Honra e Gloria aos que tão novos lá deixaram a vida. Foram pela C.C. S.-Manuel Domingos Silva!C.Caç. -1558- - Antonio Almeida Fernandes- Alberto Freitas - Higino Vieira Cunha-José Vieira Martins - Manuel António Segundo Leão-C.Caç-1559-Antonio Conceição Alves (Cartaxo) -C.Caç-1560-Manuel A. Oliveira Marques- Fernando Silva Fernandes-José Paiva Simões-Carlos Alberto Silva Morais- Luis Antonio A. Ambar!~


O Batalhão de Caç. 1891.. Cumprimenta com Amizade,todos os que visitam esta página..Forte abraço.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

10º CAPÍTULO DO LIVRO: DE RIBEIRO CARDOSO:"O FIM IMPÉRIO: 7 DE SETEMBRO DE 1974. MEMÓRIA DE UM SOLDADO PORTUGUÊS". DO 7 DE SETEMBRO AO 21 DE OUTUBRO, 45 DIAS ALUCINANTES

Os dias seguintes -- lembrou-me Victor Crespo

A 12 de Setembro, o Alto - Comissário português chegou ao aeroporto de Lourenço Marques. Por motivos de segurança, foi de helicóptero para o Palácio da Ponta Vermelha, agora a sua residência oficial.
"Ainda havia atiradores furtivos em alguns terraços de prédios, procurando  atingir pessoas negras" -- Lembrou-me Victor Crespo, 39 anos passados sobre esses dias de brasa e de História qe lhe ficaram gravados para sempre na memória e no coração.
No dia seguinte, transportados num VC 10 da East African Airways, foi a vez de pisarem o solo da capital moçambicana alguns dirigentes da FRELIMO -- e também os primeiros guerrilheiros daquele movimento de libertação que, deixando para trás anos de mato e emboscadas, se apresentaram agora como guerrilheiros da ordem e da segurança, desta vez nas ruas asfaltadas da cidade grande,
Recordo, como se fosse hoje, a expectativa e a excitação criadas na cidade com a chegada destes homens de quem nada se sabia. A curiosidade de ver com olhos de ver aqueles qhe há dez anos andavam na mata de armas na mão e talvez de pés nus -- e a quem as autoridades e os jornais portugueses chamavam terroristas -- era irreprimível. 
Mas ali estavam eles , à mão de semear e, com olhos de espanto, olhando para aquela realidade nova 
Respigo do vespertino TRIBUNA, que na sua edição de 13 de Setembro de 1974 tinha apenas três textos/notícias na 1ª página: 
Inequívoca que os envolvia, decididos a defender todos os cidadãos do seu país a nascer. Com direito a fotografias nos jornais e imagens nas televisões de todo o mundo. Bem vindos para muitos, malquistos para uns tantos, mas indiferentes para ninguém. Com um pormenor curioso: de repente, Lourenço Marques ficou mas segura.oco propósito de restabelecer a normalidade -- Victor Crespo ao cidadão";
 "A crise foi vencida -- planeadas acções conjuntas com base no Acordo de Lusaka"; 
"Situação Normalizada", uma caixa a duas colunas com declarações do comandante Mário de Aguiar, camarada de armas e amigo íntimo de Victor Crespo, que o acompanhou desde Lisboa, do seguinte teor:
Extensas filas para reabastecimento das populações do caniço
"A crise por que a cidade passou está vencida, Na noite passada, tanto quanto o o gabinete do alto-Comissário está informado, não se registaram quaisquer perturbações de ordem pública e, durante a madrugada de hoje, o regresso das populações dos subúrbios  ao trabalho processou-se normalmente.
Temos notícias de dificuldades surgidas no que respeita ao abastecimento de géneros alimentícios àquelas populações, devido ao facto de as cantinas terem o seu funcionamento perturbado. Porém está a ser elaborado um plano de abastecimento de géneros às populações que, provavelmente, ainda hoje será divulgado"



Continuando a noticiar a situação , disse o comandante Mário de Aguiar:

"Chegou esta manhã a Lourenço Marques o primeiro contingente de forças militares da FRELIMO composto por aproximadamente 200 guerrilheiros que vêm colaborar na manutenção da ordem, conforme os Acordos de Lusaka. Deste modo a cidade passará assim a ser patrulhada:
1º) Os subúrbios serão controlados por patrulhas compostas exclusivamente por elementos da FRELIMO.
2º) Na cintura que separa o caniço e a cidade de cimento a FRELIMO actuará conjuntamente com forças militares e para-militares portuguesas.
3º) A cidade do cimento será controlada por militares e forças para-militares portuguesas".


Guerrilheiros da FRELIMO a desembarcar em Lourenço Marques
Completa calma no cimento e no caniço

Nas páginas interiores e na contracapa da Tribuna, muitas eram as notícias e os ângulos de abordagem da vida em Lourenço Marques no pós-7 de Setembro em Lourenço Marques. Vários jornalistas, a pé, de automóvel e de helicóptero, percorreram o cimento e o caniço para relatar a vida e o aspecto da cidade e dos subúrbios.
Registaram, é certo, "atitudes inqualificáveis" nos subúrbios, onde "grupos isolados de brancos, pintados de preto, andaram na noite de ontem por algumas zonas (próximo do campo do Benfica) a fazer estragos e matando alguns moradores" tendo sido detidas três pessoas.
Isso, porém, foi a excepção: os machimbombos e outros transportes públicos, bem como os automóveis particulares recomeçaram a circular, os trabalhadores voltaram ao trabalho, as Forças Armadas começaram a distribuir alimentos dado que muitas cantinas haviam sido destruídas ou saqueadas, a Baixa voltou a ter o movimento normal, no mercado Vasco da Gama passava-se o mesmo. E em fundo, o RCM a todos ligava de novo.
Ficou igualmente a saber-se que oito navios tinham saído do porto de Lourenço Marques ilegalmente, alguns dos quais transportando passageiros sem que os respectivos passaportes fossem visados pelas autoridades de emigração. O Tribuna admitia que centenas  de residentes de Lourenço Marques, entre nacionais e elementos de colónias estrangeiras, terão então abandonado o território ilegalmente.
Já os jornalistas que de helicóptero sobrevoaram a cidade e desceram em vários pontos, descreveram assim o que viram:a vida a regressar à normalidade, cantinas e viaturas destruídas (algumas ainda fumegando), militares revistando carros em barreiras propositadamente levantadas para esse efeito, forças da ordem a patrulhar intensamente a zona do aeroporto, filas de pessoas junto de cantinas, lojas e padarias entretanto reabertas, o hospital guardado por militares, muitas e muitas casas queimadas nos bairros do caniço -- umas já em cinza, outras ardendo ainda. 
Com uma pequena explicação: em várias zonas a população do caniço destruiu as próprias casas para que o fogo não alastrasse a outras habitações. Um cenário de devastação em algumas áreas, como na Av. do Brasil, com a população a falar de "mabandidos".
E uma conclusão: as cantinas foram as grandes vítimas, a violência e os estragos elevados, mas agora reinava a calma.

As primeiras medidas

Perguntei a Victor Crespo quais foram as primeiras medidas que tomou quando chegou ao Palácio da Ponta Vermelha.
Mexeu-se um pouco no sofá da sala da biblioteca do Clube Militar Naval, em Lisboa, onde nos encontrámos para falar sobre o 7 de Setembro e o seu efeito na descolonização em Moçambique -- e a resposta surgiu sem a mínima hesitação:

"A prioridade absoluta era a do apoio à comunidade portuguesa , acabar com o caos e a controversa então reinante e criar um clima de segurança e de entendimento que permitisse o mais amplo conhecimento possível das novas realidades, para defesa de direitos, apreciação ponderada da situação e a tomada individual de decisões conscientes.
Ora, a criação desse ambiente de segurança grande remodelação na estrutura da Forças Armadas, por forma a torná-las mais coesas e disciplinadas e imbuídas de sentido de missão, cujo significado nacional, por mim claramente  exposto, foi profundamente sentido.
Dito de outro modo: quis, em primeiríssimo lugar, criar uma Forças Armadas portuguesas que tivessem a tarefa e o propósito de cumprir o Acordo de Lusaka. Decisão imediata: não ficaria ninguém em Moçambique que não quisesse cumprir o Acordo. Admitia que alguns Oficiais quisessem regressar a Portugal, o que aconteceu. Mas ficou logo claro que quem ficasse comigo na chefia militar teria que ter grande qualidade profissional, e teria  que aceitar sem reserva o Acordo de Lusaka. Ao mesmo tempo, era ainda indispensável que os que comigo ficassem tivessem a capacidade de fazer uma ligação entre  o passado  e o presente. Isto é: queria também que não houvesse tensão com as Forças Armadas de Libertação de Moçambique -- o que foi conseguido totalmente"

Victor Crespo, porém, não ficou por aí.

"Por outro lado, tive  que simplificar ao máximo a organização operacional das nossas Forças Armadas: entre uma companhia operacional e o comandante-chefe passou a existir apenas o comandante de Sector (um coronel). Ou seja: grande capacidade, rapidíssima, sem comandos intermédios. A isto acresce que as  principais forças tinham que ser da mais alta confiança. Como acontecia com os Sectores da Beira e de Lourenço Marques.

Foi bem sucedida essa política? -- questionei

"Sem dúvida. Repare: nunca foi declarado o estado de sítio, que a situação inicial chegou a fazer ponderar. A coesão e o poder rapidamente assumido pelas Forças Armadas , a determinação e a autoridade do Estado, conjuntamente com o intenso uso esclarecedor da comunicação social, permitiu obter em poucas semanas a normalidade da vida social, possibilitando então encarar com serenidade os momentosos assuntos que enfrentámos".com os militares da FRELIM

E no que toca ao relacionamento dos militares portugueses con os militares da FRELIMO?

"Uma questão fundamental que a todos nós se colocava era a resposta à pergunta sempre presente: como nos vamos relacionar com a FRELIMO? como os vamos integrar? Como sabe, a integração das forças da FRELIMO no território era assunto difícil e suscitava grande tensão entre a comunidade portuguesa. Mas, após estudos preparatórios, decidiu-se pela sua instalação nos mesmos quartéis das nossas tropas, embora em espaço separados. A superioridade militar que procurámos manter sem alarde, o contacto directo e a atribuição de tarefas comuns, revelou-se muito eficaz"

Resumindo correu tudo bem, nesse capítulo

"Sem dúvida. Nesse capítulo e noutros. A decisão foi a mais correcta, como os resultados comprovaram: os soldados da FRELIMO foram colocados em quartéis conjuntos com os soldados portugueses. Em total igualdade de condições. Eles mantinham a sua organização, nós a nossa -- ms estavam nos mesmos quartéis, comiam as mesmas refeições, conviviam, falavam uns com os outros, conheciam-se, integravam-se. A FRELIMO inicialmente ainda pôs reservas a tal solução, mas falei com o Chissano e acabou por prevalecer essa fórmula -- e tudo correu muitíssimo bem."

Mas havia ainda outro ponto muito importante a resolver: as nossas tropas continuavam espalhadas por todo o território...

"Sim, embora já se tivessem verificado algumas alterações, nomeadamente no Norte, ainda antes  de Setembro. Mas mal cheguei começámos a estudar e a realizar a retracção do nosso dispositivo militar, saindo de muitas zonas e concentrando-nos profundamente nas cidades. Entretanto, numa operação de grande envergadura planeada por nós e pela direcção da FRELIMO, foram transportados para o interior do território e para as principais cidades os efectivos militares e quadros dirigentes deste movimento de libertação por forma a cumprir-se os Acordos de Lusaka e a permitir que o Governo de Transição, presidido por Joaquim Chissano, tomasse posse a 21 de Setembro. Deve também referir-se acções de cooperação em vários domínios, a entrega metódica das instalações e materiais que ficavam e outros apoios à sua instalação como exército regular, o que gerou um bom clima de solidariedade e segurança durante toda a transição"


Chegada de tropas da FRELIMO aoaquartelamento do
 Exército português em Nova Coimbra, no extremo Norte
do Distrito do Niassa
Onde ficaram alojadas essas forças da FRELIMO

"Como acontecia quando chegava de Lisboa uma companhia que ia render outra, o mesmo se passou com a chegada de tropas da FRELIMO que, em Moçambique inteiro, foram para as nossas instalações -- tudo lhes era entregue nas melhores condições. Entregámos o que tínhamos, respeitando sempre as ordens de Lisboa quanto ao que deveria voltar a Portugal e o que deveria ficar. E muita coisa por lá ficou, que já não seria útil ao nosso país, mas tinha muito interesse para Moçambique. Armas e munições vieram, mas, por exemplo, ficaram lá incontáveis viaturas e até alguns navios, como o S.Brás (transporte de combustível), o navio hidrográfico com aparelhagem fundamental para Moçambique e uns navios pequenos  que estavam no Norte. Aliás,deve dizer-se que tudo o que havia sido pago pelo Governo de Moçambique ficou lá. E no capítulo de museus e arquivos tudo o que era estritamente português veio, tudo o que respeitava a Moçambique lá ficou. Naturalmente." 

Já agora deixe-me colocar a seguinte questão: por que razão houve tanta "meiguice" com os homens que assaltaram o RCM?

"Suponho estar a referir-se ao facto de quase todos terem fugidos sem serem incomodados. Bom, quanto "à caça ao homem" em relação aos que ocuparam o RCM , houve algumas detenções -- mas a verdade é que essa caça não nos interessava muito, isso não era fundamental. Não tivemos essa intenção. O essencial, aquilo que era mais necessário, era a estabelização social -- e prender e julgar não era favorável, e muito menos prioritário, para conseguir tal objectivo. Pelo contrário: não ajudava. As questões prioritárias, mais urgentes, não passavam por aí. Dou-lhe um exemplo: uma grande preocupação era a libertação dos prisioneiros portugueses. Devo realçar que o Governo de Transição só tomou posse depois de todos os presos portugueses, incluindo obviamente os prisioneiros de OMAR, terem sido libertados. Esse era o nosso espírito"

E o que aconteceu aos Grupos Especiais (GE) e Grupos Especiais Paraqudistas (GEP) que tinham sido formados no Dondo e eram tidos como homens de Jorge Jardim? Dizia-se que entravam nas contas dos brancos portugueses que sonhavam com uma independência tipo Ian Smith para Moçambique...

"Essa foi uma questão a que demos particular atenção, até porque tinha informações de que os sul-africanos e os rodesianos andavam à cata desses elementos para os integrar nas suas forças militares. A decisão que tomámos, para além de destruir tdos os ficheiros com informações sobre esses elementos, foi desmobilizá-los e colocá-los nas sua terras natal com algum, pouco, dinheiro, para subsistir nos primeiros tempos, dando-lhes uma ajuda para se adaptarem a uma nova vida"

Formado o Governo de Transição

Sempre num frenesim, os dias iam correndo na cidade das acácias, onde a vida voltara a uma espécie de normalidade, mas com a população branca -- sentia-se -- de nervos à flor da pele, pois o futuro não era claro.
No dia 20 de Setembro com pompa e circunstância, o Alto-comissário português, deu posse ao Governo de Transição -- chefiado por Joaquim Chissano, destacado membro da FRELIMO -- composto por 9 ministros, seis dos quais indicados por aquele Movimento de Libertação e três por Portugal.
(...) Houve dois discursos -- o do Alto-Comissário almirante Victor Crespo e o do 1º Ministro Joaquim Chissano -- e a leitura de uma longa mensagem de Samora Machel, que estava em Dae-es-Salan.
No seu estilo inconfundível, Machel não esteve com meias medidas nem paninhos quentes.
Começou por lembrar:


Victor Crespo, com os membros do Governo de Transição de Moçambique
(...)Herdamos uma situação difícil e grave do ponto de vista social, económico, financeiro e cultural, resultante de séculos de opressão e pilhagem colonial, agravada por décadas de dominação e repressão colonial-fascista e exacerbada pela aventura criminosa de um pequeno bando de racistas e reaccionários que nos últimos dias vitimou a cidade de Lourenço Marques.
Afrontamos a herança do analfabetismo generalizado, da doença, da miséria e da fome.
Encontrámos destruição, ressentimento e ódio, criados por séculos de opressão, estimulados pela guerra colonial de agressão, que os reaccionários colonialistas e fascistas desencadearam com o fim de semear a divisão e confusão.
(...)Antes da vitória popular o poder pertencia ao colonialismo e era a expressão da dominação das Companhias sobre o nosso país.
Quem governava? Eram governantes aqueles que serviam interesses de um punhado de exploradores.
Os anos de governação permitiam-se acumular fortunas através do uso do poder, do roubo, das grossas somas recebidas em troca de favores feitos às Companhias, como recompensa pela cedência das riquezas do país e da venda dos próprios homens. depois de terminado o serviço como governadores, estes transitavam imediatamente para os conselhos de administração de grandes empresas onde recebiam grossos salário como recompensa dos serviços prestados(...

População Branca: tranquilidade e confiança

Depois de abordar numerosas questões -- Machel dirigiu-se com todo o vigor à população branca:

"(...)A primeira que lhes queremos transmitir é uma palavra de tranquilidade e confiança. A FRELIMO nunca lutou contra o povo português ou contra a raça branca, A FRELIMO é a organização de todos os moçambicanos sem distinções de raça, cor, de etnia ou de religião. A luta sempre se dirigiu contra o sistema colonial de opressão e exploração: por isso todos aqueles que vivem do trabalho honesto e que sabemos constituírem a esmagadora maioria da população branca, têm uma contribuição a dar à reconstrução nacional do nosso país, com todo o Povo Moçambicano.
É necessário liquidar radicalmente todos os complexos de superioridade e inferioridade criados e vinculados por séculos de colonialismo.
Não há minorias, não há direitos ou deveres especiais para qualquer sector do povo moçambicano: somos todos moçambicanos com os direitos que o trabalho nos confere, com o idêntico dever de construir a Nação Unida, próspera, justa, harmoniosa, pacífica e democrática".

Amizade ao povo português

Por fim, Samora guardou uma palavra para o povo português:

"Queremos reafirmar a amizade que nos une ao Povo Português, e em particular às forças democráticas portuguesas, amizade forjada na luta contra o regime colonial--fascista.
Essa luta comum continua.
É com o Alto-Comissário que o Governo de Transição construirá pedra a pedra o edifício da amizade e cooperação que nós desejamos exemplar na História.
A FRELIMO, na linha da sua política de princípio e fiel aos compromissos assumidos, cooperará lealmente como Alto-Comissário da República portuguesa e com as Forças Armadas portuguesas para realizar em conjunto as tarefas da fase presente e construir o futuro."

O contrato de Honra

O Alto - Comissário português, Victor Crespo, por sua vez, começou por sublinhar e dirigindo-se directamente ao primeiro-ministro  Chissano lembrou, com elegância firme, a obra dos trabalhadores portugueses em Moçambique e o significado do Contrato de Honra agora rubricado pelos dois povos:

"Conhece V. Exª  muito bem a obra árdua que os trabalhadores honestos e humildes de Portugal semearam pelos quatro cantos deste país imenso. Pode V.Exª continuar a contar com eles, com o seu trabalho, com o seu sentido humano de convivência, com o seu desejo muito sincero de continuar em Moçambique no caminho livre e próspero que todos nós lhe auguramos.
(...)O contrato de Honra entre o povo português e o povo moçambicano, que esta cerimónia de posse do Governo de Transição consubstancia, obriga-nos a todos sermos dignos, conscientes e vigilantes para que o nosso exemplo de convivência fraterna possa constituir uma nova e luminosa alvorada de novos mundos ao Mundo".

RECORDANDO MOMENTOS DA NOSSA HISTÓRIA

Dia 7 de Setembro - Dia da Victória 
Um Importante Momento Histórico

  • A Assinatura dos Acordos de LUSAKA em 1974
  • A Grande Manifestação dos Moçambicanos no Estádio Salazar em Lourenço Marques em Apoio a Assinatura dos Acordos de Lusaka entre a FRELIMO e o Governo Português Rumo á Independência de Moçambi
  • que.
  • Tomada da Rádio Clube pelos Colonos Revoltosos numa Acção Contra a Assinatura dos Acordos e o Início de uma INTENTONA GOLPISTA com o Objectivo de Instalar em Moçambique um Governo semelhante ao da RODÉSIA como aconteceu com IAN SMITH.

A Partir de 8 de Setembro a População Moçambicana de Lourenço Marques e Arredores decide-se Organizar no BAIRRO da MAFALALA na Residência da Heróica Família CALIANO DA SILVA para Contra o Movimento denominado Criminoso "AQUI MOÇAMBIQUE LIVRE que fez Derramar Muito Sangue.

A 10 de Setembro de 1974 o POVO UNIDO Liderado por um Amplo Grupo de Nacionalistas, realiza com Sucesso a GRANDE OPERAÇÃO, retomando a RÁDIO CLUBE DE LOURENÇO MARQUES, hoje RÁDIO MOÇAMBIQUE na Grande Operação "GALO, GALO AMANHECEU" que pôs termo aos Longos DIAS e NOITES SANGRENTAS que Ceifaram Vidas sob Comando dos ESQUADRÕES DA MORTE e do GRUPO FICO apoiados pela famigerada Polícia Política (PIDE - DGS) com o Apoio da PSP, do EXÉRCITO e POLÍCIA MILITAR que se ALIARAM a INTENTONA na Globalidade.

A OPERAÇÃO GALO em Duas Decisivas Etapas teve o Único e Decisivo Apoio do CORONEL NUNO DE MELO EGÍDIO (Comandante do CTS) fiel ao Governo Português, apoiando o passo importante de Lançamento da Senha Chave que a População Aguardava com Muita Ansiedade:

  • "GALO, GALO AMANHECEU" 
  • A Segunda Etapa com o Apoio de Duas Companhias de Paraquedistas que Decididamente e sob o Comando do "COMANDANTE GALO" executou o ASSALTO FINAL e CONTROLO DEFINITIVO da Estratégica Emissora de RÁDIO que Extremamente Importante para a Reposição da Ordem.

A 12 de Setembro por Decisão e Orientação do Presidente Samora Machel, chegam a Lourenço Marques os Comandantes ALBERTO CHIPANDE e BONIFÁCIO GURVETA recebidos por nós no Edifício do Comando Territorial Sul (hoje Ministério da Defesa) com a DECISIVA MISSÃO de ASSEGURAR que os HEROICOS JOVENS do 7 de SETEMBRO não Sofressem uma NOVA INTENTONA com a possível e eminente Intervenção de Forças Militares da ÁFRICA DO SUL e da RODÉSIA.

Recordamos aqui e a título póstumo as Heróicas Figuras que deram o Seu Contributo na Base Galo na MAFALALA ao Lado daquela Juventude Heroica de Setembro de 1974:

  • AMARAL MATOS
  • NUNO CALIANO DA SILVA
  • ORLANDO MACHEL
  • JOAQUIM CHAÚQUE
  • MILAGRE MUTEMBA
  • ISAÍAS TEMBE 
  • ANA MARIA AKUY
  • GILBERTO ANTONIO
  • ANTÓNIO MEIRINHO 
  • SALVA MUTEMBA
  • AREOSA PENA EUGENIO DE LEMOS
  • ANTONIO MATSINHE
  • ABDUL REMANE (BUBULE)
  • ISSUFO BIN ABOOBAKAR
  • ALBERTO MASSAVANHANA 
  • ALEXANDRE MATOS
  • RAPOSO PEREIRA
  • LEITE DE VASCONCELOS

VIVA O 7 DE SETEMBRO - DIA DA VITÓRIA
VIVA O 43º ANIVERSÁRIO DA GRANDE OPERAÇÃO



Em Anexo um Vídeo Especialmente Concebido e Editado por JOÃO ALMEIDA, para a Obra Literária "MAFALALA 1974 - Memórias do 7 de Setembro - A GRANDE OPERAÇÃO".

ESTE VÍDEO DEMORA ALGUNS SEGUNDOS A ABRIR.