo inimigo, a fim de poder comandar eficazmente os seus homens e incutir-lhes coragem, ânimo durante
o violento combate de hora e meia que se travou até desalojar o grupo inimigo das suas posições.Após isto fez voluntariamente a exploração do sucesso apenas com a sue equipa e com o Comandante do Grupo de Combate,embora consciente do grave risco que corriam devido à proximidade dos muitos elementos inimigos que certamente por ali ainda permaneciam.





                     MANUEL ALCIDES PEREIRA FRANCISCO
                                        
  Soldado Maqueiro
CRUZ DE GUERRA DE 4ª CLASSE


Cruz de Guerra de 4ª Classe



























Que,por seu despacho de 6 de Junho de 1968,louvou o Soldado nº01014965,
Manuel Alcides Pereira Francisco da CCAÇ 1560 do BCAÇ 1891,pelo brilhante exemplo de coragem,abnegação e espírito de sacrifício que deu provas no decorrer da operação "Sobe Sobe",em que debaixo de fogo inimigo andou socorrendo camaradas seus gravemente atingidos tendo-lhe esta atitude valido o ter também sido ferido gravemente quando se deslocava a prestar assistência a um deles,apesar de gravemente ferido com um estilhaço de granada junto do coração manteve uma coragem e lucidez extraordinárias continuando a orientar os socorros aos restantes camaradas feridos,ministrados por alguns elementos
da CCAÇ 1560 com rudimentos de primeiros socorros,procurando incutir ânimo e calma em todos os seus camaradas.De salientar que esta praça já se havia distinguido em várias outras Operações a da CCAÇ 1560 de baixo de fogo inimigo quer como combatente de primeira linha quer como elemento do Serviço de Saúde.Também teve comportamento heróico a 28 de Fevereiro do corrente ano quando do rebentamento de 2 engenhos explosivos colocados pelo inimigo e provocados por duas viaturas da CCAÇ 1560,comportamento este que lhe ocasionou ser gravemente ferido.

  
                 



                         Carlos Alberto da Silva Morais
                                                    
Soldado de Infantaria
Medalha de Mérito de 4ª Classe a Título Póstumo















S.Exª o Comandante da Região Militar de Moçambique concedeu o seguinte louvor.

Louvo o Soldado Atirador,Carlos Alberto da Silva Morais,porque no dia 28 de Fevereiro de 1967,quando do rebentamento de um engenho explosivo,na viatura em que seguia,ter tentado,por todos os meios,socorrer um seu camarada,condutor da mesma viatura,que havia ficado preso pelos pés à mesma quando esta se incendiou,atitude  que lhe causou graves ferimentos que acabou por ocasiona a morte no H.M. 125.Este Militar desde sempre se havia distinguido pelo seu aprumo disciplinar e bravura em combate,em todas as operações que actuou,sendo nelas sempre voluntário para as mais difíceis e perigosas missões.Tal militar que pela sua Pátria deu conscientemente a sua vida é bem digno de ser por nós olhado com todo o respeito e gratidão,muito honrando o Exército Português.
(Artº 3º da O.S. nº 81 de 11 de Outubro de 1967,da Região Militar de Moçambique).

 COMBATENTES DO BCAÇ 1891,GALARDOADOS COM O PRÉMIO "GOVERNADOR GERAL DE MOÇAMBIQUE"


João Espírito Santo





















Soldado Manuel Alcides Pereira Francisco CCS
Fur.Milº António Maia Rocha, CCAÇ 1560
1º Cabo João Espírito Santos Santo, CCAÇ 1560
1º Cabo Joaquim de Morais Ribeiro Dias, CCAÇ 1560
Soldado António Maria Nobre, CCAÇ 1560
Soldado Arnaldo Ferreira Dantas, CCAÇ 1560
Soldado Manuel Rodrigues Ventura da Silva, CCAÇ 1560










sexta-feira, 14 de junho de 2013

ASPECTOS DA GUERRA COLONIAL (1961-1975)

ASPECTOS DA GUERRA COLONIAL (1961-1975) 
Aniceto Afonso A guerra que Portugal travou em África entre 1961 e 1974, e que contribuiu de forma decisiva para o 25 de Abril, foi um dos acontecimento mais marcantes da história portuguesa na segunda metade do Século XX. 

 Entre os antecedentes longínquos dos conflitos coloniais do pós-II Guerra Mundial podemos considerar não só a ideia de libertação vivida pelos contingentes militares coloniais que combateram na Europa, como o facto persistente do mundo bipolar dividido entre as duas superpotências, EUA e URSS, e o ambiente de guerra-fria mutuamente alimentado. A criação das Nações Unidas e a aprovação da sua Carta, onde expressamente se definem, através do capítulo XI, as questões relacionadas com os territórios não-autónomos, contribuiu grandemente para definir o enquadramento internacional da questão colonial. Finalmente, também se tornou um factor decisivo, a constituição do movimento dos não-alinhados, especialmente a partir da Conferência de Bandung em 1955. Estas condições conduziram directamente ao movimento descolonizador, que se iniciou no Extremo Oriente, se propagou para o Médio Oriente e que chegou ao Norte de África, em poucos anos, antes de passar para a África sub-saahriana.A estas condições gerais devemos acrescentar, como factores condicionantes da política e dos conflitos coloniais, algumas especificidades relacionadas com Portugal. Por um lado, foram importantes os reflexos da criação da NATO e da presença de Portugal como país fundador, em 1949; por outro, a integração do “Acto Colonial” na Constituição Portuguesa, em 1951, com a designação “Do Ultramar Português”, a publicação da nova Lei Orgânica do Ultramar Português em 1953, e a entrada de Portugal na ONU em 1955 acabaram por condicionar muito do que foi a política do Estado Novo em relações às suas colónias nesta época. Também se revestiram de grande importância, os acontecimentos da Índia.
Devemos salientar a relevância desta última questão, tanto pela sua influência na definição da política colonial do regime português, que nunca aceitou separar os casos de cada território colonial, para lhes dar soluções distintas, como por se manter na memória dos militares como marca das relações entre o poder político e as Forças Armadas, que foram transformadas em bode expiatório dos acontecimentos. Nos períodos difíceis da guerra, esta questão tornou-se sempre relevante no seio dos militares.A guerra colonial desenrolou-se nos territórios de Angola, Guiné e Moçambique, no período de 1961 a 1974. Estiveram em confronto as Forças Armadas portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação de cada uma daquelas colónias. Os movimentos de libertação que especialmente se opuseram a Portugal em cada um dos territórios foram os seguintes: em Angola, a UPA, União dos Povos de Angola, depois transformada em FNLA, Frente Nacional de Libertação de Angola; o MPLA, Movimento Popular de Libertação de Angola; e a UNITA, União Nacional para a Independência Total de Angola. Na Guiné, o PAIGC, Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde. Em Moçambique, a FRELIMO, Frente para a Libertação de Moçambique.Não parece desajustado que comecemos o estudo deste conflito por uma breve análise do ano de 1961 e dos acontecimentos que marcaram este primeiro ano da guerra.Ainda no final de 1960, a Assembleia-Geral da ONU aprovou, por grande maioria, três resoluções muito importantes: a resolução 1514 (XV), conhecida como “Declaração Anticolonialista”, a resolução 1541 (XV), com a definição de território não-autónomo, e a resolução 1542 (XV), enumerando, como territórios não-autónomos, todos os territórios coloniais administrados por Portugal.Mas o ano de 1961 seria de facto demolidor para o regime. Podem salientar-se alguns acontecimentos de maior relevância.Logo em Janeiro, a repressão dos trabalhadores da Baixa do Cassange, em Angola, acontecimento que ficará para sempre ligado ao início da revolta das populações; a posse do presidente John Kennedy, nos Estados Unidos, que mudaria o sentido da sua política externa no que respeita ao movimento descolonizador, criando imensas dificuldades diplomáticas ao regime português; e o assalto ao paquete “Santa Maria”, por Henrique Galvão, que ficou sempre como um símbolo da oposição ao regime de Salazar.Depois, em Fevereiro, a revolta de Luanda, iniciada no dia quatro, que virá a ser considerada como o despontar da luta armada neste território.Em Março tem início a revolta do Norte de Angola, com imensas vítimas entre a população branca e os trabalhadores oriundos de outras regiões de Angola.Segue-se, em Abril, a tentativa de golpe de Estado conduzida pelo ministro da Defesa, general Botelho Moniz, rapidamente anulada por Salazar, mas que ficou sempre na memória militar (ou pelo menos de alguns militares), como sinal de oposição à política colonial do regime.Já em Agosto, é de assinalar a ocupação de S. João Baptista de Ajudá pelo Daomé (actual Benim).                                                        Finalmente, em Dezembro,entretanto, a guerra instalou-se em Angola, por muito tempo.Os primeiros incidentes ocorreram no norte de Angola em Março de 1961 e estenderam-se depois a mais de metade do território. Estas acções foram da iniciativa da UPA (depois FNLA), do MPLA e mais tarde da UNITA.  
                                                                                                                                                    Na Guiné, as acções de guerrilha foram iniciadas pelo PAIGC em Janeiro de 1963, com um ataque ao quartel de Tite, no Sul do território, junto à fronteira com a Guiné-Conacri, embora outras pequenas acções tivessem ocorrido antes. As operações estenderam-se rapidamente a quase todo o território, num contínuo crescendo de intensidade, que exigiu o empenhamento de efectivos portugueses cada vez mais numerosos.                                                                                                                                                   Em Moçambique, a FRELIMO executou a primeira acção em Setembro de 1964, com um ataque à localidade de Chai no distrito de Cabo Delgado, estendendo depois a sua acção ao Niassa, a Tete e ao Centro do território.Nos três teatros de operações os efectivos das forças portuguesas foram aumentando constantemente em relação com o alargamento das frentes de combate, atingindo-se, no início da década de 70, o limite crítico da capacidade de mobilização de recursos.
QUADRO DE EFECTIVOS DO EXÉRCITO DESDE 1961 A 1975:
Angola
Guiné
Moçambique
Totais Exército
1961
33.400
4.700
11.200
49.300
1962
44.900
5.100
11.900
61.900
1963
47.400
9.600
14.200
71.200
1964
52.500
15.200
18.000
85.700
1965
57.000
17.300
22.900
97.200
1966
55.800
20.800
30.600
107.200
1967
57.400
21.600
34.700
113.700
1968
58.200
22.800
36.600
117.600
1969
55.600
26.600
39.100
121.300
1970
55.200
26.800
38.700
120.700
1971
62.100
29.200
44.500
135.800
1972
60.300
30.000
46.700
137.000
1973
65.600
32.000
51.500
149.100
Marinha e Força Aérea – Cerca de 20.000 efectivos no final da guerra e nos três teatros de operações.
Ao chegar ao final da Guerra, podemos falar de uma relação entre as forças portuguesas e as forças dos movimentos de libertação, que caracteriza o tipo de guerra conduzido nos três territórios coloniais, ou seja, podemos comparar o potencial de combate.
GUERRA COLONIAL - POTENCIAL NO FINAL DA GUERRA:
HOMENS
(a)
AVIÕES
HELIS
NAVIOS
LANCHAS
GUERRILHEIROS
(b)
ANGOLA
70.000
94
45
8
16
11.000
GUINÉ
42.000
39
18
8
13
7.000
MOÇAMB.
57.000
99
36
4
8
6.500
TOTAL
169.000
232
91
20
109
24.500
(a) Efectivos máximos aproximados do Exército, Marinha, Força Aérea e tropas locais.
(b) Estimativas dos serviços de informação militar portugueses
Pela parte portuguesa, a guerra era sustentada pelo princípio político de defesa daquilo que era considerado território nacional, baseado no conceito de nação pluricontinental e multirracial. Pela parte dos movimentos de libertação, a guerra justificava-se pelo inalienável princípio da autodeterminação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à sua luta. O Estado Novo, primeiro com Salazar e depois com Marcelo Caetano, manteve com grande rigidez o essencial da política colonial, fechando todas as portas de uma solução credível para o problema de qualquer dos territórios. Manteve aliás, como teoria fundamental, a indivisibilidade dos casos, nunca admitindo poder encontrar soluções diferentes para problemas diferentes.O 25 de Abril de 1974, alterando a natureza do regime político português, alterou também o suporte do empenhamento militar das Forças Armadas portuguesas nos territórios coloniais. Os novos dirigentes de Portugal, ao mesmo tempo que anunciavam a democratização do país, aceitavam naturalmente os princípios da autodeterminação e independência, pelo que as fases de transição foram negociadas com os movimentos de libertação empenhados na luta armada, traduzindo-se, mais ou menos rapidamente, no fim das acções militares envolvendo forças portuguesas. Estas iniciaram desde logo o seu regresso a Portugal, regresso que ficou terminado nas datas previstas nos respectivos acordos, com o reconhecimento da independência de cada um dos territórios. 

ACORDOS COM OS MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO:

MOV. LIBERTAÇÃO
LUGAR
DATA ACORDO
DATA INDEPEND.
DATA RECONHECIMENTO
POR PORTUGAL
GUINÉ
PAIGC
ARGEL
26-08-1974
1973
10-09-1974
Moçamb.
FRELIMO
LUSACA
07-09-1974
25-06-1975
25-06-1975
ANGOLA
MPLA FNLA UNITA
ALVOR
15-01-1975
11-11-1975
21-02-1976 (82º país)
A guerra em Angola, Guiné e Moçambique foi, quanto aos objectivos, uma guerra subversiva para as autoridades portuguesas e uma guerra de libertação ou revolucionária, para os movimentos de libertação, mas quanto à táctica utilizada, recorrendo ao emprego de meios e processos muito restritos, com forças ligeiras, dispersas e clandestinas, ela deve ser classificada como uma guerra de guerrilhas.A doutrina militar portuguesa de contraguerrilha começou a desenhar-se antes da guerra se iniciar em Angola, em 1961. O que estava a ocorrer com as forças armadas de outros países europeus envolvidos em conflitos nas suas colónias alertou os militares portugueses para a necessidade de se prepararem para o tipo de guerra que se desenrolava na Indochina, na Argélia, na Malásia e até no Quénia.Os grandes princípios doutrinários para a guerra de contra-subversão e de contraguerrilha estavam já ensaiados pelos exércitos regulares de outros países europeus e foram adaptados em Portugal através de manuais franceses, de palestras e conferências proferidas em Portugal por oficiais estrangeiros, e ainda pela frequência de estágios no estrangeiro por oficiais portugueses, nomeadamente junto do exército francês na Argélia, onde se deslocaram várias missões militares.Matérias relativas a esta guerra foram incluídas nos planos de estudo das escolas e institutos militares e foi criado em Lamego o Centro de Operações Especiais para transmitir as novas técnicas aos militares portugueses.A partir destes conhecimentos e da experiência entretanto ganha em África, começou a ser editado, em 1963, o manual O Exército Na Guerra Subversiva, que se transformou na verdadeira directriz de actuação das forças portuguesas.Embora tenha sido sobre o Exército que recaiu o maior esforço da guerra, também a Marinha e a Força Aérea procuraram adequar os seus meios e formas de actuação às novas situações. A Marinha reactivou a sua infantaria, preparando unidades de fuzileiros especiais - Destacamentos - com uma organização próxima das forças anfíbias inglesas; e a Força Aérea, que integrara os pára-quedistas, dotou-os de meios e de instrução adequados à guerra de contraguerrilha.Os movimentos de libertação regeram-se, nos aspectos politico-administrativos para a insurreição, pela doutrina soviética da criação de um país ou zona “santuário”, no qual se instalam os órgãos de apoio e, nos aspectos militares pelos princípios que têm a sua origem no clássico “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu e que foram aplicados com sucesso por Mao Tse Tung e pelo general vietnamita Vo Nguyen Giap e que podem ser resumidos em 4 máximas:
  • Quando o inimigo avança nós retiramos!
  • Quando o inimigo faz alto nós flagelamos!
  • Quando o inimigo tenta evitar a batalha nós atacamos!
  • Quando o inimigo retira nós perseguimos!
Relativamente aos efectivos e meios envolvidos, podemos dizer, em resumo, que a guerra de contraguerrilha exige grandes efectivos e grandes meios, dura muito tempo e o resultado é quase sempre desfavorável aos exércitos regulares.                                                                                          Para se apreciar a aparentemente desproporcionada relação de forças que existiu entre os efectivos militares portugueses nos três teatros de operações e os efectivos dos guerrilheiros, é necessário compreender que as forças de guerrilha se encontram por toda a parte e não à retaguarda de uma linha de contacto bem definida, são constantemente agressivas e destruidoras, mas que se diluem e se escapam, antes que as unidades dos exércitos regulares tenham tempo de as enfrentar, para reaparecem em breve noutro local. Este desgastante tipo de combate exige um número de combatentes regulares muito superior àqueles que uma análise superficial dos efectivos dos guerrilheiros permitiria deduzir e obriga as forças regulares a empregar processos adequados às características desta guerra em tudo semelhantes àqueles que as guerrilhas utilizam.                          A organização e a articulação do Exército Português nos teatros de operações de Angola, Guiné e Moçambique teve de adaptar-se às características da guerra de guerrilhas, que se desenvolvia em superfície, com os adversários espalhados no seio da população e não frente a frente, como acontecia na guerra convencional, e cujo objectivo era a conquista das populações e não a posse de uma dada posição no terreno.Surgiu assim a necessidade de dispor de um primeiro conjunto de forças dispersas por todo o território, destinadas a guarnecê-lo e a estabelecer e manter o contacto com os habitantes - as forças de quadrícula. Foi num dispositivo de quadrícula, com as unidades a ocuparem determinadas zonas, que assentou a organização das forças do exército português. Para a aplicação deste conceito de organização, os territórios foram, de uma forma geral, divididos em sectores, dispondo estes de órgãos de comando, de unidades operacionais e de unidades de apoio - artilharia, engenharia, transmissões, serviços.Asforças de intervenção constituíam uma reserva à ordem do comandante a quem eram atribuídas e, em teoria, teria sido conveniente que cada unidade de quadrícula dispusesse de uma unidade deste tipo. Contudo, por motivos que têm a ver com deficiências na instrução, no enquadramento, no comando e na mentalização, tal nunca foi possível e a solução encontrada pelas forças portuguesas foi a de atribuir esta função quase exclusivamente a forças especiais - comandos, pára-quedistas e fuzileiros.
  As forças de intervenção foram de início empregues unidade a unidade, companhia a companhia mas, com o evoluir da guerra, passaram a ser utilizadas em unidades de escalão mais elevado - Batalhões de Pára-quedistas e de Comandos, chegando a constituir-se grandes unidades com dois ou mais batalhões para conquistarem um determinado objectivo - Operação “Tridente” (Guiné), Operação “Nó Górdio” (Moçambique), Operação “Ametista Real” (Guiné), recebendo o apoio de artilharia, aviação ou de meios navais.  A Companhia de Caçadores, com cerca de 170 homens organizados em 4 grupos de combate foi, do lado português, a unidade básica da guerra e o Capitão o seu elemento chave. Era uma unidade com capacidade para viver, deslocar-se e combater com grande independência. As Companhias e Destacamentos das forças especiais, embora mais ligeiras, eram unidades equivalentes.Os movimentos de libertação tiveram por seu lado uma organização muito diferenciada entre si, entre cada teatro de operações e ao longo da guerra. De um modo muito geral pode dizer-se que o Grupo de Guerrilha, de efectivos variando entre os 10 e os 40 elementos foi a unidade base. Estes grupos tomaram a designação de patrulhas, grupos e bi-grupos ao longo da guerra. No entanto, na Guiné e em Moçambique o PAIGC e a FRELIMO constituíram unidades comparáveis aos Batalhões das forças portuguesas, com efectivos da ordem dos 600 elementos, criando ainda estados-maiores complexos com secções de apoio logístico, órgãos especializados de informação, de controlo ideológico (comissários políticos), de propaganda e de administração.
Todos os países europeus com conflitos coloniais organizaram e armaram efectivos do recrutamento local. Portugal levou este princípio a limites nunca antes atingidos. As finalidades deste processo tinham a ver com o objectivo de envolvimento político das populações, com a transferência de baixas e com a diminuição de custos da guerra.
GUERRA COLONIAL – AFRICANIZAÇÃO DA GUERRA:
Angola
Guiné
Moçambique
1961
15%
21%
27%
1965
27%
15%
42%
1970
34%
16%
42%
1973
42%
20%
54%
À medida que a guerra prosseguia, sem que se vislumbrasse um princípio de solução política, ocorreram alarmantes sinais de desgaste das tropas portuguesas, que se tornaram sensíveis desde muito cedo. Entre eles estão a crescente falta de quadros e tropas, para enquadramento de efectivos cada vez maiores, o que teve imediatos reflexos na qualidade da instrução militar. Também a questão do armamento e equipamento português se tornou bem cedo um dos mais difíceis problemas militares, pois a dificuldade da sua aquisição nos mercados fornecedores, dado o crescente isolamento do regime português na comunidade internacional, contribuiu para um desequilíbrio da qualidade das armas, em favor dos movimentos de libertação.Acresce que a intensidade do conflito não conheceu paragens, sendo cada vez mais largas as zonas abrangidas pela actividade operacional e cada vez mais intensos os confrontos militares, especialmente em Moçambique e na Guiné, onde o Exército português perdia progressivamente a sua capacidade de iniciativa. Toda esta situação se reflectia negativamente no moral e estado psicológico das tropas, dando lugar a um progressivo desânimo e ao questionamento dos fundamentos do conflito.Um dos índices mais marcantes da intensidade da guerra, com profundos reflexos no moral das tropas portuguesas, foi o número de baixas, em especial os mortos nos teatros de operações.
TOTAL DE MORTOS
Angola
Guiné
Moçambique
Totais
1961
194
-
13
207
1962
203
-
15
218
1963
169
54
41
264
1964
208
126
53
387
1965
234
143
136
513
1966
205
184
229
618
1967
242
211
178
631
1968
265
221
248
734
1969
275
207
354
836
1970
268
180
294
742
1971
212
193
320
725
1972
224
164
362
750
1973
242
215
399
856
1974
82
99
117
298
1974 (Dp.25-4)
235
66
203
504
TOTAL
3.258
2070
2962
8.290
Em conclusão, podemos dizer que as Forças Armadas Portuguesas, para enfrentarem a guerra colonial, organizaram, mantiveram, empenharam e sustentaram, forças de dimensões jamais utilizadas por Portugal. O esforço exigido ao país, em meios humanos, materiais e financeiros, não tem paralelo em toda a sua história. A capacidade das Forças Armadas em se adaptarem, prepararem e actuarem militarmente, também não.É certo que a base do seu empenho, em especial do seu excessivo prolongamento, pode considerar-se um erro político. Mas não pertencia às Forças Armadas constituírem-se num elemento prioritário de correcção do princípio do seu uso. As Forças Armadas moldaram-se e adequaram-se ao desempenho que lhes foi sendo exigido. Desde logo viram alterados profundamente os princípios doutrinários do seu modelo anterior. Os conceitos da política de defesa no âmbito da NATO adoptados na década de 50, nada tinham a ver com a actuação numa guerra de guerrilhas, feita em três teatros de operações autónomos e profundamente diferentes, situados a milhares de quilómetros uns dos outros e mais longe ainda da retaguarda, constituída pelo território português.Para enfrentarem o novo tipo de guerra tiveram que adequar e transformar os anteriores princípios estratégicos e tácticos da sua organização, estrutura e actuação. Fizeram-no até limites extremos, arriscando-se a pôr em causa a sua capacidade de recuperação de conceitos não comprometidos com o tipo de guerra que sustentaram durante treze anos.Finalmente, no limite de subversão da sua própria identidade, prestes a reincidirem na humilhação de serem constituídas em responsáveis únicas de um erro político, souberam criar dentro de si próprias um movimento que pôs a claro o erro do regime. E como o regime fez desse erro condição da sua sobrevivência, não restou às Forças Armadas outra solução que não fosse pôr fim ao regime. As Forças Armadas compreenderam então que o erro da guerra colonial escondia o erro mais vasto da existência do próprio regime.
Texto base de uma conferência efectuada no Arquivo Histórico Ultramarino, em 25 de Junho de 2009